Sistema bancário é sólido e está muito bem provisionado, diz presidente do BC
Em entrevista na madrugada desta segunda-feira, 20, Campos Neto também avaliou que o cenário econômico do País "se deteriorou" desde a última reunião

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o sistema bancário brasileiro é "um dos mais sólidos do mundo" e está "super provisionado, super líquido e super capitalizado" em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, reforçando que "ninguém precisa se apavorar" quanto ao dinheiro depositado nos bancos.
Em entrevista ao programa "Poder em Foco" exibida pelo SBT na madrugada desta segunda-feira, 20, Campos Neto também avaliou que o cenário econômico do País "se deteriorou" desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e disse achar que uma melhora da atividade deve vir no último trimestre, "obviamente de uma base muito baixa". "A dúvida é o terceiro trimestre, o quanto vai ser impactado (...) e a extensão do estrago que vai ter."
As oscilações e a volatilidade do mercado financeiro no quadro atual se formam uma "neblina" para a perspectiva do Copom para a política monetária, comparou o presidente do BC. Mas, apesar de reconhecer a deterioração do cenário desde a última decisão de juros, Campos Neto ressaltou que a próxima reunião levará em conta vários fatores: "Será que vai nos custar um (gasto) fiscal muito grande sair dessa crise? Será que as reformas ficam adiadas por um tempo grande? Será que essa volatilidade no mercado e essa saída de recursos grande do Brasil não atrapalham a tomada de decisão?", enumerou.
"Todos nós identificamos a doença: o Brasil tem um crescimento baixo e a gente quer que suba. Às vezes existe uma diferença em identificar qual é o remédio", afirmou o presidente da autarquia. "Tem pessoas que dizem que o remédio é colocar os juros o mais baixo possível. Mas se o mercado tiver uma situação em que o movimento de juros faça com que você tenha um efeito lá na ponta diferente do que você gostaria, então você não deu o remédio correto para aquela doença. Acho que aí é onde mora o debate."
Questionado sobre se a taxa de câmbio com o dólar cotado a mais de R$ 5 é o "novo normal", Campos Neto disse ser "difícil dizer". "Vale lembrar que a saída de capital que nós tivemos de mercados emergentes nessa crise, em alguns blocos de emergentes, foi dez vezes pior que 2008 se você olhar a dimensão tempo e quantidade. As moedas de mercados emergentes se desvalorizaram. A do Brasil se desvalorizou um pouco mais e obviamente tem aí toda a percepção do que vai ser o novo equilíbrio fiscal. Se a gente vai conseguir ter um equilíbrio fiscal que a gente faça um desvio e depois volte para a rota ou se realmente esse desvio vai ser mais um pouco mais longo. Isso tudo está no preço da incerteza."
Segundo o presidente do BC, o potencial de todas as medidas anunciadas pela autarquia para conter os efeitos da covid-19 chega a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, enquanto a média observada nos mercados emergentes como um todo não chega a 5%.
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Na entrevista, ele também abordou a Proposta de emenda à Constituição (PEC) do "Orçamento de Guerra", comentando que a autorização para o Banco Central comprar títulos de dívida privada no mercado secundário vai prover uma liquidez nessa área que vai ajudar a "corrigir" os juros cobrados ao longo da cadeia de crédito. "Se o Banco Central puder comprar os créditos no mercado secundário, isso vai fazer com que a taxa caia e o mercado volte a funcionar."
Campos Neto também afirmou que a proposta, dividida em dois projetos de lei - um na Câmara dos Deputados e um no Senado -, da independência do BC está "madura" e "tem tudo para ser aprovada" quando o Legislativo puder encarar outras prioridades além da proteção à renda, ao emprego e às empresas do País durante a pandemia do novo coronavírus.
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