Setor de serviços cresce 1,8% em setembro, quarta alta consecutiva
Crescimento ainda não compensou as perdas por conta da pandemia de coronavírus, e volume de serviços ainda se encontra 18,3% abaixo do recorde histórico

O setor de serviços cresceu 1,8% na passagem de agosto para setembro, quarta alta consecutiva, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sua Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).
No entanto, o crescimento ainda não compensou as perdas de 19,8% acumuladas de fevereiro a maio, em razão da crise da pandemia de coronavírus. Assim, o volume de serviços ainda se encontra 18,3% abaixo do recorde histórico de novembro de 2019 e 8,0% abaixo de fevereiro de 2020.
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Em relação a setembro de 2019, o setor de serviços recuou 7,2%, sua sétima taxa negativa nesta base de comparação. No acumulado de 2020, o setor viu queda de 8,8% ante o mesmo período do ano passado.
Na passagem de agosto para setembro, quatro das cinco atividades pesquisadas cresceram. Apenas serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) tiveram resultado negativo, eliminando pequena parte do ganho de 5,8% no período de junho a agosto.
Já o setor de outros serviços, que alcançou 4,8% na comparação com o mês anterior, e 6,1% no acumulado do ano, foi o único a superar o nível pré-pandemia.
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“Outros serviços alcançaram o maior patamar desde outubro de 2014, refletindo a alta nos serviços financeiros e auxiliares. As empresas nesse segmento vêm obtendo incrementos de receita desde o segundo semestre de 2018 em função da redução consistente da taxa Selic, que reduziu os ganhos com a poupança e levou os agentes econômicos a buscarem alternativas mais atraentes de investimentos, sejam de renda fixa ou variável. Neste sentido, empresas que atuam como intermediárias desse processo de captação recursos, tais como as corretoras de títulos e as administradoras de bolsas de valores, têm obtido ganhos expressivos de receita por conta da maior procura por ativos de maior rentabilidade”, comenta o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em nota divulgada à imprensa.
Outra atividade em destaque foi a de informação e comunicação, que avançou 2% em setembro, eliminando, portanto, a queda de agosto (-1%). Mas o ganho acumulado de 7% no período junho-setembro ainda não compensou todo o recuo (-8,9%) de janeiro a maio.
Contudo, dentro desse setor, o segmento de tecnologia da informação já dá sinais de recuperação, sendo um dos poucos com resultado positivo no acumulado do ano (6,5%).
Os setores mais afetados pela pandemia, serviços prestados às famílias (9,0%) e transportes (1,1%), tiveram importância mais moderada na composição do resultado do mês, já que ambos cresceram pelo quinto mês seguido, o que lhes conferiu uma base de comparação mais elevada.
“Muitos trabalhadores ainda estão exercendo suas funções fora do local de trabalho e ainda há muitas pessoas que não estão saindo de casa nem viajando. Por isso, estabelecimentos como restaurantes e hotéis, além do transporte de passageiros ainda não estão funcionando em plena capacidade, atuando como limitadores de um processo mais acelerado de retomada tanto dos serviços prestados às famílias como do setor de transportes como um todo”, explicou Lobo.
O transporte aéreo teve uma alta de 19,2% frente ao mês anterior, mas ainda acumula queda de 37,6% no ano. Por outro lado, os segmentos de transporte aquaviário (11,2%) e de armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,2%) foram os únicos (além dos serviços de tecnologia da informação) que registraram taxas positivas no acumulado do ano.
Os serviços prestados às famílias acumulam retração de 38,6% no ano, sendo que o segmento de serviços de alojamento e alimentação é o que soma maior queda dentre todos os segmentos, de 40,2%.
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