Produção de veículos tem alta de 2,3% em 2019
É o terceiro ano seguido de crescimento. O avanço, desde 2018, tem sido impulsionado apenas pelo aumento da demanda no mercado interno

A produção de veículos cresceu 2,3% em 2019, informou nesta terça-feira, 7, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram 2,94 milhões de unidades fabricadas, em soma que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. É o maior volume anual desde 2014, primeiro ano antes da crise econômica, quando as montadoras produziram 3,15 milhões de veículos.
É o terceiro ano seguido de crescimento. O avanço, desde 2018, tem sido impulsionado apenas pelo aumento da demanda no mercado interno. As vendas para o consumidor brasileiro cresceram 8,6% em 2019, para 2,79 milhões de unidades.
A maior parte da expansão do mercado foi puxada pelo cliente pessoa jurídica, como locadoras, produtores rurais e frotistas em geral, que compram diretamente das montadoras, sem passar pelas concessionárias e, com isso, conseguem descontos mais vantajosos.
O avanço da produção só não foi maior por causa da queda das vendas para outros países, que ocorreu pelo segundo ano seguido. Com a crise da Argentina, principal destinos das exportações brasileiras de veículos, o volume vendido ao exterior caiu 31,9% em 2019, para 428,2 mil unidades, o menor nível desde 2015, quando as exportações somaram 416,9 mil unidades.
Mesmo com o crescimento no volume produzido em 2019, as montadoras mais demitiram do que contrataram no ano passado. Foram 4.013 vagas de emprego fechadas, a maior parte em razão do fim da operação da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo. Só em dezembro, foram eliminados 842 postos de trabalho. O setor fechou o ano com 125.596 funcionários espalhados pelo Brasil.
Dezembro
No último mês do ano, as fábricas produziram 170,5 mil unidades, queda de 3,9% em relação a igual mês de 2018 e de 25% na comparação com novembro.
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No mercado interno, foram comercializadas 262,6 mil unidades, aumento de 12% ante igual mês do ano anterior e de 8,4% sobre o resultado de novembro. Na exportação, foram 29 mil vendas, baixa de 8,5% na comparação com dezembro de 2018 e de 8,6% em relação a novembro.
E para 2020?
A estimativa da Anfavea é de que a produção de veículos alcance 3,16 milhões de unidades em 2020, alta de 7,3% em relação ao resultado de 2019, em conta que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Assim como em 2018 e em 2019, a produção deve ser impulsionada somente pelo mercado interno. A Anfavea projeta aumento de 9,4% nas vendas ao consumidor brasileiro, para 3,05 milhões, e recuo de 11% nas exportações, para 381 mil unidades.
Para a associação, a demanda interna será puxada pelo crescimento do PIB, estimado em 2,5%, pelo nível sob controle da inflação e pelo juros básicos no menor nível da história, que favorecem o financiamento de veículos. "Ainda há mais espaço para a taxa do CDC cair", disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.
Em relação ao mercado externo, Moraes ressalta que a Argentina, principal destino das exportações de veículos, não apresenta sinais de recuperação no curto prazo. "O novo governo ainda está começando e não há nenhuma novidade que indique uma retomada em 2020", afirmou.
Caminhões
A Anfavea estima ainda que o mercado interno de caminhões deve crescer 16,9% em 2020, para 143 mil unidades. Em 2019, foram vendidas 122 mil unidades.
Para o mercado externo, contudo, as vendas devem cair 22,7%, para 16 mil unidades. No ano passado foram embarcadas 21 mil unidades.
Com isso, a produção de caminhões no Brasil deve avançar 13,4% neste ano, para 160 mil unidades, na projeção da Anfavea. Em 2019 o volume produzido chegou a 141 mil unidades.
Carga tributária
As montadoras estudam propor que a reforma tributária inclua uma redução da carga que incide sobre o financiamento de veículos. Foi o que disse nesta terça-feira, 7, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, em coletiva de imprensa para apresentar os resultados de 2019.
Moraes disse que essa seria uma das alternativas para estimular a venda de veículos no varejo, destinada ao consumidor pessoa física.
Desde 2017 o mercado tem sido puxado principalmente pelo cliente pessoa jurídica, como locadoras, produtores rurais, taxistas e frotistas em geral.
Os impostos que incidem sobre o financiamento de veículos são o ISS e o IOF. A alíquota do ISS depende do município. Já o IOF varia de acordo com a modalidade de financiamento. Na mais comum, o CDC, a taxa é de 3,8%.
A Anfavea ainda não tem nenhuma estimativa sobre os impactos da medida, pois a alternativa ainda está em estudo.
*Com Estadão Conteúdo.
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