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Mercado aguardava expansão de cerca de 8,8% no período; em base anual, contração foi de 3,9%, mais do que o projetado
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil subiu 7,7% no terceiro trimestre, na comparação com o segundo trimestre, informou nesta quinta-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado frustrou as expectativas do mercado. Os economistas aguardavam um crescimento de 8,8% do PIB no terceiro trimestre, na comparação trimestral, de acordo com a mediana de 47 estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast. O intervalo de estimativas variou entre aumento de 7,4% a expansão de 9,5%.
Em relação ao mesmo período de 2019, a economia caiu 3,9%, muito mais do que a mediana de projeções apontava – uma queda de 3,5%, com os cálculos variando de contração de 4,90% a recuo de 2,20%.
No acumulado dos quatro trimestres terminados em setembro, houve queda de 3,4% do PIB frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. E no acumulado do ano até o terceiro trimestre, o PIB caiu 5,0% em relação a igual período de 2019.
O crescimento de 7,7% do PIB na comparação trimestral foi o maior avanço registrado na série histórica, iniciada em 1996, mas foi provocada pela base fraca de comparação. O movimento se repetiu em vários componentes do PIB, embora de forma heterogênea.
O IBGE informou que, na comparação trimestral, a atividade da indústria cresceu 14,8% e o grupo de serviços teve alta de 6,3%. Já a agropecuária apresentou recuo de 0,5%.
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Dentro do segmento indústria, o destaque foi a parte de indústria de transformação, que agrega atividades como petróleo e gás e papel e celulose – ela cresceu 23,7%.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2019, a indústria contraiu 0,9%, puxada para baixo pela parte de construção, cuja atividade recuou 7,9%. As indústrias de transformação apresentaram variação negativa de 0,2%.
A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, por sua vez, cresceu 3,8%, incentivada pela melhora nas bandeiras tarifárias, que se mantiveram verdes por todo o trimestre. As indústrias extrativas cresceram 1% em relação ao terceiro trimestre de 2019, puxadas pelo crescimento da extração de petróleo e gás.
No segmento de serviços, todos os setores apresentaram expansão entre o segundo e terceiro trimestre, caso de comércio (15,9%), transporte, armazenagem e correio (12,5%) e informação e comunicação (3,1%).
Na comparação anual, porém, serviços caíram 4,8%, com destaque para a queda de outras atividades de serviços (-14,4%) e transporte, armazenagem e correio (-10,4%).
Apesar da contração de 0,5% em base trimestral, a agropecuária teve alta de 0,4% na comparação anual, graças ao crescimento da produção e ganho de produtividade da agricultura, suplantando o fraco desempenho da pecuária e da pesca.
Pela ótica da despesa, o IBGE informou que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos investimentos em ativos que aumentam a capacidade produtiva do País, cresceu 11% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
A despesa de consumo das famílias teve expansão de 7,6% e o consumo do governo cresceu 3,5%.
Já na comparação com o mesmo período de 2019, o consumo das famílias caiu 6%, terceiro trimestre consecutivo de contração. De acordo com o IBGE, a pandemia de covid-19, além de afetar o mercado de trabalho, provocou queda na oferta e demanda de serviços com peso relevante no consumo das famílias.
A FBCF caiu 7,8% por conta da queda na produção e da importação de bens de capital, além do recuo apurado no segmento de construção.
Os dados apresentados pelo IBGE mostram ainda que a taxa de investimento no terceiro trimestre de 2020 foi de 16,2% do PIB contra 16,3% no mesmo período do ano anterior.
E a taxa de poupança foi de 17,3%, superior aos 13,7% obtidos no mesmo período de 2019.
As exportações diminuíram 2,1% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre de 2020, segundo o IBGE. Na comparação com o terceiro trimestre de 2019, elas registraram queda de 1,1%.
As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, caíram 9,6% em base trimestral. Na comparação anual, as importações mostraram queda de 25%.
A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial.
No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.
* Com informações da Estadão Conteúdo
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