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Empresas como Marcopolo e EcoRodovias acharam soluções inovadoras para lidar com a crise do coronavírus
A pandemia de covid-19 mostrou que investir em inovação pode significar sofrer menos durante uma crise. Companhias de diversas áreas de transportes, como aéreo e rodoviário, que já tinham equipes dedicadas a "pensar diferente", viram agora os resultados de investimentos feitos ao longo dos últimos anos. "A maioria das organizações trabalhava, até então, com a inovação de forma experimental", disse Oliver Cunningham, sócio da KPMG. Nos últimos tempos, os projetos se voltaram para a atividade principal da empresa, e não mais apenas para temas secundários. "A indústria percebeu que vai ter de mexer debaixo do capô, no chassi, na suspensão… não apenas na pintura." Isso porque a crise obrigou as empresas a tomarem mais risco, sob ameaça de morrerem por inanição.
A fabricante Marcopolo encontrou rapidamente uma forma de redesenhar o ônibus para atender às novas exigências dos passageiros. Em junho, o grupo tirou da cartola a plataforma BioSafe - na época, 80% da frota dos clientes da fabricante de ônibus estava parada. O sistema promete uma série de soluções para conter a propagação do vírus nos veículos e tentar dar mais segurança ao transporte coletivo.
As ferramentas ganharam corpo em apenas 60 dias e foram o primeiro resultado do Marcopolo Next, divisão de inovação voltada a soluções em mobilidade. De lá para cá, a empresa produziu 1.500 veículos com pelo menos um item da plataforma BioSafe.
Do total, 734 foram enviados ao mercado externo, sobretudo Chile, Argentina, Peru, Angola e Paraguai. No Brasil, a Viação Ouro e Prata, no Rio Grande do Sul, é a principal cliente hoje. Empresas como Randon e ArcelorMittal também utilizam a tecnologia da Marcopolo para o transporte de seus funcionários.
Nas estradas, as concessionárias de rodovias tiveram de lidar com uma queda brusca na demanda. A EcoRodovias, que administra dez concessões no País, chegou a registrar recuo de 30% no tráfego de suas rodovias - indicador que agora está na casa dos 15%. Além disso, teve de encontrar solução para problemas básicos do dia a dia, como treinar os operadores de cabines de pedágio num momento de isolamento social.
Foi aí que decidiu colocar em prática o treinamento virtual, feito com um simulador desenvolvido internamente desde 2018 e que, hoje, faz a reciclagem de 350 operadores. "Ele agiliza muito o processo de treinamento", disse o diretor de Tecnologia da EcoRodovias, Afranio Spolador.
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Para o executivo, a experiência contesta a afirmação de que é difícil inovar no setor de concessão, por se tratar de uma área muito regulada. A ideia do simulador surgiu no 1.º InovaEco, programa criado para incentivar inovações internas na empresa. O concurso selecionou quatro propostas, de um total de 110 recebidas, que começaram ser desenvolvidas neste ano.
Para levá-las adiante, a área de inovação da EcoRodovias tem orçamento anual de R$ 2 milhões. Outros projetos contaram com a ajuda da equipe, como um braço mecânico acoplado a um caminhão para lavagem de placas e uma cabine de autoatendimento, batizada de Olivia, que ganhou mercado no ano passado.
O transporte marítimo se adaptou rapidamente durante a pandemia - e o motivo não foi apenas o aumento nas exportações das commodities agrícolas, impulsionadas pela demanda global por alimentos e pelo dólar favorável. O setor está colhendo agora investimentos feitos durante anos para automatizar as operações nos navios.
"Várias ferramentas digitais que já vinham sendo utilizadas e tecnologias, como o blockchain (espécie de livro contábil público que certifica transações), tiveram crescimento significativo na pandemia", afirma Claudio Loureiro, diretor executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), entidade que reúne as maiores empresas de navegação de longo curso atuando no Brasil.
Uma prática comum do setor que mudou nos últimos tempos é o booking de carga presencial - a reserva de espaço nos navios para o transporte. Como os check-ins das companhias aéreas, havia várias plataformas que permitiam automatizar o processo. Com a pandemia, seu uso explodiu. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
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