Menu
2020-04-29T08:47:33-03:00
Em tempos de crise...

Grande empresa obtém mais crédito que pequena

Dados levam em consideração todo o saldo de operações de crédito realizadas com as empresas, com recursos livres ou direcionados (dinheiro da poupança e do BNDES

29 de abril de 2020
8:47
crédito cartão
Imagem: Shutterstock

Em meio aos esforços do governo federal para destravar o crédito no Brasil durante o período de pandemia, o saldo das operações bancárias com empresas de menor porte cresceu em ritmo muito inferior ao verificado entre as empresas maiores. Dados do Banco Central mostram que, enquanto o saldo de crédito subiu 9% nas operações com companhias de maior porte, houve alta de apenas 2,1% no caso das menores.

Os dados levam em consideração todo o saldo de operações de crédito realizadas com as empresas, com recursos livres ou direcionados (dinheiro da poupança e do BNDES). O BC classifica como micro, pequenas e médias empresas (PMEs) aquelas com receita bruta anual de até R$ 300 milhões ou ativo total de até R$ 240 milhões. Acima destes valores, as companhias são consideradas grandes.

Em valores nominais, o saldo de crédito para PMEs subiu R$ 11,4 bilhões em março, para R$ 552,5 bilhões. O aumento foi bem inferior aos R$ 81 bilhões de alta entre as empresas maiores, que atingiram saldo de R$ 983,7 bilhões - o maior valor da história.

Os números chamam a atenção porque as grandes empresas são justamente aquelas com maior possibilidade de acessar financiamentos por outros meios, como a emissão de títulos ou o mercado externo.

Em março, segundo o BC, o saldo de crédito por meio de emissão de títulos e operações externas pelas empresas continuou a crescer, o que sugere que os empréstimos feitos pelas grandes companhias em bancos no Brasil representaram um acréscimo de operações.

Dificuldades

No caso das PMEs, que possuem menos alternativas para se financiar por meio do mercado financeiro, os empréstimos bancários também subiram em março, mas em ritmo menor.

"Por terem melhor classificação de risco, as empresas maiores têm mais facilidade para conseguir crédito neste momento", avaliou a economista Isabela Tavares, especialista na área de crédito da Tendências Consultoria Integrada. Segundo ela, as empresas de menor porte possuem dificuldades para apresentar a documentação necessária. Além disso, elas possuem fluxo de caixa menor, o que eleva o risco de inadimplência em momentos de crise.

"Isso preocupa, porque as empresas mais vulneráveis não têm como se manter por muitos meses", alerta Isabela Tavares. São justamente as empresas menores que mais empregam trabalhadores no Brasil. "É preocupante que elas não consigam chegar ao crédito", acrescenta a economista.

Desde o fim de fevereiro, BC e Ministério da Economia têm atuado para manter a liquidez no mercado financeiro e, ao mesmo tempo, a oferta de recursos a empresas de todos os portes. Entre as medidas, está a disponibilização de recursos para os bancos, em valor de R$ 1,2 trilhão. Além disso, o governo lançou uma linha de crédito para pagamento de folha, para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. A linha tem potencial para liberar R$ 40 bilhões. Na segunda-feira, em nova iniciativa, o Ministério da Economia anunciou a redução da burocracia para a concessão de empréstimos.

No total, o crédito bancário apresentou um aumento de 2,85% em março, na comparação com fevereiro, para um volume total em mercado de R$ 3,587 trilhões. No mês retrasado, estava em R$ 3,487 trilhões. Segundo o BC, foi a maior expansão mensal deste indicador desde setembro de 2008 - quando cresceu 3,68%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Retomando a pauta

Votação do marco do saneamento deve ser retomada no Senado

O novo marco do saneamento — projeto que facilita a atuação da iniciativa privada no setor — tende a voltar à pauta no Senado em julho

Atrasou demais

Conselho diz que não há tempo hábil para privatizar Cedae

Um estudo aponta que a Cedae, a companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, deverá parar nas mãos do governo federal por falta de tempo para conclusão do processo de privatização

Pouco atraente

Participação do Brasil na carteira do investidor estrangeiro cai a 0,3%

Os diversos riscos associados à alocação de recursos no Brasil fizeram o peso do Brasil na carteira dos investidores estrangeiros — a incerteza política e a fraqueza econômica aparecem como importantes fatores

SEU DINHEIRO NO SÁBADO

MAIS LIDAS: Crise? Que crise?

O recente rali da bolsa pegou todo mundo de surpresa — e, não à toa, a matéria elencando cinco razões que explicam essa onda de otimismo foi a mais lida do Seu Dinheiro nesta semana

Crise setorial

Indústria deve deixar de vender mais de 1,3 milhão de veículos neste ano

A crise do coronavírus afetou as linhas de produção de veículos e também diminuiu as vendas em todo o país. Como resultado, o setor prevê uma queda de 40% no total vendido no ano

Seu mentor de investimentos

Um filme de terror: inflação volta a ter destaque no cenário brasileiro

Ivan Sant’Anna faz um paralelo entre a inflação galopante do fim dos anos 80 e o atual cenário de virtual estabilidade na variação dos preços — e mostra preocupação com o comportamento do mercado nesse novo panorama

Recuperação na bolsa

Até onde vai o Ibovespa? Para a XP, o índice voltará aos 112 mil pontos ao fim de 2020

A XP Investimentos revisou para cima sua projeção para o Ibovespa ao fim de 2020, passando de 94 mil pontos para 112 mil pontos — um patamar que implica num potencial de alta de mais de 18% em relação aos níveis atuais da bolsa

COLUNA DO PAI RICO PAI POBRE

Como se preparar para a nova Era do Empreendedorismo

Quando as coisas mudam tão drasticamente quanto nos últimos meses, pode ser difícil perceber, mas esses momentos criam as maiores oportunidades.

Dados atualizados

Mortes por coronavírus no Brasil vão a 34.973; infectados são 643.766

Na quinta-feira, havia 34.021 mortes registradas, segundo o Ministério da Saúde. O balanço diário totalizava 614.941 infectados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements