Menu
2020-04-17T09:27:18-03:00
Estadão Conteúdo
mercado de trabalho

Desemprego nos Estados Unidos atinge 22 milhões

Segundo o The New York Times, trata-se do mesmo número de empregos criados após a crise financeira de 2008

17 de abril de 2020
9:17 - atualizado às 9:27
Estados Unidos
Imagem: Shutterstock

A pandemia do novo coronavírus tem deixado um passivo preocupante para a administração do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos. Nas últimas cinco semanas, o país registrou 22 milhões de pessoas sem emprego, representando 13,5% da força de trabalho. Segundo o The New York Times, trata-se do mesmo número de empregos criados após a crise financeira de 2008.

O Departamento de Comércio apontou uma queda mensal nas vendas do varejo não vista nos últimos 30 anos, acrescentando que o declínio da produção industrial só é comparada ao período após a Segunda Guerra Mundial. "Não há para onde fugir. Esta é a recessão mais rápida, profunda e ampla que já vimos", disse Diane Swonk, economista-chefe da consultoria financeira Grant Thornton, em Chicago, à publicação.

Trump anunciaria na quinta-feira, 16, novas diretrizes para reativar a economia do país após isolamento de um mês em reação à pandemia, apesar dos temores de especialistas de saúde, governadores e líderes empresariais sobre uma ressurgência de casos sem mais exames e protocolos em vigor.

As medidas para conter a pandemia levaram a economia do país a níveis que não eram vistos desde a Grande Depressão, em 1929, já que um recorde de mais de 20 milhões de americanos solicitaram auxílio-desemprego. Só na semana passada foram 5,2 milhões, o que elevou o índice de desemprego dos EUA a 8,2%. Os números de desemprego pressionam ainda mais Trump, que apostou sua reeleição em novembro na força da economia americana.

Na quarta-feira, ele disse que dados levavam a crer que os casos novos da covid-19 atingiram o pico e que líderes industriais que participaram de uma rodada de telefonemas lhe ofereceram boas perspectivas para reativar a economia com segurança. Mas o chefe de um grande sindicato alertou o presidente a não reabrir a menos que a segurança dos trabalhadores possa ser garantida, e executivos-chefes de algumas das maiores empresas do país disseram a Trump que mais exames são necessários para garantir a segurança, de acordo com diversas reportagens da mídia. "Estamos em uma boa situação, e posso lhes garantir que a diretriz a ser apresentada hoje (quinta-feira) está alinhada com o que os especialistas estão dizendo, está alinhada com o que os dados estão mostrando e é um plano para recolocar a economia nos eixos", disse na quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, à rede Fox News.

Mercado

Na expectativa pela retomada das atividades no país, as Bolsas ganharam força no fim dos negócios, depois de operar com volatilidade durante o pregão. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,56%; o S&P 500, 0,14%; e a bolsa eletrônica Nasdaq, avançou de 1,66%.

Vários dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)) se pronunciaram durante o dia, em geral mostrando cautela com o quadro atual, mas também expectativa de melhora adiante. Os juros dos Treasuries não traçaram direção única e o dólar voltou a se fortalecer, no que para alguns analistas é uma mostra das dúvidas sobre a recuperação. Entre as commodities, o petróleo WTI fechou estável e o Brent subiu modestamente, com os contratos mantendo o nível bastante fraco atual, diante da forte queda na demanda referendada mais cedo em relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Após as notícias vindas também da Europa sobre preparativos para uma estratégia de retomada econômica em Alemanha, Itália e Espanha, entre outras nações, o presidente americano tem procurado passar uma mensagem otimista.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's previu na quinta que o Produto Interno Bruto (PIB) americano recuará 5,3% neste ano, projetando um recuo anualizado "histórico" de quase 35% no segundo trimestre e dizendo esperar que a reabertura "ao menos parcial" ocorra no terceiro trimestre.

O BBH comenta em relatório que não há uma política nacional uniforme para restrições nos EUA, com governadores e autoridades locais tendo um papel para definir a severidade das medidas de distanciamento físico. O governo Trump tem aventado 1º de maio como uma data possível, "mas nada está confirmado", diz o banco, lembrando também a divergência entre Trump e alguns governadores sobre o tema.

A IHS Markit, por sua vez, acredita que na América Latina existe "alto risco" de compras por pânico degenerarem em saques, dizendo que pode haver alguns confrontos entre as forças de segurança e moradores que se recusam a seguir as diretrizes para conter a disseminação da doença. O Rabobank afirma que "claramente, quarentenas destroem a economia", mas aponta para alguns fatores a se considerar, como o de que a volta ao normal não virá de uma vez e que, se esse processo não for feito corretamente, haverá uma nova onda de infectados.

Entre os dirigentes do Fed, Raphael Bostic (Atlanta) disse que, enquanto as pessoas tiverem medo de pegar a doença, a economia não voltará ao normal. John Williams (Nova York), por sua vez, comentou que os estresses nos mercados financeiros não devem terminar até que a pandemia "esteja superada", enquanto Patrick Harker (Filadélfia) previu que a retomada não será repentina e disse que a política monetária deve continuar acomodatícia "por bastante tempo". / GABRIEL BUENO DA COSTA E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Temporada de balanços

Banco Inter, Hering, Via Varejo e Magazine Luiza divulgam resultados do 1º trimestre; saiba o que esperar

O setor de varejo é um dos destaques da reta final da temporada de balanços; confira quais outras empresas também divulgam seus dados

Perto da falência

Quais ações de empresas em recuperação judicial podem valer o risco?

Companhias nessa condição costumam ter ações baratas e que oferecem enorme potencial de ganho; os riscos, no entanto, são imensos

Airbus A320

Itapemirim começa a receber aeronaves para voos comerciais após Anac autorizar

A Itapemirim diz que a segunda aeronave Airbus A320 de sua frota deve chegar ao aeroporto de Confins (MG) neste domingo

Efeito reverso

Elon Musk fez piada sobre o Dogecoin na TV aberta — e as cotações desabaram

Elon Musk fez a aguardada participação no SNL no último sábado, fazendo piada sobre si mesmo e falando do Dogecoin — mas a cotação caiu forte

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies