Menu
2020-02-26T17:24:26-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
CRIPTOMOEDAS

Criptomoedas ainda mantêm um papel limitado como forma de proteção, para analistas do JPMorgan

Apesar da baixa correlação das criptomoedas com ativos tradicionais, analistas do banco acreditam que elas ainda não podem servir como hedge da carteira

26 de fevereiro de 2020
16:45 - atualizado às 17:24
A criptomoeda bitcoin
Imagem: Shutterstock

Depois de terem subido durante períodos de incerteza mundial, como o surto do coronavírus e até mesmo a guerra comercial entre Estados Unidos e China, as criptomoedas chegaram a ser apontadas, por alguns especialistas, como uma espécie de "ouro digital", com a função de proteger as carteiras em tempos difíceis.

Mas, para a equipe de 12 analistas do banco JPMorgan, as criptomoedas estão longe disso. Em um relatório de 74 páginas enviado na última semana a clientes, os especialistas destacaram que esses ativos "ainda mantêm um papel limitado como forma de proteção e diversificação global de portfólios".

Apesar da baixa correlação das criptomoedas com ativos tradicionais, os analistas disseram que elas não podem servir como hedge (proteção) por conta de restrições de liquidez e dificuldades transacionais de uso.

Entre os motivos para a falta de liquidez estão a dificuldade de regulação, o que consequentemente acaba atrapalhando o ganho de escala dos criptoativos.

Na visão deles, "os criptoativos continuam falhando em oferecer uma alta consistente [em sua cotação] como o que ocorre com títulos, iene e o ouro, quando as ações passam por grandes quedas".

Além de não terem se mostrado como boas opções de proteção, as criptomoedas ainda precisam demonstrar capacidade de atuar diante de um cenário econômico e geopolítico mais conturbado, ponderam os analistas.

De acordo com eles, as moedas digitais têm tido "dificuldade em se provar únicas", por conta da falta de consistência de alta diante de momentos mais delicados.

"A aplicação em criptoativos com foco em proteção deve servir apenas em certos casos, como o de perda de confiança na moeda local e no sistema de pagamentos", destacou o analista John Normand.

A alta volatilidade e as "stablecoins"

Mas a falta de liquidez não é o único problema das criptomoedas. Outra questão levantada pelos especialistas foi a alta volatilidade, que dificulta a escalabilidade das moedas digitais.

Ainda que o preço do bitcoin esteja mais próximo do valor considerado "intrínseco" pelos analistas, e a volatilidade das criptomoedas tenha diminuído, ela ainda permanece cerca de cinco vezes maior do que em outros mercados, como o de ações e o de commodities.

E se as compararmos com as moedas fiduciárias, como o dólar, o iene etc, a diferença pode ser ainda maior. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o desvio padrão das mudanças diárias nos preços do bitcoin é cerca de 10 vezes maior do que os sete pares de moedas dos países mais ricos do mundo (G7).

Por essa razão, o foco nas chamadas stablecoins (que funcionam como representações de moedas fiduciárias tradicionais no mundo dos criptoativos e possuem o Theter como uma das moedas mais populares) tem aumentado.

Segundo os especialistas, o motivo é que elas funcionam como uma opção para diminuir as flutuações de preço encontradas nas demais criptomoedas.

Mas nem tudo é perfeito. Apesar de dizerem que as stablecoins podem crescer significativamente nos próximos anos, eles fizeram algumas ponderações.

Segundo os analistas, a rápida adoção dessas moedas digitais pode esbarrar em desafios práticos para fazer com que tais criptoativos ganhem escala e liquidez diária.

Ao citar alguns projetos, os especialistas comentaram sobre a Libra, moeda digital criada pelo Facebook, que é uma stablecoin e estava prevista para ser lançada neste ano. Mas fizeram algumas ressalvas.

"Para que a moeda digital do Facebook tenha sucesso será preciso garantir liquidez de curto prazo, que fazer com que ela vire uma espécie de fonte de retorno positivo como reserva de ativo, além do que será necessário que ela seja distribuída em redes semi-privadas", afirmaram os analistas.

Entrada de investidores institucionais é "significativa"

Mesmo com os desafios envolvendo o mundo cripto, o mercado deve continuar a se desenvolver com a introdução de novos contratos, especialmente de futuros em exchanges (corretoras) reguladas. Isso sem contar a entrada de investidores institucionais.

Mesmo sem entrar muito em detalhes, na avaliação dos especialistas do banco, a participação de investidores institucionais nas negociações já é "significativa, mas a volatilidade permanece um grande impedimento para uma adoção maior".

E um dos pontos que chamam a atenção dos analistas é a entrada de bancos menores nesse mercado.

Segundo eles, enquanto os maiores bancos multinacionais se mantiveram distantes na hora de promover serviços voltados aos investidores de criptomoedas, os bancos menores aproveitaram essa oportunidade. E hoje eles vêm comandando esse tipo de serviço, especialmente em países como Estados Unidos.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Energia elétrica

IPCA pode ir a 6,5% na bandeira vermelha

A bandeira vermelha 2, que tem custo adicional de R$ 6,243, iria a R$ 7,571 caso adotada a proposta da consulta pública

Esquenta dos Mercados

Relatório da inflação, leitura do PIB dos EUA e queda de ministro devem guiar a bolsa hoje

Assim como uma noite no deserto, o investidor deve ficar atento aos sinais para atravessar um momento de dificuldade

Volta ao original

Câmara rejeita emendas do Senado e retoma texto original de MP que eleva imposto para bancos

Deputados retomaram a alíquota de 25% na CSLL também para as agências de fomento e bancos de desenvolvimento estaduais

Para dar e vender

Defensivas e com potencial de crescimento: como as ações do setor de saúde ainda podem dar muitas alegrias na bolsa

A combinação de baixo endividamento, bons níveis de caixa e espaço para consolidação tornam as ações do segmento muito atrativas, segundo analistas

Fernando Cirne

A importância das fusões e aquisições para a Locaweb

Já avaliamos mais de 1.900 empresas e, desde o IPO, concluímos 10 importantes aquisições, que se somaram às outras seis concretizadas antes da abertura de capital

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies