Menu
2020-06-22T12:47:09-03:00
país em crise

Covid-19 tira 1,4 milhão do mercado de trabalho por motivo de doença

Número de brasileiros que estavam desempregados, mas ficaram impedidos de buscar trabalho por problemas pessoais saltou de 3,3 milhões no trimestre até fevereiro para 4,7 milhões até abril

22 de junho de 2020
12:46 - atualizado às 12:47
máscara indústria coronavírus
Imagem: shutterstock

Quando Alcides da Silva, de 52 anos, começou a sentir dores e uma febre alta, ficou desesperado. Três vizinhos em Guaianazes, periferia de São Paulo, haviam morrido após contrair o novo coronavírus e, de uma hora para outra, o peso do desemprego que ele carrega há mais de um ano se somou ao medo do coronavírus. "Imagine ver as contas chegando e não poder procurar trabalho. É como olhar para os lados e não ver saída."

O auxiliar de limpeza viu suas chances de voltar ao mercado de trabalho ficarem ainda mais distantes quando o primeiro teste de covid-19 que fez deu inconclusivo. Ele precisa ficar em isolamento e tomando remédios. "Minha rotina virou ir ao médico. E quando se chega a uma certa idade, fica cada vez mais difícil trabalhar. Recebi duas cestas básicas de um movimento que faz ocupações para quem não tem casa. Todo mundo se ajuda, mas o dia seguinte preocupa."

Silva faz parte de um contingente que cresceu muito com o avanço da covid-19: o de pessoas que se tornaram indisponíveis para trabalhar, sobretudo por terem ficado doentes ou tiveram de cuidar de alguém doente. Segundo um levantamento de Marcel Balassiano, pesquisador do Ibre/FGV, com base nos dados da Pnad Contínua, o número de brasileiros que estavam desempregados, mas ficaram impedidos de buscar trabalho por problemas pessoais - sobretudo por estarem doentes - saltou de 3,3 milhões no trimestre até fevereiro para 4,7 milhões até abril. São cerca de 1,4 milhão de pessoas, um aumento de 45%.

Essa alta é bem maior que a do número de desalentados, aqueles que deixaram de procurar trabalho por acharem que não iriam encontrar uma nova colocação, que cresceu 7% no mesmo período. O número inclui pessoas que não estavam disponíveis por conta de estudos ou mulheres que ficaram grávidas. Mas a alta expressiva aponta que a saúde foi o item que mais pesou no aumento.

E a avaliação de Balassiano é que esse quadro pode ficar ainda pior. "O País já estava em uma situação muito ruim, que o novo coronavírus só agravou. A dívida pública vai para 90% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto se tenta achar saídas para minimizar a crise de saúde. O mercado de trabalho tende a piorar", diz.

Em maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez, em parceria com o Ministério da Saúde, uma pesquisa específica, a Pnad Covid-19. Como as amostras e os períodos são diferentes, não é possível comparar a Pnad Covid com a Pnad Contínua, mas os números de maio revelam detalhes dos efeitos da pandemia.

Eles apontam, por exemplo, que 25,7 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho, mas gostariam de trabalhar. Além disso, 17,7 milhões de trabalhadores não puderam procurar emprego por causa da pandemia ou não acharam uma vaga na região em que moram.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

vice da república

Com atual sistema, qualquer governo terá de se aliar ao Centrão, diz Mourão

Em live do Banco Credit Suisse Brasil, Mourão justificou a aproximação do governo com o grupo de cerca de 200 deputados que compõem os partidos do centro.

parada desde maio de 2019

Com dívidas de R$ 2,7 bi, Avianca Brasil entra com pedido de falência

Com dívidas que somam R$ 2,7 bilhões, a companhia aérea estava sem operar desde maio do ano passado

os dados da caderneta

Com pandemia, poupança tem captação líquida de R$ 20,5 bilhões em junho

A poupança captou R$ 84,434 bilhões no acumulado do ano. Foi o 4º mês seguido de depósitos na caderneta

Sem empolgação

Aura Minerals estreia na B3 em queda firme e com baixo volume de negociação

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da canadense Aura Minerals começaram a ser negociados hoje na B3 — mas os investidores não se mostram muito entusiasmados com o papel

efeito coronavírus?

China confirma suspensão de exportação de carne suína de unidades da BRF e da JBS

Órgão não especifica o motivo do veto, mas as plantas suspensas têm em comum o fato de já terem registrado casos do novo coronavírus entre seus funcionários

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements