Com flexibilização, pandemia não é mais impeditivo para procurar trabalho, diz IBGE
Para Cimar Azeredo, diretor-adjunto de Pesquisas do IBGE, o desemprego aumentará à medida que o distanciamento social se reduzir

A flexibilização das medidas de isolamento social em diferentes regiões do País tem feito com que a pandemia do novo coronavírus deixe de ser um empecilho na busca por emprego, segundo Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O País tinha 38,5 milhões de pessoas desempregadas ou inativas que gostariam de trabalhar em junho. Ao todo, 17,8 milhões de brasileiros não procuraram trabalho por causa da pandemia ou da falta de vaga na localidade em que residiam, o que sinaliza uma pressão em potencial sobre a taxa de desemprego nas próximas leituras.
"Eles podem fazer pressão no mercado de trabalho. Não tenho mais a pandemia como impeditivo para procurar trabalho. Então eles podem engordar a desocupação, como falei, mas podem buscar outro motivo para não procurar emprego. Eu não diria que 100% desses 17 milhões vão todos para a desocupação. Com a flexibilização, o fim do isolamento, uma parcela vai começar a falar de outros motivos para não procurar trabalho. Mas grande parte pode pressionar o mercado de trabalho na busca de trabalho sim", avaliou Maria Lucia.
Para Cimar Azeredo, diretor-adjunto de Pesquisas do IBGE, o desemprego aumentará à medida que o distanciamento social se reduzir.
"O aumento da desocupação não é porque a situação piorou, é porque acabou o isolamento social", opinou Azeredo.
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Pnad Covid não diferencia o tipo de auxílio recebido
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode ter o questionário alterado já na coleta de agosto para que consiga detectar o tipo de auxílio de governo que as famílias brasileiras estão recebendo em função da pandemia do novo coronavírus.
O questionário atual foi formulado antes que surgissem diferentes tipos de auxílio dos governos às famílias, segundo Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.
"Qualquer auxílio, qualquer transferência do governo relacionada à pandemia, foi dito que fosse colocado tudo dentro desse quesito de auxilio emergencial. Há pessoas que estão recebendo R$ 600. A maior parte é auxílio emergencial. Mas existem também quem está recebendo complemento de salário de 70% pelo governo e 30% do empregadores. E são pessoas que estão muitas vezes vivendo em domicílios com renda per capita superior ao previsto para recebimento do auxílio emergencial", explicou Maria Lucia.
A pesquisa mostra que, em junho, o grosso do auxílio pago às famílias chega aos domicílios de baixa renda, mas há incidência de recebimento de benefícios também entre as faixas de renda elevada, o que pode ter relação com as transferências do programa de proteção ao emprego.
"Metade dos gastos do programa converge para os 30% dos domicílios mais pobres do País", frisou Eduardo Rios-Neto, diretor de Pesquisas do IBGE.
Entre todos os auxílios pagos pelos governos, 75,2% ficaram concentrados até na metade mais pobre da população. Na passagem de maio para junho, diminuiu a renda média per capita recebida pelas famílias mais pobres, mas aumentou o alcance do pagamento do auxílio.
"Não fosse o auxílio emergencial, eles estariam numa situação pior do que estavam em maio, e isso pode ser pressão do mercado de trabalho. A gente sabe que a renda do trabalho é responsável por mais de 70% da renda do domicílio", justificou Maria Lucia.
Domésticos
Dos 83,4 milhões de trabalhadores ocupados no País, 14,8 milhões estavam afastados do trabalho em junho, 4,2 milhões a menos do que em maio. Parte dessas pessoas pode ter perdido o emprego, mas os demais retornaram ao trabalho devido à flexibilização das medidas de isolamento social em diferentes regiões do País.
Entre os que permaneciam afastados do emprego em junho, 11,8 milhões não estavam trabalhando devido às medidas de distanciamento social.
"Cai o número de afastados porque ou as pessoas foram mandadas para trabalhar ou as pessoas foram mandadas embora", resumiu Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Entre os tipos de ocupação, os maiores porcentuais de pessoas afastadas devido à pandemia da covid-19 estavam entre os domésticos sem carteira assinada (26,8%), os empregados do setor público sem carteira (24,4%) e os empregados do setor privado sem carteira (17,3%). No entanto, houve redução na proporção de pessoas afastadas em todas as categorias em relação a maio.
Em relação aos grupamentos de atividade, a Agricultura e pecuária registrou o menor porcentual de pessoas afastadas (5,2%), enquanto as maiores proporções ocorreram no segmento de Outros serviços (30,8%), Alojamento e alimentação (23,1%) e Serviço doméstico (22,9%).
O Nordeste apresentou o maior porcentual de pessoas afastadas do trabalho devido ao distanciamento social (20,2%), seguido pelo Norte, (17,1%).
Entre os ocupados, 68,7 milhões continuavam trabalhando, sendo que 8,7 milhões trabalhavam de forma remota.
Havia mais trabalhadores remotos entre as mulheres (17,5%) do que entre os homens (9,4%). Entre as pessoas com nível superior completo ou pós-graduação, 37,3% estavam trabalhando remotamente.
Por outro lado, o trabalho remoto teve baixa adesão entre os ocupados sem instrução ou com fundamental incompleto (0,4%), bem como para o nível fundamental completo ou médio incompleto (1,4%).
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