Empresas buscam auxílio de hospitais e infectologistas para a volta ao trabalho
"Estamos trabalhando no plano de retomada para vários setores", diz Rafael Saad, gerente de consultoria do Sírio-Libanês.

Empresas de grande porte contrataram a assessoria de hospitais, laboratórios e infectologistas renomados para organizar, aos poucos, a volta de seus funcionários ao trabalho. Com a flexibilização das regras de isolamento em São Paulo, grupos empresariais buscaram nos especialistas de hospitais, como Albert Einstein e Sírio-Libanês, e infectologistas protocolos de saúde para tornar o retorno menos dramático.
Da entrada ao prédio ao tradicional cafezinho, nada vai mais ser como antes. "A palavra mágica é distanciamento social e máscara", diz o médico Sérgio Cimerman, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Disputas acaloradas para entrar no elevador na hora de rush também estão descartadas. Tudo vai ser monitorado.
Uma das maiores construtoras do País, a Even está concluindo a reforma de seu escritório em São Paulo e já tem em mãos o plano de retorno. O novo mandamento corporativo vai muito além das regras de distanciamento e higienização.
Nas áreas de descanso e copa, por exemplo, os cuidados terão de ser redobrados. "Áreas de descanso e de alimentação são locais onde as pessoas baixam a guarda. E é aí que mora o perigo", alerta o médico infectologista Adauto Castelo Filho, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, que está auxiliando a construtora nesta retomada. "Latino é muito caloroso. Quando se encontra, quer abraçar e dar tapinhas nas costas. Não dá mais."
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À espera da autorização da prefeitura de São Paulo, a Even se prepara, mas não tem pressa para a volta dos funcionários aos escritórios e estandes de venda. "Ninguém vai ser obrigado a voltar se não se sentir seguro. A retomada, quando autorizada, vai ser por etapa", diz Daniel Matone, diretor administrativo e financeiro da construtora. Desde março, os 450 funcionários do grupo em São Paulo e do Rio de Janeiro estão em casa. "Somente as obras estão em operação porque são considerados serviços essenciais", afirma.
Consultorias
Nas últimas semanas, aumentaram os pedidos de consultoria aos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. "Estamos trabalhando no plano de retomada para vários setores", diz Rafael Saad, gerente de consultoria do Sírio-Libanês. Segundo Saad, o trabalho de consultoria do hospital existe há 7 anos, mas era voltado ao apoio de redes de saúde públicas e privadas. A pandemia mudou a cara do negócio.
"Temos uma equipe de saúde e engenheiros que fazem o plano de ação e identificam riscos de contágio nas empresas. Temos de quatro a cinco pessoas dedicadas a cada projeto", explica Saad.
O hospital organizou recentemente todo o projeto da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), que reúne 577 estabelecimentos no País. O plano de ação não inclui protocolos somente aos consumidores, mas aos funcionários que trabalham no entorno dos shoppings e escritórios.
Pioneiras
As indústrias de alimentos foram as primeiras a procurar ajuda, afirma Anarita Buffe, diretora de desenvolvimento de projetos e consultoria do Albert Einstein. Nesta primeira onda da pandemia, as companhias buscaram auxílio para manter os serviços essenciais e fazer controle de contágio. Junto com o médico infectologista Adauto Castelo Filho, o Einstein preparou os protocolos de trabalho para as fábricas da JBS no Brasil.
"Mapeamos toda a jornada do trabalhador para reduzir o risco de contágio", diz Castelo.
Nas fábricas da JBS, foi criada a figura do "monitor do covid", cuja função é vigiar os funcionários com máscaras e saber se estão obedecendo os protocolos.
Agora, a demanda das empresas é preparar a volta após o fim do isolamento. "Temos entre 40 e 45 companhias em consultorias, que vão de construtoras, empresas de entretenimento, como cinemas, a escolas", diz Anarita, do Einstein.
No complexo WTC, que reúne quatro negócios - as torres de escritórios, o shopping D&D, o hotel Sheraton e o centro de convenções -, o desafio foi validar os diversos protocolos que atendam a todos os setores. "A palavra de ordem é segurança", diz Fernando Guinato Filho, diretor-geral do Sheraton São Paulo WTC e do WTC Events Center. Dos negócios que ele administra, o centro de convenções será o último a retomar as atividades.
"Nosso teatro, com espaço para mais de 500 pessoas, só voltará com no máximo 80 pessoas no local. Estamos com 15% a 20% do nosso efetivo no hotel, que está com bares e restaurantes fechados e baixa ocupação", diz Guinato.
Já as torres de escritórios estão prontas para a retomada. "Mas muitas empresas, mesmo podendo ocupar a área, não voltaram ainda." Guinato não tem dúvida: a volta vai ser lenta e gradual. "E nem tudo será como antes." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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