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A bolsa cheia e um restaurante vazio

7 de julho de 2020
19:29 - atualizado às 14:15
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de quase quatro meses em home office, voltei a pisar hoje na redação do Seu Dinheiro. Foi uma passagem de um único dia para tratar de alguns assuntos com a Marina Gazzoni. Ela já retomou a rotina de vir ao nosso escritório duas vezes por semana, enquanto eu sigo na equipe que está em home office.

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O primeiro fator que me chamou a atenção nesse reencontro com a velha rotina foi a relativa tranquilidade do trânsito matinal na região do Itaim, o “coração” do mercado financeiro aqui em São Paulo. Algo inimaginável para uma terça-feira em tempos pré-coronavírus.

Mas o maior choque veio mesmo na hora do almoço. A Marina e eu encontramos o restaurante que costumamos frequentar praticamente vazio, e justamente no período que deveria ser de maior movimento.

Conto tudo isso para trazer a você o choque de realidade de uma economia que segue profundamente marcada pela pandemia do coronavírus. Não se trata apenas de uma cicatriz não curada, mas de uma ferida ainda aberta.

Enquanto isso, a bolsa segue aparentemente alheia ao que acontece do lado de fora, e cada vez mais cheia de gente.

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É verdade que ter uma parcela de renda variável na carteira virou quase uma obrigação no atual cenário de juros baixos e injeção “ilimitada” de dinheiro pelos Bancos Centrais. Mas esse é um jogo que ainda está longe do fim, e o adversário já mostrou o quanto é perigoso.

Leia Também

O lendário fundo Verde, por exemplo, está no time dos mais conservadores. Na carta mais recentes aos investidores, a gestora de Luis Stuhlberger diz que mantém as posições de risco em níveis menores do que o habitual. A Julia Wiltgen (em home office) conta para você por que o Verde decidiu adotar uma postura mais cautelosa.

A festa fica para depois

O bom humor do Ibovespa foi interrompido na sessão de hoje. O índice fechou em queda superior a 1%, acompanhando a cautela global disparada por dados econômicos piores do que o esperado. Outro fator do “pé atrás” dos investidores foi teste positivo para covid-19 do presidente Jair Bolsonaro. Essa combinação adiou a volta da bolsa ao patamar de 100 mil pontos. Enquanto isso, o dólar segue sob pressão. Leia a cobertura completa dos mercados com o Victor Aguiar.

Da Eletrobras ao “chip do boi”

Jair Bolsonaro foi eleito com um discurso de defesa das privatizações. Mas em um ano e meio de gestão ainda não conseguiu vender ou liquidar nenhuma empresa pública de controle direto da União. O maior desejo do governo é conduzir a Eletrobras ao controle privado, mas neste ano deverá se contentar apenas a liquidação de uma outra empresa, conhecida como “chip do boi”. Saiba de quem se trata nesta matéria do Estadão.

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Parou de piorar?

A forte alta no Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), da Fundação Getúlio Vargas, mostra que a piora do mercado de trabalho foi interrompida. “Abril parece ter sido o pior momento", afirmou o pesquisador do Ibre/FGV, Rodolpho Tobler. Entretanto, uma nova rodada de demissões poderá ocorrer justamente pelo fim do efeito das medidas emergenciais de manutenção de empregos. Esta matéria explica a situação.

A queda dos combustíveis

Os preços do diesel e da gasolina terminaram o semestre em queda de 2,4% e 7,6%, segundo o Ministério de Minas e Energia. Na verdade, todos os derivados de petróleo fecharam o primeiro semestre com valor menor, com exceção do gás de cozinha. Houve uma queda espantosa, e, por isso, digna de nota: a do querosene de aviação. Confira nesta matéria.

Investimentos em alta, mas nem tanto

Os investimentos subiram 28,2% em maio, embora na comparação anual tenham encolhido 19,6%. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A alta é insuficiente para recuperar as quedas registradas em março e abril. No acumulado dos últimos 12 meses, a formação bruto do capital fixo (medida de todos os investimentos no Produto Interno Bruto) ainda se conserva em leve queda.

O teu futuro é duvidoso

O ex-ministro Pedro Malan já diz que, no Brasil, até o passado é incerto. Com isso em mente, o que podemos esperar do futuro dos investimentos diante de um cenário tão conturbado como o provocado pela pandemia do coronavírus? Bem, este é um trabalho para o nosso colunista Felipe Miranda, que traça sua visão para o mercado — com direito à menção de um índice de tecnologia local. Vale a pena a leitura!

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Uma ótima noite para você!

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