🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O Brasil é um meme macunaímico, mas antifrágil

Há muito tempo, tenho comigo que o Brasil — não sei se por razões sociológicas, antropológicas ou econômicas — carrega uma tendência à mediocridade, à complacência, à procrastinação, à reversão à média

19 de agosto de 2020
11:24 - atualizado às 13:24
crise coronavírus brasil
Imagem: Shutterstock

“Muitas vezes, parece que o Brasil vai cair no buraco. Mas, no final, o Brasil não cai, nem consegue cair, porque ele é maior do que o buraco.”

Ouvi essa frase do Eike Batista, cuja autoria é de seu pai, Eliezer, segundo ele mesmo contou. Não que o Eike seja assim propriamente um exemplo na atividade de escolher bons buracos e furos a se fazer, mas a metáfora me pareceu bastante pertinente. Cada país tem o Howard Hughes que merece.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É uma forma bastante imagética de descrever uma ideia antiga que carrego comigo. No fim, o cérebro guarda mesmo as histórias, as imagens, as metáforas, os mitos — a evolução não nos moldou para valorizarmos cálculos e equações. As emoções e sentimentos são heurísticas para nossa racionalidade; e as emoções são muito mais facilmente despertadas por símbolos e imagens. Para fugir de um leão na savana africana, você não vai recorrer a cálculos de mecânica; você vai apenas correr.

Há muito tempo, tenho comigo que o Brasil — não sei se por razões sociológicas, antropológicas ou econômicas — carrega uma tendência à mediocridade, à complacência, à procrastinação, à reversão à média.

Esclarecimento importante: ao me referir a Brasil, trato de questões de Estado, não de governo. O que é a nossa essência, nossa natureza, nossa constituição, com “c” minúsculo, englobando instituições formais e informais.

Até entendo que essa característica esteja na essência das economias capitalistas em geral, com seus ciclos econômicos, sístole e diástole, superaquecimento e recessão. Faz parte do “business cycle” caminhar em torno de uma linha de tendência. Mas aqui sinto contornos mais marcantes do atributo. A independência da matriz para, de certo modo, continuar sob domínio português — acabou tudo em casa, sejamos sinceros. O manifesto antropofágico, nosso herói Macunaíma, a bossa nova, o tropicalismo (que resgata o manifesto antropofágico!), a ode ao jeitinho brasileiro. Ai, que preguiça.

Mas não olhemos para a coisa com viés pessimista. Tem um lado bom dessa história. Se, de um lado, vivemos uma eterna armadilha do país de renda média, sem conseguir “chegar lá” e estragando a caminhada sempre que parece que vai dar certo, por outro, não temos vocação para explosão. Em todas as vezes que flertamos com o precipício, voltamos na direção contrária, evitando nos jogar lá embaixo.

Fui saber depois, em conversa com um brilhante gestor carioca, que Paulo Guedes também tem sua própria metáfora para descrever o fenômeno, algo mais ou menos assim: “o Brasil é um cercadinho. Bate no limite de baixo e volta pra média. Vai subindo até tocar na banda superior; daí encontra um teto e retorna pra baixo de novo. E assim vamos indo”.

Talvez a melhor descrição seja de um brasileiro típico, descrita naquele famoso meme: “Já tava bão. Diz que ia mudar ainda pra melhor. Já não tava muito bão. Tava meio ruim tamém. Tava ruim. Agora parece que piorou”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Brincadeiras à parte, decorre um corolário prático dessa história: compre Bolsa e juro longo sempre que ouvir que o país está prestes a explodir; venda quando as manchetes sugerirem que viramos a Dinamarca.

Volto a essa questão hoje porque ela é fundamental no momento. Sem entender as idiossincrasias brasileiras, dificilmente conseguiremos avançar em termos de alocação entre classes de ativos.

O risco à situação fiscal brasileira ficou tão grande nos últimos dias que agora ele é o menor em bastante tempo. Tivemos de arriscar romper a corda, com discussão (reconhecida pelo presidente em live) sobre furar o teto de gastos e especulações (devidamente negadas pelo presidente e pelo próprio ministro) de saída de Paulo Guedes do governo, para agora retomar o caminho das reformas fiscais, liberais e estruturantes.

Mais uma vez, precisamos nos assustar com a disparada do dólar e dos juros futuros e com o risco de saída do ministro para voltarmos a debater questões essenciais, que haviam sido deixadas em segundo plano. Obviamente, em um contexto de pandemia, todos viramos keynesianos — se até Kenneth Rogoff foi convertido, o que seria de nós? Mas então veio a ideia de que um pouco mais de gasto eleva a popularidade do presidente, uma ala do governo cobrava por mais dispêndios, ficou difícil manter o teto de gastos em 2021 diante de tantas despesas obrigatórias e do pouco espaço fiscal, perdemos dois secretários importantes… opa, para imediatamente! Caso contrário, vamos furar o teto e voltamos às mesmas condições de 2016 — as consequências são conhecidas.

Leia Também

Então, o que acontece agora provavelmente?

De forma curiosa, ao flertarmos com o abismo, com a chance de perdermos o apoio do empresariado e da Faria Lima/Leblon, com a probabilidade de chegarmos em 2022 tendo que subir juros e jogar a economia na recessão (o que impactaria negativamente a campanha eleitoral, claro), com o risco de ser associado a uma política econômica semelhante àquela de Dilma, Mantega e Arno, voltamos mais fortes em prol do fiscalismo.

Arrumamos, sim, algum dinheiro para obras, sobretudo no Nordeste, e também para o Renda Brasil. Mas isso vem acompanhado de gatilhos para conter despesas obrigatórias e garantir o cumprimento de gastos.

De forma pragmática, aumentamos dramaticamente a popularidade do presidente, com Renda Brasil e mais obras; melhoramos a relação com o Congresso e com a ala perdulária do governo (percamos a ingenuidade e entendamos que um governo nunca é uma unidade fechada sem visões antagônicas em si); incrementamos as chances de reeleição, afastando o risco sempre importante de retorno da esquerda realmente intervencionista ao poder. Tudo isso sob um custo fiscal razoavelmente baixo; inclusive, se conseguirmos fazer algo institucional e estrutural sobre gatilhos para contenção de despesas obrigatórias, podemos até ter um impacto negativo no Orçamento de 2021 do Renda Brasil e das obras requeridas, mas, em termos líquidos, ganhamos em termos de ajuste fiscal estrutural de longo prazo. Perdemos um pouco agora, para dar um passo na direção de um plano de voo crível.

Talvez de maneira contraintuitiva, parte do mercado parece não ter compreendido que podemos estar melhores agora em termos de riscos estruturais. O Renda Brasil é algo barato para garantir popularidade. Mais do que isso, com popularidade e sem risco de impeachment, o presidente pode se focar em outras medidas menos populares e de rigidez fiscal. Em termos objetivos, lembremos que o Lula 1 avançou em matéria fiscal com ortodoxia na política econômica, enquanto mantinha-se popular nas camadas mais baixas a partir do Bolsa Família, que era um programa bom e barato.

Lembremos ainda de duas questões importantes. Um programa de renda mínima aparece em várias cartilhas liberais — Hayek, por exemplo, defendeu em diversas situações algo nessa linha. Ao mesmo tempo, em um país tão desigual, um programa como o Renda Brasil é bastante defensável — o impacto social é brutal e essa inclusive é uma demanda global crescente, não sendo sobremaneira uma particularidade brasileira. Yuval Harari é um dos que chama atenção para o problema. Se, no século 20, a discussão era de uma classe capitalista que explorava uma classe operária sem alternativas com a mais-valia, o que será agora, visto que a classe operária sequer tem utilidade, pois suas funções são mais bem executadas por robôs? Aqueles antes explorados agora enfrentam uma situação ainda pior, a do completo desprezo. Se tinham uma função clara, agora nem isso resta. Num cenário assim, será crescente a demanda por um maior cuidado do Estado às classes menos favorecidas, e programas de renda mínima tendem a aparecer com mais frequência no mundo todo.

Eduardo Giannetti aponta uma contradição pertinente e curiosa sobre o Brasil: apesar de nosso subdesenvolvimento, carregamos conosco algum tipo de felicidade acima da média, o que ele chama de “vitalidade iorubá” — inclusive, questiona se isso poderia se manter conforme avançamos no processo civilizatório. Talvez pudéssemos adicionar uma outra: Macunaíma é o herói duplamente preguiçoso, mas, mesmo sem nenhum caráter, tem uma característica antifrágil. Ele volta mais forte a cada choque. O risco fiscal brasileiro ficou tão grande que agora ele diminuiu. Câmbio e juros parecem fora do lugar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
VISÃO 360

A hora da Cigarra: um guia para gastar (bem) seu dinheiro — e não se matar de trabalhar

15 de fevereiro de 2026 - 8:01

Nem tanto cigarra, nem tanto formiga. Morrer com dinheiro demais na conta pode querer dizer que você poderia ter trabalhado menos ou gastado mais

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Zuck está de mudança: o projeto californiano que está deslocando o eixo dos bilionários nos EUA

14 de fevereiro de 2026 - 9:02

Miami é o novo destino dos bilionários americanos? Pois é, quando o assunto são tendências, a única certeza é: não há certezas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Por que Einstein teria Eneva (ENEV3) na carteira, balanço de Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e outras notícias para ler antes de investir

13 de fevereiro de 2026 - 8:52

Veja a empresa que pode entregar retornos consistentes e o que esperar das bolsas hoje

SEXTOU COM O RUY

Por que Einstein seria um grande investidor — e não perderia a chance de colocar Eneva (ENEV3) na carteira?

13 de fevereiro de 2026 - 6:03

Felizmente, vez ou outra o tal do mercado nos dá ótimas oportunidades de comprar papéis por preços bem interessantes, exatamente o que aconteceu com Eneva nesta semana

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Japão como paraíso de compras para investidores, balanços de Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e o que mais move a bolsa hoje

12 de fevereiro de 2026 - 8:59

O carry trade no Japão, operação de tomada de crédito em iene a juros baixos para investir em países com taxas altas, como o Brasil, está comprometido com o aumento das taxas japonesas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos dizer que a Bolsa brasileira ficou cara? 

11 de fevereiro de 2026 - 19:50

Depois de uma alta de quase 50% em 12 meses, o mercado discute se os preços já esticaram — e por que “estar caro” não significa, necessariamente, fim da alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja se vale a pena atualizar o valor de um imóvel e pagar menos IR e se o Banco do Brasil (BBAS3) já começa a sair do fundo do poço

11 de fevereiro de 2026 - 9:39

Confira as vantagens e desvantagens do Rearp Atualização. Saiba também quais empresas divulgam resultados hoje e o que mais esperar do mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio no Japão que afeta o mundo todo, as vantagens do ESG para os pequenos negócios e o que mais move as bolsas hoje

10 de fevereiro de 2026 - 9:30

Veja qual o efeito da vitória da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nas eleições do Japão nos mercados de todo o mundo

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Entre estímulo e dívida: o novo equilíbrio do Japão após uma eleição que entra para a história

10 de fevereiro de 2026 - 7:11

A vitória esmagadora de Sanae Takaichi abre espaço para a implementação de uma agenda mais ambiciosa, que também reforça o alinhamento estratégico de Tóquio com os Estados Unidos, em um ambiente geopolítico cada vez mais competitivo na Ásia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

CSN (CSNA3) quer convencer o mercado que agora é para valer, BTG bate mais um recorde, e o que mais move as bolsas hoje

9 de fevereiro de 2026 - 8:39

Veja os sinais que o mercado olha para dar mais confiança ao plano de desalavancagem da holding, que acumulou dívidas de quase R$ 38 bilhões até setembro

TRILHAS DE CARREIRA

O critério invisível que vai diferenciar os profissionais na era da inteligência artificial (IA)

8 de fevereiro de 2026 - 8:00

O que muda na nossa identidade profissional quando parte relevante do trabalho operacional deixa de ser feita por humanos?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Carnaval abaixo de 0 ºC: os horários e os atletas que representam o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno

7 de fevereiro de 2026 - 9:02

Mudaram as estações e, do pré-Carnaval brasileiro, miramos nosso foco nas baixas temperaturas dos Alpes italianos, que recebem os Jogos Olímpicos de Inverno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com o ouro de tolo ao escolher ações; acompanhe a reação ao balanço do Bradesco (BBDC4) e o que mais move a bolsa

6 de fevereiro de 2026 - 8:45

Veja como distinguir quais ações valem o seu investimento; investidores também reagem a novos resultados de empresas e dados macroeconômicos

SEXTOU COM O RUY

O “lixo” não subiu: empresas pagadoras de dividendos e com pouca dívida devem seguir ditando o ritmo na bolsa

6 de fevereiro de 2026 - 6:07

Olhamos para 2026 e não vemos um cenário assim tão favorável para companhias capengas. Os juros vão começar a cair, é verdade, mas ainda devem permanecer em níveis bastante restritivos para as empresas em dificuldades.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A difícil escolha entre dois FIIs de destaque, e o que esperar dos resultados de empresas e da bolsa hoje

5 de fevereiro de 2026 - 8:33

As principais corretoras do país estão divididas entre um fundo de papel e um de tijolo; confira os campeões do FII do Mês

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Bolsa e o trade eleitoral — by the way, buy the whey

4 de fevereiro de 2026 - 20:00

Investir não é sobre prever o futuro político, mas sobre manter a humildade quando o fluxo atropela os fundamentos. O que o ‘Kit Brasil’ e um pote de whey protein têm em comum?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Queda no valor da Direcional (DIRR3) é oportunidade para investir, e Santander tem lucro acima do esperado 

4 de fevereiro de 2026 - 8:38

Saiba por que a Direcional é a ação mais recomendada para sua carteira em fevereiro e o que mais move as bolsas hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O bloco dos bancos abre o Carnaval das empresas abertas: qual terá a melhor marchinha?

3 de fevereiro de 2026 - 8:36

Mercado também reage a indicação para o Fed, ata do Copom e dados dos EUA; veja o que você precisa saber antes de investir hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O efeito Warsh: reação à escolha de Trump é um ajuste técnico ou inflexão estrutural?

3 de fevereiro de 2026 - 7:48

Após um rali bastante intenso, especialmente nos metais preciosos, a dinâmica passou a ser dominada por excesso de fluxo e alavancagem, resultando em uma correção rápida e contundente

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O custo e os benefícios do fim da escala 6×1 para as PMEs, e os dados mais importantes para os investidores hoje

2 de fevereiro de 2026 - 8:42

As PMEs serão as mais impactadas com uma eventual mudança no limite de horas de trabalho; veja como se preparar

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar