Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Como perder uma eleição? A Dominância Fiscal

Com pedalada fiscal e, na prática, rompimento do teto de gastos de forma desorganizada e sem colocar uma outra âncora fiscal no horizonte, os agentes econômicos passam a desconfiar da capacidade de o Brasil arcar com seus compromissos financeiros.

29 de setembro de 2020
10:26 - atualizado às 13:23
Jair Bolsonaro
Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República

Jair Bolsonaro é o favorito para vencer as próximas eleições presidenciais. Ele lidera, com alguma folga, na maior parte das pesquisas eleitorais.

Sim, você tem toda razão. Somos também muito céticos com pesquisas eleitorais, por vezes realizadas apenas para fazer os meteorologistas passarem menos vergonha. Além disso, estamos longe de 2022 e muita água vai rolar até lá.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Contudo, dada a expectativa de retomada cíclica da atividade, com seus desdobramentos sobre emprego e renda, em 2021 e com a possibilidade de extensão para 2022 é possível até que essa vantagem do atual presidente venha a se alargar no tempo.

As chances em prol da reeleição encontram substância na retrospectiva histórica. Desde a emenda de 1997, todos os presidentes que se candidataram à reeleição no Brasil levaram o pleito — o poder da máquina e da imagem conhecida sugerem efeito importante. Michel Temer, com tanta impopularidade, não tentou se reeleger; talvez por isso tenha conseguido avanços tão importantes em nossas reformas estruturais. A História talvez seja mais competente do que a popularidade como juíza de seu governo.

Resumo: mantidas constantes as atuais condições de temperatura e pressão, Bolsonaro caminha como grande favorito para as eleições de 2022. 

O que pode mudar o quadro?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entre outras coisas, como as intempéries da deusa Fortuna que sequer podemos contemplar, os “unknown unknowns” de Donald Rumsfeld, seguirmos pelo caminho com o qual flertamos ontem.

Leia Também

Explico.

A proposta do governo para financiar o Renda Cidadã envolve a rolagem de precatórios e o uso de recursos do Fundeb. Não há qualquer contrapartida em termos de aumento de receita, tampouco de corte de gastos. Em síntese, estabelece uma pedalada fiscal clássica, sob risco inclusive de ilegalidade, e em termos práticos fere o teto de gastos, ainda que formal e retoricamente possa se argumentar em contrário. 

Ao limitar a despesa com precatórios (uma espécie de passivo do governo resultante de condenação definitiva) a 2% da receita corrente líquida da União e usar seu excedente para financiar o Renda Cidadã, o governo desvia da necessidade de incorrer numa despesa reconhecida e executada naquele momento, rolando-a para o exercício seguinte. Não há abatimento da dívida, simplesmente um calote momentâneo, empurrando para a frente a despesa. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em linguagem bem simples, suponha que a despesa com precatório de determinado ano — algo normalmente devido a entes privados — seja de 5% da receita recorrente líquida. Então, pagam-se apenas 2% e os 3% restantes são usados para bancar o Renda Cidadã. Ou seja, quem deveria receber desses 3% ligados aos precatórios teve sua dívida rolada para a frente, sem receber. É uma pedalada cristalina. Acumulam-se despesas, conferindo uma trajetória ainda mais preocupante para a dívida líquida brasileira — a razão dívida/PIB hoje não converge; ela é explosiva e é fundamental que o governo sinalize ao investidor um plano crível de forma a fazê-la assumir um formato côncavo, ainda que a longo prazo.

Já com o uso do Fundeb, o governo tenta um drible notório na lei do teto de gastos. Como esses recursos estão fora do teto, toma-os para o Renda Cidadã e, retoricamente, até mesmo na formalidade, afirma-se que estamos cumprindo o teto. Embora, claramente, usemos um recurso “de fora” para bancar algo que estaria dentro. Palavras não pagam dívidas.

O que isso tem a ver com a eleição de 2022?

Ora, com pedalada fiscal e, na prática, rompimento do teto de gastos de forma desorganizada e sem colocar uma outra âncora fiscal no horizonte, os agentes econômicos passam a desconfiar da capacidade de o Brasil arcar com seus compromissos financeiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os investidores estrangeiros deixam o país e os próprios residentes passam a internacionalizar sobremaneira seus investimentos, com receio de manter suas economias internamente (a Argentina é logo ali). A maior demanda por dólares faz a taxa de câmbio disparar. Há uma perda da confiança em nossa moeda. A inflação é a consequência imediata. O Banco Central é obrigado a subir juros.

A dinâmica continua. O Tesouro encontra cada vez mais dificuldade de rolar sua dívida, o mercado demanda mais prêmio para financiar a dívida pública. Os juros sobem ainda mais. Perdemos a capacidade de coordenação entre política monetária e fiscal. A primeira é dominada pela última. O Banco Central é simplesmente obrigado a subir juros por conta do medo da trajetória fiscal. 

Chegamos em 2022 com juros muito altos e inflação. A recuperação cíclica da economia é abortada, sob aumento do desemprego e destruição da massa salarial. Em paralelo, a inflação, com sua característica elementar de concentração de renda, afeta as camadas mais baixas da população, justamente no extrato em que Jair Bolsonaro vinha ganhando mais popularidade. Os critérios de aprovação do presidente passam a cair. A reeleição está em risco. No final do dia, o populismo, seja ele de direita ou de esquerda, encontra sempre as mesmas consequências.

Desde ontem, tenho recuperado uma ideia que me acompanha sobre o Brasil, de que não temos vocação à explosão. Podemos ser complacentes, macunaímicos, medíocres. Vivemos num cercadinho, em que batemos no limite de baixa e regressamos à média. O mesmo ocorrendo ao tocar a banda superior. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ausência de evidência não é evidência de ausência. O fato de não enxergarmos saída para a crise fiscal neste momento não significa a inexistência de saída para a crise fiscal. 

Em todas a vezes em que o Brasil flertou com o abismo, ele deu marcha a ré. Mais do que isso até, paradoxalmente, o país parece precisar olhar para o precipício para voltar a caminhar para a frente. O sapo não pula por boniteza, mas por precisão. O próprio prestígio do ministro Paulo Guedes talvez encontre dinâmica semelhante. Ele foi várias e várias vezes questionado no cargo; e em seus momentos de aparente maior fragilidade, acabou voltando um pouco mais prestigiado e com algum avanço, mesmo que marginal, em sua pauta reformista.

Entendo que a proposta de financiamento do Renda Cidadã, tal como colocada ontem, apresenta poucas chances de ser efetivamente implementada. Primeiro, pelo instinto de sobrevivência do governo. A racionalidade política, por vezes, é diferente da racionalidade estrita. Mesmo se a motivação for a reeleição apenas, ou talvez até mesmo por conta disso, precisamos abandonar urgentemente a pauta populista. Ela é o caminho mais rápido e efetivo para uma recessão brutal em 2022, a forma mais simples de o governo perder a reeleição.

Além disso, o próprio Planalto estaria surpreso com a reação dos mercados ontem. A segunda-feira foi um alerta importante de que os agentes econômicos não topam essa opção. A disparada do câmbio e dos juros futuros, acompanhada da forte queda da Bolsa, sinaliza a possível perda de apoio do empresariado, da Faria Lima e do Leblon, braços importantes de sustentação. Uma opção mais forte pelo populismo poderia empurrar essa fatia da população em direção a alguma eventual candidatura de centro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em complemento, a proposta deve enfrentar forte resistência no Congresso. Mesmo que o governo venha a continuar com essa (péssima) ideia, não vai ser fácil colocá-la em prática. 

Com efeito, a Arko Advice, nossos parceiros na cobertura política, conversou com diversas fontes no Palácio do Planalto e na equipe econômica e encontrou grande surpresa entre membros do Ministério da Economia. Esses mesmos não acreditam no sucesso da proposta e há pressão dentro do ministério para que o governo recue e busque fontes alternativas de financiar o programa. “A proposta é de difícil execução. Encarece o juro, ameaça o câmbio, pressiona a inflação. O mundo político vai entender a necessidade de mantermos nossa credibilidade.” Mais uma vez, reitero o convite para a assinatura do material da Arko Advice. Esses caras são os melhores. 

Reportagem de Ana Flor, do portal G1, traz argumentação semelhante: “Com péssima repercussão, governo já discute abandonar rolagem de precatórios para novo programa social”. Assessores do presidente teriam começado a defender mudanças no programa.

O Brasil volta a flertar com o abismo. As cotações do mercado de juros já mostram um estresse superior àquele de março, no ápice da aversão ao risco global por conta da Covid-19. Há um pequeno consolo potencial: nas vezes em que entrou no modo-pânico, o país costumou ser uma oportunidade de compra. Pode demorar — lembro que, em 2015, escrevemos a “virada de mão” em setembro e passamos três meses apanhando, até vir uma multiplicação expressiva dos ativos de risco; acertar o timing perfeito é tarefa inglória. No final, porém, as coisas voltam à nossa normalidade típica, carregada de mediocridade e complacência. Não sei se isso é boa ou má notícia, mas hoje estamos muito abaixo da média. Para voltar a ela, precisaríamos subir dramaticamente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia