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Navegando em águas turbulentas

7 de janeiro de 2020
19:04 - atualizado às 15:41
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois da bonança de dezembro, os mercados veem uma tempestade se formando neste início de ano. Os ventos estão agitados, os mares estão turbulentos e os céus mostram formações nada animadoras para os investidores.

Tudo isso, é claro, por causa da escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã — um fator de estresse que não aparecia nos radares das embarcações até a semana passada. E, por mais que ainda não haja um tsunami no horizonte, é prudente sair da velocidade de cruzeiro.

Afinal, o Ibovespa e as bolsas globais não querem ser pegos no meio de um potencial maremoto no Oriente Médio. E, considerando a agitação da água e a instabilidade dos ventos, nada mais natural que recolher as velas e esperar a tormenta passar.

Nesse cenário, o Ibovespa fechou em queda de 0,18% nesta terça-feira (7), aos 116.661,94 pontos — a terceira baixa consecutiva, uma sequência que não era vista desde setembro de 2019. Nos Estados Unidos, os índices acionários também terminaram no vermelho.

Mas, por mais que os últimos dias não tenham sido favoráveis para a navegação, os marujos experientes do mercado hesitam em dar meia volta e retornar à terra firme. A lógica é simples: por enquanto, as tensões entre americanos e iranianos estão apenas no campo do discurso, sem qualquer movimentação militar concreta desde a semana passada.

Essa postura de esperar para ver fica mais clara no mercado de commodities: o petróleo fechou em queda, com o mercado mostrando-se ligeiramente mais otimista quanto ao panorama no Oriente Médio, principal região produtora da commodity no mundo.

Vale lembrar, ainda, que essas três quedas do Ibovespa estão longe de gerar um dano maior ao casco do navio. No período em questão, o índice acumulou baixas de 1,6% — pouca coisa, ainda mais se considerarmos que, até a semana passada, a bolsa brasileira estava nas máximas.

Eu conversei com analistas e operadores ao longo do dia e fiz o diário de bordo dos mercados nesta terça-feira. E posso adiantar que, para as próximas sessões, a tripulação continua esperando águas turbulentas e nebulosidade, sem qualquer expectativa de melhora nas condições dos mares.

É dinheiro que entra

Mesmo em um ano de corte de juros pelo Banco Central, a poupança fechou 2019 alguns bilhões mais gorda na comparação com o ano anterior. Dados divulgados hoje mostram que a caderneta teve captação líquida de R$ 13,327 bilhões no ano passado, número menor do que o registrado em 2018.

Começando os trabalhos

O Banco Votorantim (agora chamado BV) deve fazer seu IPO neste ano. Depois de não conseguir concluir todo o trabalho necessário para colocar os pés na B3 em 2019, a instituição controlada por Banco do Brasil e pela família Ermírio de Moraes quer emplacar a primeira abertura de capital na B3 em 2020. A operação pode movimentar R$ 5 bilhões e deve marcar a saída do BB, que fez uma série de desinvestimentos na gestão de Rubem Novaes.

Não vai dar tempo

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu que enfrenta dificuldades para privatizar os Correios e outras empresas públicas — ele disse não ter como garantir a viabilidade da venda da estatal até o final do seu mandato. Atualmente, esse tipo de operação deve passar pelo Legislativo.

Hora de dar ‘tchau’

Sem dinheiro em caixa, governadores pretendem transferir para a iniciativa privada ao menos 100 ativos neste ano, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. O cardápio inclui setores como energia elétrica, rodovias e aeroportos, além de empresas de telecomunicações.

A saída do presidente

No meio do debate para solucionar a crise gerada pelo aumento de preço dos combustíveis, Jair Bolsonaro voltou a defender que o ICMS cobrado dos combustíveis seja aplicado já no preço da refinaria, ao invés de cair sobre o valor médio dos postos. A proposta, no entanto, encontra resistências.

Com vocês, meu novo carro

Surfando na onda das inovações, o presidente da Tesla, Elon Musk, resolveu apresentar o mais novo carro da companhia de um jeito excêntrico. O magnata trouxe uma dancinha e fez até “striptease” para promover o Modelo 3, que chegou oficialmente ao mercado.

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