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2020-06-25T16:00:57-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Manhã de alívio

Ibovespa ensaia recuperação e dólar fica estável; tensão no exterior e juros no Brasil mexem com o mercado

Mesmo com o clima ainda tenso no exterior, o Ibovespa consegue se sustentar no campo positivo — por aqui, o IPCA-15 e o RTI são repercutidos pelos investidores. Já o dólar à vista até abriu em baixa, mas ganhou força e voltou a ficar acima de R$ 5,30

25 de junho de 2020
10:35 - atualizado às 16:00
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Após uma sessão bastante pressionada na última quarta-feira, com o Ibovespa recuando mais de 1% e o dólar à vista disparando mais de 3%, a bolsa brasileira mostra uma certa tendência de alívio nesta quinta-feira (25), reagindo ao panorama de inflação sob controle por aqui. Mas, apesar dessa recuperação, os diversos fatores de risco no horizonte — sobretudo no exterior — podem trazer instabilidade às negociações.

Por volta de 16h00, o Ibovespa subia 0,85%, aos 95.179,63 pontos, tentando ficar em linha com as principais praças da Europa, que fecharam em leve alta. Nos EUA, o Dow Jones (+0,05%), o S&P 500 (+0,12%) e o Nasdaq (+0,07%) ficam praticamente estáveis.

No câmbio, o dólar à vista chegou a cair 1,04% mais cedo, a R$ 5,2676. No entanto, a divisa americana foi ganhando força ao longo da manhã e, agora, fica estável a R$ 5,3231. Com o desempenho do momento, a moeda acumula ganhos de 0,17% na semana.

  • Eu gravei um vídeo para explicar um pouco da dinâmica por trás dos mercados nesta quinta-feira. Veja abaixo:

Os investidores continuam mostrando cautela em relação à possibilidade de uma segunda onda do coronavírus no mundo, o que provocaria uma retomada das medidas de isolamento e, consequentemente, geraria uma piora na já fragilizada economia global.

E os mais recentes dados econômicos dos EUA inspiram prudência: o PIB do país no primeiro trimestre recuou 5%, um resultado que veio em linha com a previsão dos analistas, mas que deixa claro o impacto da pandemia sobre a atividade do país — e aumenta a preocupação quanto ao segundo trimestre, que deve ser ainda pior.

Também nos EUA, destaque para os dados do mercado de trabalho: na semana encerrada em 20 de junho, foram 1,48 milhão de novos pedidos de seguro-desemprego, uma leve queda de 60 mil solicitações em relação à semana anterior — um patamar ainda bastante elevado.

Esse cenário, combinado às tensões comerciais entre EUA e China, justifica o tom negativo visto nos futuros de Wall Street. na Europa, por outro lado, o tom é mais positivo porque o Banco Central Europeu anunciou um novo instrumento de recompra (repo) para fornecer liquidez aos BCs fora da zona do euro.

Agenda cheia no Brasil

Por aqui, os investidores têm um dia carregado, especialmente no mercado de juros. A começar pelo IPCA-15 de junho, que teve leve alta de 0,02% após ter recuado 0,59% em maio — um resultado que corrobora a percepção de que as pressões inflacionárias praticamente inexistem no momento.

Além disso, o mercado também reage ao relatório trimestral de inflação (RTI) do Banco Central, que manteve a previsão para o IPCA em 1,9% ao fim de 2020 — a mesma estimativa da versão anterior do documento, de março.

Nesse contexto de inflação sob controle, as curvas de juros futuros de médio e longo prazo operam em baixa nesta quinta-feira, com os investidores apostando na manutenção da taxa Selic em níveis baixos por um período prolongado:

  • Janeiro/2021: estável em 2,05%;
  • Janeiro/2022: de 3,05% para 3,00%;
  • Janeiro/2023: de 4,19% para 4,11%;
  • Janeiro/2025: de 5,93% para 5,79%.

Saneamento em foco

No lado corporativo, destaque para as ações do setor de saneamento, em meio à aprovação, pelo Senado, do novo marco regulatório para o setor — uma medida que facilita a participação e o investimento do setor privado na área. Apesar disso, as principais ações do segmento operam em baixa nesta quinta.

No Ibovespa, Sabesp ON (SBSP3) recua 3,01% no momento; fora do índice Copasa ON (CSMG3) e as units da Sanepar (SAPR11) caem 2,96% e 0,56%, respectivamente — uma leve realização dos ganhos de ontem, quando o mercado já precificava a aprovação do novo marco.

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa neste momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CCRO3CCR ON15,08+4,72%
WEGE3Weg ON48,11+4,47%
GOLL4Gol PN18,94+3,84%
CIEL3Cielo ON4,88+3,83%
ECOR3Ecorodovias ON13,11+3,31%

Confira também as cinco maiores quedas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
SBSP3Sabesp ON58,24-3,05%
BRKM5Braskem PNA23,09-2,94%
CVCB3CVC ON18,32-2,35%
HGTX3Cia Hering ON14,12-2,08%
BEEF3Minerva ON12,89-1,98%
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