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2020-05-12T14:48:33-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Alívio nos mercados

Ibovespa sobe e dólar cai, aproveitando o clima mais calmo no exterior

O Ibovespa pega carona no tom mais ameno visto lá fora e opera em alta, tentando recuperar o nível dos 80 mil pontos. O dólar à vista recua ao patamar de R$ 5,77

12 de maio de 2020
10:35 - atualizado às 14:48
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Após um início de semana mais pressionado, os ativos brasileiros encontram algum espaço para recuperação nesta terça-feira (12). O Ibovespa opera em alta desde o início do dia e tenta retomar os 80 mil pontos, enquanto o dólar à vista recua e se afasta das máximas.

Por volta de 14h30, o principal índice da bolsa brasileira avançava 0,85%, aos 79.736,09 pontos, num desempenho superior ao dos principais mercados acionários do mundo: na Europa, as praças mais relevantes tiveram ganhos moderados; nos EUA, o Dow Jones (+-0,56%) e o Nasdaq (-0,16%) oscilam perto da neutralidade.

No câmbio, o dólar à vista tinha baixa de 0,27% no mesmo horário, a R$ 5,8041 — lá fora, a moeda americana vai se desvalorizando em relação às divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

Boa parte desse tom mais ameno visto no exterior se deve às sinalizações emitidas pelo governo chinês: mais cedo, Pequim anunciou que irá aumentar a lista de produtos dos EUA que estarão isentos de sobretaxações, colocando panos quentes nas recentes tensões comerciais entre os países.

Essa medida concreta por parte dos chineses se sobrepõe às ameças e declarações mais fortes do presidente dos EUA, Donald Trump, que tem tentado culpar a China pela pandemia de coronavírus — e usado esse discurso como pretexto para tentar descumprir os acordos comerciais firmados no ano passado.

Apesar desse alívio nas tensões entre as potências, o noticiário referente ao coronavírus no exterior ainda inspira cautela aos investidores. A possibilidade de uma nova onda da doença na China e em alguns países asiáticos é monitorada de perto e pode jogar um balde de água fria nos planos de reabertura das economias da Europa e dos EUA.

Ruídos políticos

No Brasil, o mercado segue atento ao cenário político: deve ser divulgado hoje o vídeo da reunião em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado de demissão o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro — e especulações quanto ao conteúdo e os desdobramentos da gravação podem aumentar a volatilidade nos ativos domésticos.

Além disso, permanece a incerteza quanto à possibilidade de veto presidencial ao reajuste de salários dos servidores públicos — a questão foi incluída na PEC de auxílio financeiro emergencial aos Estados e municípios, aprovada pelo Congresso.

Por mais que Bolsonaro tenha sinalizado diversas vezes que irá vetar esse reajuste, fato é que a promessa ainda não foi concretizada — o presidente diz que a decisão está sendo alinhada com a equipe econômica de Paulo Guedes e a assinatura deve sair até quarta-feira desta semana.

Assim, o mercado segue desconfiado quanto ao que poderá acontecer nesse front: por um lado, a continuidade do ajuste fiscal depende do veto, mas, por outro, a medida possui um caráter bastante impopular.

Nesse cenário cheio de dúvidas, não seria completamente surpreendente ver uma virada nos mercados brasileiros ao longo do dia, com as incertezas locais se sobrepondo à calmaria externa.

Ajustes nos juros

No mercado de juros futuros, os investidores reagem ao conteúdo da ata da última reunião do Copom: entre outros pontos, a autoridade monetária projeta uma queda forte do PIB no primeiro semestre e voltou a reforçar a possibilidade de um novo corte de 0,75 ponto na Selic na reunião de junho.

Dada a ausência de grandes novidades no documento, as curvas de juros passam apenas por ajustes pontuais — os vencimentos mais curtos têm leves altas, enquanto os DIs mais longos operam em ligeira queda:

  • Janeiro/2021: de 2,47% para 2,52%;
  • Janeiro/2022: de 3,27% para 3,35%;
  • Janeiro/2023: de 4,46% para 4,47%.

Top 5

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON8,42 +9,35%
BEEF3Minerva ON14,29 +6,25%
BRML3BR Malls ON8,36 +5,16%
BTOW3B2W ON91,41 +5,14%
CCRO3CCR ON11,71 +4,18%

Confira também as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
EMBR3Embraer ON6,99 -2,78%
NTCO3Natura ON33,29 -2,52%
CRFB3Carrefour Brasil ON18,97 -2,12%
QUAL3Qualicorp ON21,28 -2,07%
SBSP3Sabesp ON40,91 -1,94%
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