Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-07-06T11:00:37-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Gestão na crise

Legacy vê “repressão financeira” com juro baixo e aposta em carteira global de ações

Felipe Guerra, sócio da gestora que possui R$ 14,5 bilhões em patrimônio, acredita em recuperação em “V” da crise e aponta o teto de gastos como “pau de circo” para sustentar juro baixo no país

6 de julho de 2020
5:57 - atualizado às 11:00
Felipe Guerra, sócio-gestor da Legacy Capital
Felipe Guerra, sócio-gestor da Legacy Capital - Imagem: Divulgação

Questionado no fim do ano passado sobre as principais posições da Legacy Capital, Felipe Guerra respondeu com a curiosa sigla “BBBBB”. Era uma referência às posições compradas em ativos brasileiros como a bolsa e NTN-B (título público corrigido pela inflação).

Eu voltei a entrevistar o sócio da gestora que possui R$ 14,5 bilhões em patrimônio na semana passada. Como não podia ser diferente, o efeito coronavírus nos mercados acabou tirando alguns “bês” e acrescentando outras letras aos fundos.

O sócio da Legacy – gestora formada há dois anos por ex-profissionais da tesouraria do Santander – até segue com uma visão positiva para a bolsa brasileira. Mas diante das incertezas que seguem no radar aposta hoje em uma diversificação não não só de ativos, mas também geográfica.

Além da alocação “óbvia” na bolsa dos Estados Unidos, a Legacy detém ações nos mercados da Suíça, Alemanha e Japão. A ideia é não ficar exposto a um único país cuja economia pode eventualmente sofrer com um surto localizado de coronavírus.

O cenário de medidas mais duras de isolamento, contudo, não está no radar do gestor, pelo contrário. “O sarrafo para fazer lockdown está mais alto. A contaminação teria que piorar muito para termos que fechar novamente as economias.”

Após o baque global com a disseminação do vírus nos primeiros meses do ano, Guerra está no grupo dos que veem uma maior possibilidade de uma recuperação em “V” das economias. Aqui no Brasil a convicção dele é menor, mas os indicadores recentes têm sido animadores.

“Os dados de alta frequência da economia, como o movimento nas estradas, vendas de veículos e consumo de energia mostram uma recuperação clara em curso” — Felipe Guerra, Legacy Capital

Ao mesmo tempo, ele avalia que a injeção massiva de recursos pelos bancos centrais em boa parte compensa as perdas das economias no período de quarentena com o coronavírus.

Repressão financeira

A liquidez sem precedentes patrocinada pelos bancos centrais, em conjunto com as taxas de juros nas mínimas históricas, devem continuar empurrando os investidores para ativos de maior risco.

“O mundo e o Brasil estão passando por uma repressão financeira. Nesse novo mundo, ativos alternativos como crédito e bolsa ganham valor.”

Se a bolsa é a grande aposta hoje, quais papéis a Legacy tem na carteira? Guerra falou principalmente sobre setores que considera promissores, como os de marketing digital, biotecnologia, comércio eletrônico e meios de pagamento.

Com a reabertura e retomada das economias, ele também vê espaço para a valorização de produtores de commodities.

Quando eu perguntei especificamente sobre nomes, ele citou apenas uma ação: Petrobras. “A empresa continua no processo de venda de ativos e vem operando com margens maiores com a desvalorização do real.”

Dólar está caro, mas…

Ao falar sobre câmbio, o gestor da Legacy mais uma vez retomou o tema da repressão financeira ao dizer que hoje é difícil manter apostas contra o dólar.

Isso porque o atual cenário de juros baixos e liquidez farta deve levar o brasileiro a aumentar a alocação de recursos no exterior. “Toda vez que o dólar cair vai ter investidor local aproveitando para ter mais ativo em dólar.”

Do ponto de vista de fundamentos, porém, ele considera que o real está barato, diante dos atuais patamares de risco e de preços das commodities, principais produtos da pauta de exportação brasileira.

Por que então o câmbio tem oscilado tanto? Para Guerra, o mercado tem usado a moeda brasileira como proteção (hedge) em momentos de maior aversão a risco.

O movimento é um efeito colateral da queda da Selic, que torna o real mais vulnerável. “Quando a Selic estava a 14% era caro ficar vendido em real”, afirmou.

Por outro lado, nos momentos em que as dúvidas do mercado diminuem, essas posições contra a moeda brasileira são desmontadas, o que provoca a volatilidade do câmbio.

Pau de circo

Nesse cenário, Guerra também vê pouco espaço para ganhos no mercado de juros, que durante muito tempo foi a principal fonte de retorno para os fundos multimercados.

A expectativa dele é de que o ciclo de queda da Selic esteja muito perto do fim após o corte para 2,25% ao ano, se é que já não acabou. E a relação entre risco e retorno de ficar aplicado em taxas não compensa diante da alta volatilidade nos mercados. “Preferimos ter bolsa no Brasil do que renda fixa”

Para o sócio da Legacy, o próximo movimento relevante da Selic será para cima, principalmente se a perspectiva de retomada mais rápida da economia se confirmar.

Não que ele espere uma alta substancial dos juros no país. “A taxa está hoje abaixo do que seria compatível com a nossa economia, mas o juro estrutural hoje no país é mais baixo.”

Toda essa análise, contudo, depende de um fator: a manutenção do teto de gastos do governo. Guerra classificou a medida aprovada no governo Temer como o “pau de circo” que sustenta a economia.

“Enquanto o teto de gastos persistir os investidores de modo geral vão acreditar que as expectativas de inflação estão ancoradas e o juro médio tem como se manter mais baixo do que foi no passado.”

Maior risco

Ao ser questionado sobre o principal risco no horizonte, o sócio da Legacy não cita nem o lado fiscal e político nem a pandemia do coronavírus, e sim as eleições nos Estados Unidos.

Ainda que a escolha de Joe Biden tenha diminuído um pouco a possibilidade de uma guinada mais radical na política norte-americana, Guerra disse que uma vitória do democrata nas eleições deve ser ruim para a bolsa.

“Ele tem uma agenda bem focada na taxação de empresas, então a chance de haver um aumento de impostos é alta”, disse. Por isso ele acredita que o mercado acionário tende a cair caso a candidatura de Biden ganhe favoritismo.

Estreia em previdência

Assim como quase todo o mercado, a Legacy começou a crise do coronavírus no vermelho. O principal fundo da casa registrou perdas nos três primeiros meses de 2020, mas conseguiu se recuperar a partir de abril e fechou o semestre com retorno de 2,67%, acima do 1,75% do CDI, o indicador de referência.

A gestora reabriu os fundos para captação, mas deve voltar a fechá-los quando o patrimônio se aproximar dos R$ 15 bilhões, segundo Guerra. A novidade é que a gestora se prepara para lançar o primeiro fundo de previdência, que deve replicar a carteira principal com os devidos ajustes regulatórios.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

IPO adiado

Bluefit: nem desconto de 20% garante estreia da rede de academias na bolsa

Inicialmente estimado em R$ 600 milhões, IPO da rede de academias de baixo custo agora deverá ter o valor reduzido e envolver apenas investidores institucionais, como fundos e fundações

Tensão EUA-China

Executiva da Huawei detida no Canadá em 2018 volta à China após acordo com os EUA

Confinada à cidade de Vancouver há quase três anos, onde havia sido presa sob acusação de fraude, CFO da Huawei, Meng Wangzhou, protagonizou incidente diplomático entre Canadá, EUA e China

o melhor do seu dinheiro

Mercados na semana: O destino da Evergrande, uma análise da Vale e seis ações indicadas por analistas

A semana que termina nos mercados foi marcada pela incerteza quanto ao futuro da incorporadora chinesa Evergrande e seus desdobramentos sobre a economia global. A crise na empresa, que tem um passivo oscilando à beira da insolvência, é consequência do aperto monetário e regulatório sobre o setor promovido pelo governo chinês desde o final do […]

Estimativas

Carrefour (CRFB3) divulga projeção para Atacadão e estima R$ 100 bi em vendas em 2024

A projeção de vendas brutas da rede no exercício social que se encerrará em 31 de dezembro de 2021 é de R$ 60 bilhões

PODCAST MESA PRA QUATRO

Da Conga até o Tik Tok: Gretchen conta de sua carreira artística e como administra seu dinheiro

Aos 60 anos, Gretchen relata sobre sua independência financeira e histórias de família e de carreira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies