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Na esteira da impressão de dinheiro por bancos centrais, rodada de valorização “violenta” da criptomoeda deve começar em setembro, afirma Axel Blikstad, criador do primeiro fundo de criptoativos para o varejo do país
A atual crise provocada pela pandemia do novo coronavírus não poderia ser mais bem-vinda para o bitcoin. A impressão de dinheiro desenfreada por bancos centrais ao redor do mundo, para realizar a operação de resgate de suas economias com corte de juros e compra de títulos, deve fazer com que as moedas tradicionais sejam penalizadas e percam valor, em algum momento. O resultado? Uma nova onda de apreciação do bitcoin, derivada de um “boom” de confiança no criptoativo como reserva de valor.
Quem sustenta a hipótese é Axel Blikstad, sócio e gestor de fundos de criptomoeda e sócio da BLP Asset, um dos criadores do primeiro fundo de criptoativos para varejo do Brasil.
“Alguém paga a conta, alguma hora vem inflação”, afirmou Blikstad, em entrevista ao Seu Dinheiro, sobre as moedas fiduciárias. “No curtíssimo prazo, a conta não vem, porque tudo vai ser mais barato, como preço de imóvel, mas no longo, sim.”
De acordo com o gestor, o benefício do bitcoin é exatamente a sua escassez. Este aspecto da criptomoeda limita a sua oferta e pode fazer o seu preço se elevar ao longo do tempo. “Acho que o fundamento do bitcoin só se fortalece nesta crise”, diz Blikstad.
"Mais para o fim do ano, a partir de setembro, o bitcoin pode dar uma 'estilingada'" – Axel Blikstad, BLP Asset
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O gestor diz que, considerando os últimos cinco anos, nunca esteve tão "bullish" (otimista) quanto está agora em relação ao bitcoin. Blikstad espera que o bitcoin se valorize significativamente a partir de setembro, já que o processo de recuperação dos ativos leva “não dias e semanas, mas meses”.
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A aposta dele é de uma rodada de forte apreciação a partir de setembro, ainda mais violenta do que a de 2017, impulsionada pela maior confiança no ativo em meio aos programas de expansão monetária de BCs pelo mundo e uma maior digitalização do mundo pós-pandemia, que pode atrair pessoas para o bitcoin.
Pondera, no entanto, que apesar de estar "super bullish", o processo de incorporação de novos investidores para a criptomoeda é longo e depende de fazer as pessoas sentirem vontade de entrar no sistema.
Outro fator de sustentação pode ser o halving, processo que reduz à metade a recompensa a mineradores e a produção de bitcoin. Ele ocorrerá em maio, e, apesar de ser sabido e protocolado, também pode implicar em valorização do ativo.
Isto porque, considerando a diminuição da oferta de um ativo, se a demanda permanece estável, o seu preço deve subir, diz o gestor.
Segundo Blikstad, a espiral positiva pode levar o bitcoin superar US$ 20.000, nível que a criptomoeda quase atingiu em dezembro de 2017, quando chegou a operar acima dos US$ 19.000.
Março foi o primeiro mês em que os mercados financeiros foram severamente punidos pela pandemia do novo coronavírus, desgastando tanto ativos tradicionais — as bolsas de ações ao redor do mundo, por exemplo — como o próprio bitcoin.
Na máxima intradiária de 2020, o criptoativo alcançou US$ 10.457,63 em 13 de fevereiro. Mas, exatamente um mês depois, atingiu o fundo do poço: na mínima de uma sessão, chegou a ser negociado a US$ 4.106,98. Uma queda maior que 60%, segundo dados do Yahoo! Finance. Nesta terça-feira, o preço do bitcoin estava acima de US$ 6.800.
O bitcoin, então, falhou como reserva de valor?
Blikstad explica a deterioração. Ele acredita que em uma crise de liquidez como a atual, o normal é que os investidores se desfaçam do que têm em seus portfólios para obter dinheiro. É a máxima “cash is king”. E, estando nessas carteiras, o bitcoin também foi envolvido na realização do mercado.
“Bolsas corrigiram bem. Mas o mercado está muito otimista, otimista demais. Não faz sentido estar tão otimista.”
O movimento vendedor foi acentuado pelas peculiaridades do bitcoin: o mercado da criptomoeda não fecha e não possui travas de volatilidade — o chamado “circuit breaker”.
Além disso, o gestor destaca o papel da BitMEX, a bolsa em que são negociadas moedas criptografadas e que permite alavancagens elevadas, de até 99%, para fazer lucros com uma pequena oscilação do ativo.
Isso gerou um desmonte em série de posições que estavam compradas na criptomoeda e foram zeradas para conter os prejuízos, considerando os níveis de alavancagem.
A perspectiva positiva do gestor de fundos de criptoativos sobre o bitcoin contrasta com a cautela em relação aos ativos financeiros tradicionais: Blikstad acha que os mercados estão otimistas demais.
Ele argumenta que a correção para cima ocorrida nas bolsas recentemente não reflete os dados da economia real (como o nível crescente de desemprego, caso verificado nos Estados Unidos) nem ainda a contenção do coronavírus.
O gestor da BLP Asset lembra também o peso do setor de serviços na economia global, cujas perdas "não dá para recuperar".
"Mercado está muito otimista, otimista demais", diz Blikstad. "Não faz sentido o mercado voltar tanto quanto voltou, se olhar para os números."
Segundo ele, a recuperação do mercado é uma reação à oferta de liquidez concedida pelos bancos centrais dos governos ao redor do mundo. Mas, ainda assim, é certo que a economia vai continuar a sofrer os impactos da pandemia, apesar da operação de salvamento.
O que poderia fazer o mercado ficar pessimista? "Uma segunda onda é um grande risco, me parece que também é agora o grande medo dos governos", diz o gestor, uma referência à possível volta de contágios pelo covid-19 nos países que já atravessaram a primeira leva de casos.
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