Menu
2019-08-30T07:32:15-03:00
Nicolas Gunkel
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP) com Nanodegree em Marketing Digital pela Udacity. Foi editor de Redes Sociais e repórter do site Exame, além de repórter no jornal Metro São Paulo.
MAU PRESSÁGIO

Bilionário Warren Buffett pode estar dando um recado aos investidores

A gestora Berkshire Hathaway, do qual o investidor lendário é sócio, tinha guardado no fim de junho nada menos que US$ 122 bilhões em caixa. Mesmo fenômeno ocorreu em outros momentos anteriores a crises

27 de agosto de 2019
13:10 - atualizado às 7:32
Warren Buffett, investidor americano
Warren Buffett: bilionário segue fiel a suas tesesImagem: Shutterstock

O bilionário investidor Warren Buffett tem chamado a atenção no mercado por uma postura aparentemente defensiva. Digo “aparentemente” porque o Oráculo de Omaha pode tirar um coelho, digo uma aquisição, da cartola a qualquer momento.

A gestora Berkshire Hathaway, do qual Buffett é sócio, tinha guardado no fim de junho nada menos que US$ 122 bilhões em dinheiro. O valor representa 60% dos US$ 208 bilhões investidos pela empresa em ações de companhias listadas em bolsa, um recorde em seu histórico.

Na prática, o dinheiro em caixa permite duas interpretações complementares entre si. A primeira, confirmada por Buffett recentemente, é de que a gestora estaria se capitalizando enquanto avalia aquisições. A última vez que isso aconteceu foi em 2015, quando a Berkshire comprou a Precision Castparts, fabricante de bens industriais e peças do setor aéreo.

Porém, como ressaltou o próprio bilionário, os valores estratosféricos das empresas em seu radar estão empurrando esse plano para frente.

A segunda interpretação, de caráter um pouco mais macro, é a de que Buffett está considerando as ações dos índices americanos muito caras - o que, em sua visão, pode mudar em breve...

Os números mentem?

Um elemento que sustenta uma tendência baixista no mercado americano é um dos termômetros preferidos do bilionário: a razão entre o valor total do mercado de ações e o PIB americano. O aumento desse índice seria um sinalizador de que o mercado está distorcido e pode migrar do bullish (mercado de alta) para o bearish (de baixa).

Como aponta a agência Bloomberg, as duas últimas fortes quedas do mercado acionário americano foram antecedidas por picos desse indicador. No auge da chamada bolha da internet (dot-com bubble), em 2000, essa razão atingiu 146%, um recorde até então. No pré-crise de 2008, escalou novamente para 137%.

O último valor divulgado pelo Banco Mundial, referente a 2017, foi de 154%, quase o dobro da média histórica de 88%. Desde então, o rali no mercado americano indica que essa razão apenas subiu.

Nos últimos 32 anos, o período em que o grupo administrado por Buffett mais guardou dinheiro em caixa foi o que precedeu a crise de 2008. Para um fundamentalista incurável como ele, uma queda generalizada das ações seria uma grande oportunidade de comprá-las por seu valor real. "Tenha medo quando os outros estiverem gananciosos e ganância quando tiverem medo", disse o guru em uma de suas frases mais famosas.

A carteira bilionária de Buffett

Hoje, parte do portfólio da Berkshire está alocado em gigantes de tecnologia como Apple e Amazon, e a fabricante de bebidas e alimentos Coca-Cola. Porém, 8 dos 12 principais papéis da carteira seguem no setor financeiro, em instituições como Bank of America Corp., Wells Fargo e American Express. Trata-se de uma aposta criticada, já que o segmento tem sofrido na última década entre disrupções e quedas de juros.

Desde o início do ano, os papéis da gestora de Buffett têm andado de lado, bem atrás dos principais índices americanos. Há quem possa dizer que o desempenho modesto do bilionário em 2019 deponha contra sua posição mais conservadora. Porém, as palavras “dessa vez será diferente” não se consagraram à toa como as quatro mais perigosas do mundo dos investimentos.

Quer saber mais sobre a trajetória e as lições de Warren Buffett? Vale a pena ler seu perfil completo na série Rota do Bilhão.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

em meio à crise

GPA tem alta de 150% no lucro, com melhora operacional no Brasil

Cifra atingiu R$ 386 milhões; Assaí apresentou faturamento de R$ 10,1 bilhões, incremento de R$ 2,5 bilhões contra o ano anterior

Números fortes

Vale tem lucro líquido de US$ 2,9 bilhões no 3º tri, alta de 76% na comparação anual

Lucro líquido cresceu quase 76% em relação ao terceiro trimestre do ano passado; Ebitda ajustado chegou a mais de US$ 6 bilhões

Análise

O mercado trucou, e o Banco Central mandou descer ao bancar juro baixo

Emparedado pelo repique da inflação e pelo aumento do risco fiscal, o BC foi inflexível e sustentou o “forward guidance”, a sinalização de que a Selic permanecerá baixa por um longo período

Acelerou

Bolsonaro assina sanção da lei que prorroga incentivos para setor automotivo

A sanção do projeto, assinada por Bolsonaro, deve ser publicada até esta quinta-feira, 29, no Diário Oficial da União (DOU).

o pior já passou?

Petrobras tem prejuízo de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre, com adesão a anistias tributárias

Analistas esperavam prejuízo de R$ 4,15 bilhões; após baixa com a pandemia, estatal aumentou a participação de mercado e manteve um patamar alto de exportações

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies