O fracasso do IPO do WeWork e a temporada de caça aos unicórnios
O que deveria ser o negócio do ano virou um gigantesco vexame. Seria o fiasco do WeWork um sinal de que as startups bilionárias não valem o quanto pesam?

Unicórnios existem. E você pode encontrá-los no seu telefone celular se tiver instalado aplicativos como 99, iFood ou Nubank.
No mundo corporativo, os seres mitológicos em forma de cavalo com chifre batizam as empresas novatas (startups) que atingiram uma avaliação de pelo menos US$ 1 bilhão – R$ 4,05 bilhões no câmbio de sexta-feira.
As companhias que surgiram na era do smartphone sem dúvida mudaram a forma como consumimos produtos e serviços. É bem provável que você esteja lendo esse texto do seu celular.
A escolha do termo unicórnio não foi à toa e deveria representar algo raro no mercado. Mas o que se viu nos últimos anos foi uma proliferação de unicórnios, a ponto de levantar a dúvida se na verdade não estaríamos dentro de outro fenômeno: uma bolha.
Não é de hoje que a Marina Gazzoni me pede para escrever um texto sobre o assunto, que costuma ser tema de amplos debates nas reuniões de pauta do Seu Dinheiro.
O tema voltou à tona depois da frustrada tentativa de abertura de capital do WeWork, a startup de escritórios compartilhados com unidades em várias cidades espalhadas pelo mundo, inclusive São Paulo.
Leia Também
Revolut bate à porta de Wall Street: fintech recebe aval para virar banco nos EUA até 2027
O IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) em Nova York era cercado de expectativa. O WeWork começou os preparativos para ir à bolsa avaliado em estratosféricos US$ 47 bilhões (R$ 190 bilhões).
Mas o que deveria ser o negócio do ano virou um gigantesco vexame. Abarrotada de dívidas e sem o dinheiro dos investidores no IPO, a própria sobrevivência da empresa agora é colocada em xeque.
Presságio ou caso isolado?
Seria o fiasco do WeWork um sinal de que as startups bilionárias não valem o quanto pesam? Há vários elementos para acreditar que se trata de um caso isolado, como as excentricidades do fundador – que voava pelo mundo com o jato particular da empresa e ainda cobrou a companhia pelo uso da marca “We”.
Mas várias das startups que ascenderam à condição de unicórnios têm pelo menos um ponto em comum com o WeWork: jamais deram lucro.
Para conquistar um espaço nos nossos celulares, as novas empresas ganharam uma espécie de “licença para perder dinheiro”, como disse recentemente o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher.
Nessa disputa por um lugar ao brilho da tela vale oferecer frete grátis, serviços bancários sem cobrança de tarifas, descontos generosos ou créditos em compras futuras.
O resultado é que as startups se revelaram ótimas para nós como consumidores, mas ainda não se provaram um bom investimento para o acionista.
Ou melhor, até foram um bom negócio, mas só para quem chegou primeiro.
“Pirâmide do bem”
Para você entender melhor aonde quero chegar vou explicar melhor como funciona o ecossistema das startups.
De certo modo, a forma como essas empresas se financiam reverteu o que talvez seja o primeiro mandamento do capitalismo: a busca por resultados financeiros.
A palavra de ordem para as startups não é lucro, sim “crescimento”. Para sustentar a expansão das atividades mesmo no vermelho, as empresas precisam captar recursos de investidores dispostos a financiá-las.
Existem hoje fundos especializados em avaliar e investir nas diferentes fases de uma startup. Conforme o negócio se revela viável e cresce, novos investidores entram com dinheiro. E cada rodada de captação, a empresa é avaliada por um valor maior do que na anterior.
Os fundos que entraram nas primeiras rodadas muitas vezes aproveitam para vender com um bom lucro parte de sua participação aos investidores que entram. E os que entram por último esperam lucrar com a venda de suas ações no IPO da companhia na bolsa.
Esse tipo de operação lhe parece familiar? Sim, trata-se de um esquema não muito diferente de uma pirâmide financeira. Mas enquanto a pirâmide “tradicional” é um esquema fraudulento, em que o dinheiro dos novos investidores é usado para pagar os antigos, as startups têm um negócio real e que tem como objetivo de dar lucro em algum momento.
Posso citar o Facebook como um exemplo de startup que deu prejuízo durante muitos anos, passou pelo ciclo de crescimento sustentada por aportes de fundos e hoje é uma empresa bastante lucrativa na bolsa norte-americana.
Já a aposta no Uber até agora só se provou (bastante) lucrativa para quem investiu nas primeiras rodadas de captação. Os investidores que decidiram comprar as ações da empresa de transporte por aplicativo no IPO amargam uma perda de 34% do capital investido.
Então é bolha?
O vexame da tentativa de abertura de capital do WeWork deve ajudar a conter a euforia com os unicórnios. De todo modo, me parece claro que as startups têm seu valor. Afinal, quem pode imaginar um mundo hoje sem Uber ou mesmo um Nubank?
Uma característica em comum entre todas as bolhas é que, depois que elas estouram, todos os sinais de exagero que parecem naturais hoje se tornam evidentes.
Eu conversei com vários investidores profissionais sobre o que eles achavam da avaliação de US$ 10 bilhões (R$ 40,5 bilhões) obtida pelo Nubank na última rodada de captação. E ouvi argumentos apaixonados tanto em defesa como de crítica ao modelo de negócios da empresa de cartões, que conta com mais de 10 milhões de usuários, mas até hoje não conhece o significado da palavra lucro.
Eu pessoalmente acredito que devemos enxergar os unicórnios como eles são. Imagine cada um deles como cavalos em uma corrida, da qual certamente alguém vai sair vencedor. O segredo é tentar acertar quais cavalos vão cruzar a linha de chegada e quais ficarão pelo caminho.
E você, o que acha da ascensão das novas empresas de tecnologia? Deixe seu comentário logo abaixo.
CEDO PARA COMEMORAR?
Banco do Brasil (BBAS3): por que nem a melhora do agro convence a XP a investir na ação?
2 de setembro de 2026 - 15:08BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) mostra os dentes — veja por que Itaú BBA vê potencial de alta de 32% para a ação
2 de setembro de 2026 - 13:20DOIS 'TIMES' PARA AS ELEIÇÕES
Lula x Flávio Bolsonaro: Citi revela as ações favoritas de bancos se Lula vencer — e onde aposta se Flávio levar
2 de setembro de 2026 - 11:22HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
O divórcio saiu: Azzas 2154 (AZZA3) será dividida entre Arezzo&Co e Soma — e Farm fica em ‘guarda compartilhada’
2 de setembro de 2026 - 10:19PARCERIA ESTRATÉGICA
Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) desembarcam em Minas Gerais com negócio de R$ 130 milhões pelo Biocor
2 de setembro de 2026 - 10:19NÃO PODE CONTRA, JUNTE-SE
Magazine Luiza (MGLU3) se junta ao Mercado Livre (MELI34) para recuperar vendas online — mas Fred Trajano tem outra aposta para o longo prazo
2 de setembro de 2026 - 9:32SE NÃO MINÉRIO, QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?
O novo motor de crescimento da Vale (VALE3): por que a aposta em metais de transição é tão importante para a mineradora?
2 de setembro de 2026 - 6:01SD EXPLICA
A Braskem (BRKM5) quebrou? Entenda a crise na petroquímica e saiba se Petrobras (PETR4) pode pagar a conta
1 de setembro de 2026 - 17:30FICOU BARATA?
Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?
1 de setembro de 2026 - 15:02O QUE MUDA AGORA
Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
1 de setembro de 2026 - 14:30ANOTE NA AGENDA
Santander (SANB11) diz quando deve fechar o capital no Brasil; confira o prazo dado pelo banco espanhol
31 de agosto de 2026 - 20:18CORRIDA PELO PRIVATE
Santander acirra briga pela altíssima renda com novo cartão com até 8 pontos por dólar; veja o que ele oferece
31 de agosto de 2026 - 19:51MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
Ganho de 1200%: Por que os acionistas da Oncoclínicas (ONCO3) podem receber cerca de R$ 16 por uma ação que hoje vale menos de R$ 2?
29 de agosto de 2026 - 10:30REI DOS DIVIDENDOS