Acordos voltam a mudar texto da reforma da Previdência
Na terça-feira, agentes de segurança pública, professores e procuradores do Ministério Público ainda tentavam abrandar as regras estipuladas para essas categorias

A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira, 10, o projeto de reforma da Previdência, após os parlamentares passarem praticamente toda a terça-feira, 9, em negociações para viabilizar a proposta, com muitas pressões por novas alterações no texto. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerado o principal avalista da reforma no Congresso, concordou, por exemplo, em uma nova forma para o cálculo do benefício para as mulheres, que tem potencial em diminuir a economia prevista em até R$ 30 bilhões num período de dez anos.
Maia abriu a sessão nesta terça para os debates sobre a Previdência um pouco antes das 21 horas, e a encerrou à 0h40. Às 22h30, o plenário da Câmara rejeitou por 331 votos a 117 um requerimento para retirar a Previdência da pauta, o que indicava que havia mais votos que os 308 necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC). Pelo Placar da Previdência elaborado pelo Estadão, havia nesta terça-feira, 9, 298 votos favoráveis à proposta.
Nas conversas desta terça, agentes de segurança pública, professores e procuradores do Ministério Público, por meio da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ainda tentavam abrandar as regras estipuladas para essas categorias - o que deve reduzir a economia prevista com a reforma para um patamar abaixo de R$ 900 bilhões. Hoje, essa economia está em R$ 933 bilhões. Além disso, há mais R$ 53,5 bilhões incluídos no cálculo da Previdência, mas esse número refere-se a aumento de arrecadação com a taxação de bancos.
Para lideranças da Câmara ouvidas nesta terça sob condição de anonimato, as mudanças que tinham mais chances de prosperar eram as dos policiais e as dos professores. Técnicos do Ministério da Economia estavam debruçados em cálculos das alterações que estavam sendo negociadas no texto aprovado na Comissão Especial. A estratégia defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, era evitar "pegadinhas" no texto que resultassem, na prática, em redução da economia.
Policiais
Leia Também
O acordo para os policiais - que podem sair da reforma e ter suas regras de aposentadoria discutidas em um outro projeto - está sendo costurado com o apoio do DEM, de deputados do PSL que se elegeram com a bandeira da segurança pública e do próprio presidente Jair Bolsonaro, mas ainda enfrentava resistência da equipe econômica, preocupada com a desidratação da proposta.
As categorias que fazem pressão por mudanças no texto contam com o apoio de partidos dispostos a apresentar os chamados destaques, que permitem que pontos polêmicos, em que há divergência, sejam analisados de forma isolado, fora do conjunto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Cada destaque tem uma votação específica. Quando são aprovados, mudam o texto que foi aprovado na Comissão Especial. Até às 21 horas desta terça, haviam sido apresentados 74 destaques ao texto principal da reforma - sendo 16 deles de bancada, que precisam ser analisados, e outros 58 individuais, que podem ser rejeitados em bloco.
Antes do início das discussões no plenário, líderes partidários se reuniram na residência oficial da Presidência da Câmara a fim de negociar com Maia uma solução para o anúncio da oposição de que usará todos os instrumentos regimentais possíveis para obstruir a votação. Parte dos líderes também queria discutir a liberação de emendas parlamentares pelo governo antes da votação.
Para aprovar a PEC da Previdência, serão necessários os votos de, pelo menos, 308 dos 513 deputados, em dois turnos de votação. Se for aprovado pelos deputados, o texto seguirá posteriormente para análise dos senadores. Rodrigo Maia tem repetido que é possível aprovar a PEC em dois turnos até o final desta semana. Ele quer tentar encerrar a análise da proposta na Câmara antes do início do recesso parlamentar de julho, que começa no dia 18.
Bolsonaro
Ao final da cerimônia de lançamento do "Pátria Voluntária", o Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado, em Brasília, o presidente Bolsonaro afirmou que as categorias de segurança pública seriam contempladas em um novo Projeto de Lei Complementar a ser editado após a promulgação da reforma. Desde a semana passada, Bolsonaro tem atuado para viabilizar regras mais brandas para policiais federais no texto final.
O presidente participa na manhã desta quarta de eventos religiosos na Câmara dos Deputados e aproveita a oportunidade para discutir sobre a proposta de reforma da Previdência com parlamentares e Maia. "A ida ao Congresso pelo senhor presidente da República não está vinculada, não está enlaçada, diretamente com a questão da Nova Previdência, mas em estando lá ele há de discuti-la com parlamentares e com o presidente daquela Casa", disse o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros.
O Diário Oficial da União desta terça trouxe a exoneração temporária dos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para que eles possam reassumir seus mandatos de deputado federal e votar a favor da reforma. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também deverá retornar à Câmara para votar em prol da reforma.
As últimas mudanças
Deputados ainda discutiam alterações na proposta de reforma da Previdência a poucas horas de votá-la. Confira abaixo:
- Mulheres: o PRB quer ajustar o cálculo da aposentadoria das mulheres para permitir que elas possam ter direito a 60% do valor do benefício a partir de 15 anos de contribuição. Depois disso, elas poderão receber 2% a cada ano a mais na ativa. No relatório, aprovado na Comissão Especial, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) reduziu o tempo mínimo de contribuição das mulheres de 20 anos para 15 anos, quando teriam direito a 60% do benefício. No entanto, só receberiam mais 2% por ano após os 20 anos de contribuição. Na terça, Moreira sinalizou que o pedido será atendido e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que houve acordo para fazer a alteração.
- Professores: o PL quer retirar os professores da reforma da Previdência. Pelo texto aprovado na Comissão Especial, caso a reforma receba o aval de deputados e senadores, professores se aposentarão com 60 anos (homens) e 57 anos (mulheres), com 25 anos de contribuição. Hoje não há idade mínima, mas se exige tempo de contribuição de 25 anos (mulheres) e 30 anos (homens) no setor privado. No setor público, a idade mínima exigida é de 50 anos (mulheres) e 55 anos (homens), com 25 anos (mulheres) e 30 anos (homens) de tempo mínimo de contribuição, sendo 10 anos como servidor público e 5 anos no cargo de professor.
- Policiais: o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça que o governo negocia retirar policiais federais, rodoviários federais e legislativos da reforma atual. As regras da categoria seriam discutidas em um projeto de lei complementar, após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O líder da "bancada da bala", Capitão Augusto (PL-SP), disse que vai propor o destaque caso o deputado Hugo Leal (PSD-RJ) desista. Parte da bancada do PSL, partido do presidente, vai votar a favor da modificação.
- Estados e municípios: O Novo quer apresentar um destaque (proposta de mudança no texto principal) para reincluir servidores estaduais e municipais no alcance das regras que serão modificadas com a proposta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defende que esse tema seja discutido somente no Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
DÍVIDA VELHA NA MIRA
Governo prepara nova rodada de renegociação de dívidas antigas, diz jornal. Alívio para os bancos pode virar dor de cabeça?
18 de setembro de 2026 - 12:44PARA TODOS OS GOSTOS
Bolão fatura mais de R$ 100 milhões na Mega-Sena e ofusca prêmios milionários na Lotofácil e na Quina
18 de setembro de 2026 - 6:43POR DENTRO DA CARTEIRA
Brasileiros querem mais que renda fixa: interesse em LCA cresce 119%, mas outro investimento rouba a cena
17 de setembro de 2026 - 20:20VIDEOGAMES
Rockstar anuncia Grand Theft Auto VI: The Album, tracklist oficial do GTA 6 que conta com Travis Scott, Keith Richards, Pinkpantheress e mais
17 de setembro de 2026 - 15:27O QUE A FARIA LIMA NÃO VÊ
Você tem medo de investir? Emoções e bets travam as finanças — mas também podem ser combustível
17 de setembro de 2026 - 14:03APOSTAS ONLINE
O rombo das bets: apostas online podem ter engolido metade do crescimento do PIB em 2025
17 de setembro de 2026 - 13:28PODCAST TOUROS E URSOS
A Faria Lima está errada? ‘Risco de o Brasil quebrar é zero’, diz Felipe Salto, da Warren; o que o mercado não enxerga sobre o risco fiscal
17 de setembro de 2026 - 12:01PRIMEIRO DESDE 2023
Governo anuncia aumento de 15% do Bolsa Família; confira o novo valor
17 de setembro de 2026 - 11:30PELA MADRUGADA
Bancários veem avanço em negociação e marcam assembleia para votar fim de greve na Caixa
17 de setembro de 2026 - 9:43SALVOU A NOITE
Lotofácil tem retorno discreto aos sorteios regulares e Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 102 milhões
17 de setembro de 2026 - 6:49É HOJE
Bolsa Família é pago hoje; veja quem receberá em setembro e as regras do benefício
17 de setembro de 2026 - 5:45SEM SURPRESA
Juros cada vez menores: Copom corta Selic para 13,75% e não sinaliza próximos passos, embora mercado espere mais cortes
16 de setembro de 2026 - 18:41SD EXPLICA
O Brasil vai quebrar? Entenda o que é risco fiscal e como as contas públicas afetam os seus investimentos
16 de setembro de 2026 - 17:16BEBIDAS PROTEICAS
NotShake Protein: Anvisa proíbe todos os lotes das bebidas da marca
16 de setembro de 2026 - 16:01MAMMA MIA!
Pizzaria gringa quer ser a mais nova concorrente da Pizza Hut e da Domino’s no Brasil; conheça a Papa Johns
16 de setembro de 2026 - 15:03PRAZO MAIS CURTO
Greve na Caixa dificulta saque de prêmios milionários e pode atrasar pagamento para vencedores da Lotofácil da Independência que dividiram R$ 300 milhões
16 de setembro de 2026 - 11:09APROVEITANDO A CHANCE
Aposta do interior de SP ofusca bola dividida na Lotofácil da Independência e embolsa prêmio de R$ 34 milhões na Quina
16 de setembro de 2026 - 7:33RATEIO
Lotofácil da Independência 2026 tem 72 apostas premiadas e mais de 1.500 de ganhadores, mas apenas 33 ficam milionários
16 de setembro de 2026 - 6:44SD ENTREVISTA
Inflação deve subir com El Niño e petróleo, mas Copom vai cortar juros mesmo assim, diz economista-chefe da Bradesco Asset
16 de setembro de 2026 - 6:03NÃO TEM MAIS VOLTA