Secretário da Previdência diz que Guedes teve mais serenidade do que se imaginava na CCJ da Câmara
Sobre a confusão no fim da audiência que debateu a reforma da Previdência, Rogério Marinho disse que o ministro "deu resposta altiva"

O secretário especial da Previdência e do Trabalho, Rogério Marinho, ao defender a reforma da Previdência, afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, teve "mais serenidade" do que ele imaginou que teria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na quarta-feira, 3.
"Guedes se excedeu no fim, com resposta altiva (à provocação)", afirmou o secretário, em referência aos insultos trocado com o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), que chamou o ministro de "tchutchuca".
Marinho participou nesta quinta-feira, 4, da conferência "Perspectivas para o Brasil 2020", promovida pelo Banco Daycoval, em São Paulo.
Segundo ele, o ministro da Economia, Paulo Guedes, "terá dificuldade de articular com a oposição, que não quer saber de discussão propositiva".
O secretário evitou comentar a atuação da bancada do PSL na audiência. Ele disse, no entanto, que a audiência começou com mais participação de deputados de oposição porque a lista de presença remanesceu da reunião anterior, para a qual os membros da oposição teriam sido os primeiros a fazer inscrição. "Mas o equilíbrio se restabeleceu ao longo da própria audiência", comentou.
Leia Também
Tem dinheiro esquecido nas bets? Faltam poucas horas para sacar antes do fechamento das plataformas
Para Marinho, Guedes respondeu às perguntas "de forma absolutamente democrática e tranquila". "Escutou os argumentos e, em alguns momentos, até acusações de caráter pessoal, mas teve serenidade e condição para fazer um debate de alto nível", disse.
Desconstruindo narrativas
O secretário também afirmou nesta quinta que momento é de desconstruir narrativas, inclusive, de que a reforma é prejudicial aos mais pobres.
De acordo com Marinho, nos bastidores, até mesmo os deputados que se dirigiram a Guedes na sessão da quarta de forma mais incisiva admitiram a necessidade e importância de se aprovar a reforma.
"Mesmo quem foi desaforado com Guedes reconhece que a reforma é necessária", disse o secretario, que participou da Conferência Daycoval - Perspectivas para o Brasil em 2020.
Outra narrativa que Marinho disse que precisa ser desfeita é a que se o governo cobrar os grandes devedores do INSS eliminaria a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência. Marinho afirmou que o governo vai, sim, cobrar os grandes devedores, mas que a cobrança não vai reequilibrar as contas públicas. Hoje, de acordo com ele, 64% das despesas primárias do governo são previdenciárias.
Discussão do mérito
O secretário da Previdência ponderou que não é admissível discutir o mérito da reforma da Previdência na CCJ da Câmara dos Deputados, como indicaram alguns parlamentares recentemente.
Na quarta, na sessão em que o ministro da Economia, participou, temas como o Beneficio por Prestação Continuada (BBC) e aposentadoria do trabalhador rural acabaram por gerar polêmicas e acirrar o nervosismo entre os participantes.
A observação de Marinho é endossada por especialistas e conhecedores do regimento da Câmara, segundo os quais a comissão tem por definição discutir a constitucionalidade ou não dos projetos propostos pelo Poder Executivo.
Ao ser perguntado pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) se a CCJ era o foro adequado para se discutir estes temas, o secretário disse que não. "Lá é uma comissão de admissibilidade constitucional. O próprio regimento da Câmara fala a respeito disso de forma muito clara. A ordem para se discutir méritos é na Comissão Especial", comentou o secretário em rápida entrevista a jornalistas após ter participado do evento na capital paulista.
Ele afirmou ainda que o fato de Paulo Guedes ter admitido repensar o BPC e a aposentadoria rural faz parte do processo de diálogo com o Congresso. "O projeto que o ministério apresentou é o ideal, mas entendemos que, num processo democrático, um projeto vai ser emendado, aperfeiçoado", disse Marinho.
"O que o ministro admitiu ontem é que já há dentro do Parlamento um documento assinado por 13 partidos, que têm mais de 280 parlamentares, que têm posição contrária à atual proposta de mudança no BPC e na aposentadoria rural", afirmou o secretário após deixar a conferência.
Marinho não apresentou uma previsão - e nem mesmo uma expectativa do governo - sobre quando será concluído o processo de discussão e votação da reforma da Previdência. "O governo quer que o parlamento seja célere, mas sem perda para a qualidade do debate", afirmou o secretário.
Nada sai
O secretário também afirmou que o governo não vai, por conta própria, "retirar nada do projeto" da reforma da Previdência. Segundo ele, essa seria uma função do Congresso Nacional.
"Agora o papel é do parlamento. Se os deputados resolverem tirar a capitalização individual, o BPC, o rural, tiram, mas acho que é um erro", afirmou em almoço na Fiesp.
Marinho informou que uma nova campanha oficial pró-reforma deve ser lançada pelo governo em 10 dias. O secretário completou ainda que a reforma atinge grupos específicos e que essas pessoas "vão com força nas redes sociais", emendando que o cenário de desaprovação que se vê online não é o mesmo da realidade.
Ele criticou ainda o discurso de "corporações" que, segundo eles, "dizem que estão afrontadas com o BPC e o rural mas estão preocupadas com próprios benefícios".
Reforma tributária
Na esteira de sua defesa de que o governo precisará desconstruir narrativas contrárias à reforma da Previdência, o secretário da Previdência disse também que a reforma não prejudicará os mais pobres. Tanto que, de acordo com ele, no que se refere à reforma tributária, uma das defesas do ministro da Economia é a desoneração da folha de salários.
"A falta de reformas é que vai prejudicar os mais pobres", disse o secretário.
Marinho admitiu que a audiência na CCJ na quarta não teve o melhor desfecho, mas que, em conversa com Guedes após a sessão, eles chegaram à avaliação de que, no geral, foi positiva. No entanto, disse que "a audiência não foi para discutir a PEC, mas sim, visões de mundo. E que a visão liberal ganhou a eleição".
*Com Estadão Conteúdo.
O QUE BOMBOU
Chinelo-mule polêmico da Havaianas, o que falta para a Hapvida se recuperar e o fim da greve da Caixa: veja as mais lidas da semana
3 de outubro de 2026 - 17:24VEJA COMO VOTAR
Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar
3 de outubro de 2026 - 10:00PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito
3 de outubro de 2026 - 5:08MOMENTO PROMISSOR
Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
2 de outubro de 2026 - 19:00INDECISÃO?
Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
2 de outubro de 2026 - 16:30DEPOIS DA QUEDA
A mulher por trás da farsa da Theranos quebra o silêncio: o que esperar do documentário que revela sua versão da história?
2 de outubro de 2026 - 14:07BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3794 posiciona 3 ganhadores a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3065 acumula e prêmio aumenta para R$ 82 milhões
2 de outubro de 2026 - 6:28OLHO NO CALENDÁRIO
INSS e BPC/LOAS outubro 2026: veja quando os benefícios serão depositados
2 de outubro de 2026 - 5:07O FUTURO DA BOLSA
Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP
1 de outubro de 2026 - 19:50AÇÃO NO EXTERIOR
Esta fabricante de chips já subiu 476% no ano, e ainda está barata em meio à corrida da IA; veja o que dizem Empiricus e XP sobre a empresa
1 de outubro de 2026 - 16:40O DESAFIO DO PRESIDENTE
Lula ou Flávio? Para Kinea, ambos terão o mesmo desafio e precisarão correr contra o tempo para evitar uma crise
1 de outubro de 2026 - 15:01SEM TETO
Pix por aproximação muda hoje: a nova regra que todo usuário precisa conhecer
1 de outubro de 2026 - 11:01SÓ MUDA O MÉTODO
Entre a simplicidade e a teimosia, Lotofácil 3793 fecha setembro com 2 meio-milionários; +Milionária acumula e prêmio chega a R$ 100 milhões
1 de outubro de 2026 - 7:05A VISÃO DO DONO
Inquilino não paga o aluguel? Veja o que você pode ou não fazer e como evitar que a dívida se torne problema seu
1 de outubro de 2026 - 6:34OS ENDIVIDADOS
Não conseguiu pagar o aluguel? Entenda os riscos que você corre e como não deixar a dívida virar uma bola de neve
1 de outubro de 2026 - 6:02BENEFÍCIO NA CONTA
Bolsa Família será maior em outubro de 2026: veja quando reajuste começa a ser pago e quem poderá se beneficiar
1 de outubro de 2026 - 5:06DESTAQUES DA BOLSA
Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa
30 de setembro de 2026 - 18:45COMEÇOU A TRANSIÇÃO
‘Pense em um mundo sem imposto’: o recado de Bernard Appy para as empresas na reta final da reforma tributária
30 de setembro de 2026 - 13:50OLHO NO PIX
IRPF 2026: dinheiro de lote de restituição da malha fina do imposto de renda cai hoje na conta
30 de setembro de 2026 - 8:42SEM DESCONTO