Menu
2019-05-13T09:55:11-03:00
Estadão Conteúdo
bom incentivo?

Reforma da Previdência deve forçar País a poupar mais

Tese é de que quanto mais a renda futura é garantida pelo Estado, menor o incentivo individual para guardar dinheiro

13 de maio de 2019
9:54 - atualizado às 9:55
Pessoas trocam sacos de dinheiro
Ao relacionarem o aperto na Previdência à elevação da poupança, economistas dizem que o exemplo mais concreto da tendência é a China, onde a taxa de reservas subiu para quase 50% do PIB após a reforma previdenciária.Imagem: Watchara Ritjan/Shutterstock

Bem inferior à média global, a taxa de poupança do Brasil é hoje uma das menores entre os principais países da América Latina (exceto Argentina), "lanterninha" entre os Brics (grupo que inclui Rússia, Índia, China e África do Sul) e baixa em relação à maior parte das nações desenvolvidas.

Em 2017, o índice brasileiro era de 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar de ser influenciada pela crise econômica, a pouca disposição nacional em guardar dinheiro não é explicada só por ela. Segundo economistas ouvidos pela reportagem, o sistema de bem-estar social - que garante direito universal a educação, saúde e aposentadoria - é um fator que pesa mais na justificativa do fenômeno.

A reforma da Previdência pode ser um incentivo para o aumento das poupanças individuais no País, apontam especialistas. Embora a Constituição de 1988 garanta acesso universal à saúde e à educação, o cidadão sabe que a qualidade dos serviços deixa a desejar. Não é o que ocorre com a aposentadoria: apesar do alerta dos atrasos recentes no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte, os benefícios são historicamente pagos em dia.

"Quanto mais a renda futura é garantida pelo Estado, menor o incentivo individual para poupar. O que as crises fiscais em nível estadual mostraram é que a garantia do Estado não é mais absoluta", diz Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco. O economista Simão Silber, da FEA-USP, lembra que o Brasil já gasta "mais que a média da OCDE, o clube dos países ricos, com aposentadoria".

Como a "nova Previdência" deve resultar no pagamento de benefícios menores, parte da responsabilidade da renda após a aposentadoria será transferida ao cidadão - incentivando reservas. "A correlação é simples: se antevejo o descasamento entre minha renda e os desejos para o futuro, a poupança cresce", afirma Ricardo Brito, professor da escola de negócios Insper.

Ao relacionarem o aperto na Previdência à elevação da poupança, economistas dizem que o exemplo mais concreto da tendência é a China, onde a taxa de reservas subiu para quase 50% do PIB após a reforma previdenciária, mesmo com renda média semelhante à brasileira. A "mexida" nas aposentadorias também ampliou reservas em países como Chile e Itália, argumentam especialistas (veja quadro).

Brito, do Insper, rechaça a noção de que o brasileiro é pouco cuidadoso com as finanças. Para ele, apenas a pequena parcela de trabalhadores que ganha mais do que o teto do INSS - de R$ 5,8 mil - teria hoje incentivo para poupar mais visando à aposentadoria.

"O brasileiro seria imprevidente se tivesse uma expectativa de queda brusca de renda na velhice. Nas condições atuais, a poupança é suficiente, pois a taxa de reposição das aposentadorias (quanto se ganha em relação ao salário da ativa) é de cerca de 80%. É muito diferente do que ocorre lá fora."

Pesquisa da FenaPrevi, federação que reúne os planos abertos de previdência privada, corrobora a confiança do brasileiro no sistema público: entre os entrevistados no levantamento realizado em 2018, 76% disseram que dependerão "muito" ou "totalmente" da renda do INSS após a aposentadoria.

Com redução de garantias, porém, o comportamento relativo à poupança tende a se alinhar ao de outras partes do mundo. "A evidência da teoria econômica é de que o 'bicho-homem' é mais parecido do que se imagina", diz Samuel Pessoa, pesquisador do Ibre-FGV. "Sob as mesmas regras, as pessoas tendem a se comportar de forma semelhante. Se um chinês vivesse no Brasil, provavelmente pouparia menos."

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Esquenta dos Mercados

Relatório da inflação, leitura do PIB dos EUA e queda de ministro devem guiar a bolsa hoje

Assim como uma noite no deserto, o investidor deve ficar atento aos sinais para atravessar um momento de dificuldade

Volta ao original

Câmara rejeita emendas do Senado e retoma texto original de MP que eleva imposto para bancos

Deputados retomaram a alíquota de 25% na CSLL também para as agências de fomento e bancos de desenvolvimento estaduais

Para dar e vender

Defensivas e com potencial de crescimento: como as ações do setor de saúde ainda podem dar muitas alegrias na bolsa

A combinação de baixo endividamento, bons níveis de caixa e espaço para consolidação tornam as ações do segmento muito atrativas, segundo analistas

Fernando Cirne

A importância das fusões e aquisições para a Locaweb

Já avaliamos mais de 1.900 empresas e, desde o IPO, concluímos 10 importantes aquisições, que se somaram às outras seis concretizadas antes da abertura de capital

seu dinheiro na sua noite

IPO da Smart Fit: vai sair da jaula o monstro!

Eu nunca fui muito de academia, confesso. Já tive meus tempos de malhar regularmente, mas nunca consegui tomar gosto pela coisa. Exercícios repetitivos não me cativam, meu negócio sempre foi dançar, de preferência em turma, com professor e horário, se não eu falto. Como você deve imaginar, entre meus colegas jornalistas não é muito diferente. […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies