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Guedes: Somos liberais, liberais não aumentam impostos

Ministro também disse que secretário da Receita teve azar ao falar que as igrejas seriam atingidas por novo modelo de tributação. “Quem vai pagar é bandido, traficantes, todo mundo que faça pagamentos. Então essa que era a ideia dele”.

Paulo Guedes
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Alan Santos/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou que não se pensa em aumento de impostos dentro da equipe econômica.

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A declaração ocorre após um desentendimento entre o secretário da Receita, Marcos Cintra, e o presidente Jair Bolsonaro, envolvendo uma modalidade de imposto que também recairia sobre igrejas.

“Vamos deixar absolutamente claro que somos liberais. Liberais não aumentam impostos, eles simplificam, reduzem ou fazem substituição tributária”, afirmou Guedes ao deixar almoço com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Então, disse Guedes, o que o Marcos Cintra estava falando é que no futuro próximo gostaríamos de desonerar totalmente a folha de pagamentos. “Achamos que é um imposto cruel, perverso.”

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De acordo com o ministro, são 50 milhões de brasileiros que não contribuem para a previdência. E, segundo Guedes, uma das razões para a previdência estar quebrada hoje é que 50 milhões de brasileiros não têm acesso à Previdência porque não têm acesso ao emprego formal.

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“O trabalhador, hoje, ganha pouco e custa muito, porque tem essa oneração toda da folha de pagamentos. Então é uma obsessão nossa em desonerar. Então, nesse esforço de desoneração, uma das considerações alternativas consideradas é o imposto sobre pagamentos, que o Marcos Cintra namora faz muitos anos”, explicou.

Bandidos e traficantes

Perguntado se esse eventual imposto sobre pagamentos incidiria sobre todos os contribuintes, incluindo igrejas e filantrópicas, Guedes disse:

“Aí é que está. Eu preferia que ele tivesse falado que os bandidos vão pagar, os traficantes vão pagar. Ele falou logo igreja? Deu azar. Quem vai pagar é bandido, traficantes. Todo mundo que faça pagamentos. Então essa que era a ideia dele”, afirmou.

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Ainda de acordo com Guedes, é evidente que as igrejas vão manter as suas imunidades. Igreja não paga imposto de renda, imposto sobre propriedade. “Todas as imunidades que elas têm ninguém vai mexer com isso”, disse.

Segundo Guedes, o que se pensa é em “tributar um espaço novo, de pagamentos” para ter uma boa base de arrecadação para poder desonerar a folha de pagamentos.

“Você vai ter um choque de empregos. De repente você vai gerar, dois, três, quatro, cinco milhões de emprego em um espaço de um ano, um ano e meio. Empregos novos porque você desonerou a folha de pagamentos. O trabalhador vai ganhar mais e vai custar menos”, afirmou.

Perguntado em que lugar da fila está a reforma tributária, Guedes disse que ela “está na fila, andando rápido”, porque o governo quer retomar o crescimento econômico. No entanto, a ajuda para Estados e municípios também é muito importante.

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Ainda de acordo Guedes, os dois assuntos estão correndo, mas quem vai decidir a ordem das coisas são Onyx, o presidente Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que são os responsáveis pelo timing político das medidas.

Previdência

Questionado sobre a ideia da oposição de alongar as discussões sobre a reforma da previdência na Comissão Especial, Guedes disse que é de interesse da classe política finalizar a previdência no primeiro semestre porque depois tem mais um ano e dois ou três meses até a próxima eleição e, justamente vai ter uma pauta positiva, uma agenda positiva, assuntos importantes, como recursos para Estados e municípios, os impostos.

“Todos esses temas são extraordinariamente atraentes, inclusive o próprio sistema de poupança garantida da nova Previdência. Tudo isso é positivo também e isso é uma pauta do segundo semestre até as eleições”, finalizou.

Onyx: Somos amigos

Segundo Onyx, o almoço com Guedes aconteceu, primeiramente, pelo fato de os dois serem amigos. “Primeiro nós somos amigos, segundo nós somos liberais clássicos. Quando ninguém falava em liberalismo, o professor me dava aula e eu pratica no processo político no Rio Grande do Sul”, disse o ministro da Casa Civil.

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Na sequência, Onyx disse que o almoço/reunião foi para avaliar o quadro da tramitação da nova Previdência, “que é superimportante para o nosso país”.

Onyx reconheceu o esforço e o trabalho do deputado Felipe Francischini, presidente, e de Marcelo Freitas, relator, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e disse olhar para a comissão especial da mesma maneira.

“Estamos muito entusiasmados com a perspectiva de que ainda do primeiro semestre a gente consiga ver o Brasil reequilibrado fiscalmente, com a nova previdência aprovada. Esse projeto que é fundamental para que o Brasil possa voltar a crescer”, afirmou.

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