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Dia de alívio

A boa notícia é que o dólar à vista caiu mais de 1%. A má é que ele continua acima de R$ 4,20

Em meio ao feriado nos EUA, o dólar à vista conseguiu passar por uma onda de despressurização, motivada pela estratégia de atuação do BC e por dados econômicos mais animadores

Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A sessão desta quinta-feira (28) foi marcada por notícias positivas e negativas, tanto para o dólar à vista quanto para o Ibovespa. No caso do mercado de câmbio, as boas novas dizem respeito à queda de 1,02% na moeda americana; as más ficam com a cotação em si: apesar da forte baixa, a divisa ainda aparece a R$ 4,2153.

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Ou seja: mesmo com a baixa expressiva, o dólar à vista continua perto das máximas — o patamar atual representa a terceira maior cotação de fechamento da história, em termos nominais. Mas há motivo para comemoração, já que, ao menos, a moeda interrompeu a trajetória de alta vista nos últimos dias.

E o Ibovespa? Bem, a boa notícia foi a alta de 0,54% do índice, que chegou aos 108.290,09 pontos hoje. Mas também há um copo meio vazio na bolsa: o fraco giro financeiro, que totalizou apenas R$ 12,5 bilhões hoje, um indício de que essa recuperação pode ser revertida quando as operações voltarem ao ritmo normal.

E essa queda no volume de operações se deve ao feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos — uma das datas comemorativas mais importantes do país. Com os mercados americanos fechados e grande parte dos investidores fora de ação, as negociações correram com o freio de mão puxado no mundo todo.

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E as curvas de juros? Bem, no início do dia, os DIs chegaram a operar em forte alta, ainda pressionados pela perspectiva de interrupção antecipada no ciclo de cortes da Selic em função da disparada do dólar. Mas, com a moeda americana passando por um forte alívio, os juros também passaram por ajustes negativos.

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R$ 4,21

A onda de calmaria que atingiu o mercado de câmbio nesta quinta-feira teve dois gatilhos: uma mudança de estratégia por parte do Banco Central (BC) e a divulgação de dados econômicos mais animadores no Brasil.

Nos últimos dias, a autoridade monetária vinha atuando sem fazer avisos prévios: convocava leilões para a venda de dólar no mercado à vista quando o câmbio se estressava demais, de modo a trazer um alívio imediato ao mercado. Tais intervenções, no entanto, não foram capazes de frear a trajetória de alta da moeda americana.

Assim, a instituição optou por um caminho diferente nesta quinta-feira: avisou de antemão que promoveria um leilão desse tipo. Com isso, o dólar abriu a sessão de hoje no campo negativo e permaneceu por lá durante quase todo o dia — as quedas mais intensas, contudo, viriam só durante a tarde.

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E isso porque a Secretaria de Comércio exterior (Secex) do ministério da Economia revisou o resultado das exportações nas primeiras quatro semanas de novembro. De acordo com o órgão, as vendas ao exterior totalizaram US$ 13,5 bilhões no período — acima da cifra original, de US$ 9,7 bilhões.

Com o dado corrigido, o saldo da balança comercial neste mês virou para o campo positivo: agora, há um superávit de US$ 2,7 bilhões, ante um déficit de US$ 1,1 bilhão anteriormente contabilizado.

Calmaria no Ibovespa

Apesar do alívio no dólar, o dia foi marcado por um certo marasmo na bolsa: com os mercados americanos fechados, o giro financeiro do Ibovespa somou apenas R$ 12,5 bilhões nesta quinta-feira, muito abaixo da média de novembro, de R$ 20,3 bilhões.

O setor de varejo avançou em bloco, puxado por Via Varejo ON (VVAR3), em alta de 3,87% — o Citi elevou a recomendação dos papéis para compra. Lojas Americanas PN (LAME4) e Lojas Renner ON (LREN3) subiram 3,14% e 1,19%, nesta ordem.

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As aéreas Gol PN (GOLL4) e Azul PN (AZUL4) também se deram bem, fechando o dia com ganhos de 3,92% e 3,45% respectivamente — o recuo do dólar beneficia diretamente as empresas, que possuem uma fatia relevante de seus custos denominada na moeda americana.

Entre as quedas, destaque para os bancos, após o governo limitar os juros do cheque especial em 8% ao mês, a partir de 6 de janeiro de 2020, medida que fez o mercado mostrar cautela em relação ao setor: as ações PN do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 0,29%, os papéis PN do Bradesco (BBDC4) recuaram 0,78% e as units do Santander Brasil tiveram perda de 1,76%.

Veja as ações que lideraram a ponta positiva do Ibovespa hoje:

  • Yduqs ON (YDUQ3): +4,80%
  • Gol PN (GOLL4): +3,92%
  • Via Varejo ON (VVAR3): +3,87%
  • JBSON (JBSS3): +3,80%
  • Cielo ON (CIEL3): +3,75%

Confira também as principais perdas do índice:

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  • Santander Brasil units (SANB11): -1,76%
  • Bradespar PN (BRAP4): -1,75%
  • Gerdau PN (GGBR4): -1,44%
  • Suzano ON (SUZB3): -1,36%
  • B2W ON (BTOW3): -1,32%

Feriado?

Apesar do feriado do Dia de Ação de Graças paralisar as operações nos mercados dos EUA, isso não quer dizer que o noticiário internacional não tenha influenciando os ativos globais.

Lá fora, houve uma redução do otimismo dos agentes financeiros em relação à guerra comercial. O presidente americano, Donald Trump, sancionou a lei que impede a exportação de equipamentos de segurança a países que interfiram na independência política de Hong Kong — uma medida que atinge especialmente a China.

Nesse cenário, as principais praças da Europa fecharam com um ligeiro viés negativo: na Alemanha, o DAX caiu 0,31%; no Reino Unido, o FTSE 1000 recuou 0,18%; e, na França, o CAC 40 teve perda de 0,24% — o índice pan-continental Stoxx 600 terminou em baixa de 0,14%.

Leve alívio nos juros

Com o dólar à vista sustentando-se em queda nesta quinta-feira, as curvas de juros conseguiram respirar e passaram por um ajuste negativo, tanto na ponta curta quanto na longa. Veja abaixo como ficaram os principais DIs:

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  • Janeiro/2021: de 4,74% para 4,69%;
  • Janeiro/2023: de 5,99% para 5,89%;
  • Janeiro/2025: de 6,62% para 6,52%;
  • Janeiro/2027: de 6,94% para 6,87%.
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