Possível retaliação árabe prejudica Ibovespa; dólar sobe a R$ 3,80
Árabes estão descredenciando exportadores de frango no que seria uma resposta aos planos de Bolsonaro de mudar embaixada de Tel Aviv para Jerusalém

A Bolsa de Valores de São Paulo operou em queda o dia todo nesta terça-feira, perdendo os 95 mil pontos por várias horas seguidas, quando chegou a bater em 1,40% de baixa. No final do pregão, contudo, houve uma leve recuperação, fazendo o Ibovespa fechar em desvalorização de 0,94%, com 95.103 pontos.
Maior queda do Ibovespa, as ações da Marfrig recuaram 5,47%. Também na lista das baixas, BRF caiu 5,02% e JBS ON perdeu 0,73%. O tombo aconteceu quando foi divulgado que a Arábia Saudita irá descredenciar 33 unidades brasileiras habilitadas a exportar carne de frango para o país sem uma clara justificativa no documento que foi enviado, na noite de ontem, ao governo brasileiro.
Como o discurso do presidente Jair Bolsonaro, em Davos, foi considerado neutro, ele não conseguiu impulsionar os negócios. O dólar subiu 1,20%, negociado a R$ 3,80. A moeda engatou a sexta alta consecutiva e fechou no maior nível, desde 28 de dezembro, quando foi cotado a R$ 3,87. A aversão ao risco do investidor que teme a desaceleração da economia mundial, segundo especialistas, foi o motivo do avanço.
Briga de Galo
A decisão da Arábia Saudita de suspender a compra de carne de frango do Brasil seria uma retaliação dos países árabes à ideia estudada pelo governo Jair Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. A declaração é de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe até 2011 e hoje um dos diplomatas do Oriente Médio de maior influência na região. Moussa chegou a concorrer à eleição para a presidência no Egito.
"O mundo árabe está enfurecido (com o Brasil)", disse Moussa, que participa do Fórum Econômico em Davos. "Essa é uma expressão de protesto contra uma decisão errada por parte do Brasil", insistiu. "Muitos de nós não entendemos o motivo pelo qual o novo presidente do Brasil trata o mundo árabe desta forma." E acrescentou: "Acredito que tais medidas vão continuar. A única forma de evitar é se o Brasil desistir dessa ideia. Jerusalém é uma capital de dois estados, não de um."
A Arábia Saudita é a maior importadora de carne de frango do Brasil. Atualmente, 67 frigoríficos estão habilitados a exportar para a Arábia, mas apenas 30 exportavam efetivamente.
Leia Também
Quem mais pagou dividendos em 2026? Veja o ranking das 10 maiores pagadoras no 2º trimestre
Nem Tesouro IPCA+, nem crédito: aposta de Stuhlberger agora está na bolsa
Mas fontes do setor acreditam que a motivação principal da medida pode estar relacionada a questões técnicas, como o sistema de abate de aves no Brasil. Segundo nota do Ministério da Agricultura, 15 plantas de carnes da BRF e da JBS continuarão habilitadas a vender para a Arábia Saudita - três da BRF; quatro da SHB Alimentos (que pertence à BRF); duas da JBS Aves e seis da Seara Alimentos (que são da JBS).
Commodities
Empresas ligadas a commodities tiveram perdas, em meio ao mau humor no cenário internacional, após redução na projeção de crescimento mundial feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e desaceleração da economia chinesa em 2018.
De acordo com Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos, as empresas de commodities como um todo acompanham a aversão ao risco mundo afora diante da queda do petróleo e redução do crescimento mundial principalmente devido à desaceleração da China em meio a uma guerra comercial travada entre Pequim e os EUA. Petrobras teve baixa de 1,50% (ON), e 1,57% (PN) e Vale ON recuou 0,36%.
Suzano
A queda no preço das commodities prejudicou os papéis da Suzano Papel e Celulose. As ações ordinárias tiveram redução de 2,46%. Apesar da queda no preço dos ativos, o BTG Pactual divulgou hoje relatório afirmando que a Suzano ainda é a melhor opção de compra no setor. O documento diz que as ações da companhia estão subvalorizadas e continuam promissoras para os investidores, uma vez que a consolidação da negociação com a Fibria pode impulsionar ganhos. Além disso, o banco explica que o setor como um todo está gradativamente voltando à normalidade, após impasse com fornecedores e compradores chineses.
Ou vende, ou compra
A gestora de recursos GWI Group, do investidor Mu Hak You, pode ter que desembolsar até R$ 342 milhões caso se confirme a necessidade de realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA, na sigla em inglês) da Gafisa. O valor considera a cotação do papel a R$ 15,56, conforme fechamento do pregão de ontem, 21. Com isso, as acoes da construtora caíram 1,29% no pregão de hoje. A GWI anunciou nesta manhã ao mercado que passou a deter um total de 21,9 milhões de ações da incorporadora, o equivalente a uma participação de 50,17%. Segundo o artigo 46 do estatuto da companhia, o acionista que superar uma fatia de 50,0% deve prosseguir com uma oferta pública de aquisição da totalidade das ações pertencentes aos demais investidores. Para isso, o edital com as regras da OPA deve ser publicado em até 45 dias. O preço a ser ofertado pelas ações deverá corresponder, no mínimo, ao valor justo, apurado em laudo de avaliação elaborado conforme determinado na regulamentação aplicável.
O Broadcast apurou que a GWI está estudando neste momento se levará adiante a OPA ou se pedirá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um prazo, que pode ser de três meses, para ajustar a sua posição, isto é, vender ações até voltar a ter uma posição abaixo de 50,0%. No comunicado divulgado hoje ao mercado, a GWI informou apenas que "tomará todas as providencias previstas no estatuto social", sem dar mais detalhes. Procuradas, Gafisa e GWI não se manifestaram até a publicação dessa matéria.
Cortando as asas
As ações ON da Embraer tiveram uma queda de 3,28% depois que o Credit Suisse cortou o preço-alvo da ADR negociada em Nova York de US$ 28 para US$ 24, o que implica em uma valorização de 14,17% em relação ao fechamento de ontem (US$ 21,02), de acordo com um operador. A informação se sobrepõe ao corte na recomendação da ADR pelo Morgan Stanley na semana passada, que vem influenciando nas negociações das ações desde então.
Além disso, foi divulgado hoje que a Associação Brasileira de Investidores (Abradin) e os sindicatos de metalúrgicos da região de São José dos Campos (SP) vão entrar novamente na Justiça para tentar impedir o andamento do negócio com entre a Embraer e a Boeing, depois de o governo brasileiro e o conselho de administração da Embraer terem aprovado a operação negociada entre as empresas.
Monstro Amazon
As ações de varejistas registram mais um dia de perdas depois que a Amazon Brasil anunciou hoje o lançamento de uma plataforma de comércio eletrônico com estoque próprio, com entrega em até um dia. Rumores sobre o lançamento da gigante norte-americana já influenciaram os negócios com os papéis de varejistas brasileiros ontem.
Além disso, o Carrefour Brasil informou ontem à noite que as vendas no e-commerce cresceram 110% no quarto trimestre de 2018 em comparação com igual período do ano anterior. O bom resultado, todavia, nao segurou a queda de hoje e a empresa francesa teve baixa de 2,15%. As ações da B2W caíram 1,15%. O papel ON da Magazine Luiza perdeu 2,96%.
Porém...
A Via Varejo, porém, teve elevação de 2,71%, depois de uma alta de mais de 6% ontem. Isso por conta do Itaú BBA manter a recomendação de compra do papel em meio a uma perspectiva de retomada da empresa. Segundo analistas do banco, a empresa traçou um plano de seis iniciativas que terão como foco recuperar a participação de mercado perdida, ou seja, "aumentar as vendas". O Itaú BBA manteve também o preço-alvo da ação em R$ 6,50, o que implica em um potencial de crescimento de 35,4% em relação ao fechamento de ontem (R$ 4,80).
Braskem
As ações PNA da Braskem subiram 3,05% e e foram a maior alta do Ibovespa após a Coluna do Broadcast informar ontem que o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reunirá em Davos para destravar a tentativa de unir os negócios das petroquímicas LyondellBasell, da Holanda, e Braskem, do Brasil. De acordo com Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos, a informação é positiva porque a venda volta a ganhar os holofotes e que a operação não está esquecida, como os investidores estimavam.
*Com Estadão Conteúdo
FII DO MÊS
Mau humor do mercado deixa fundo imobiliário favorito dos analistas 15% mais barato; veja os FIIs indicados para setembro
4 de setembro de 2026 - 6:04QUAL A VISÃO PARA O FUTURO
Após saída de Steinbruch do cargo de CEO, XP faz alertas para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)
3 de setembro de 2026 - 16:48AÇÃO DO MÊS
Analistas elegem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) para investir em setembro; confira o ranking completo
3 de setembro de 2026 - 6:02NO OLHO DO FURACÃO
MPF denuncia fundadores da TRX por gestão fraudulenta, diz jornal; confira a resposta da gestora
2 de setembro de 2026 - 14:41CRISE CONTINUA
Citi está mais pessimista com Natura (NATU3) e rebaixa ação para venda. Por que a faxina na casa não convence o banco?
2 de setembro de 2026 - 12:45ENTREVISTA EXCLUSIVA
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
1 de setembro de 2026 - 12:46FIM DA NEGOCIAÇÃO CONTÍNUA
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
1 de setembro de 2026 - 10:15FRED KRUEGER ESTÁ DE VOLTA?
Kinea alerta para ‘pesadelo’ fiscal no Brasil e revela onde está buscando proteção antes das eleições
1 de setembro de 2026 - 7:08BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?
Mercado de capitais pode voltar a esquentar — e Itaú BBA indica esta ação para ganhar com a virada
31 de agosto de 2026 - 16:42RADAR DE FIIS
TRX dá mais um passo atrás e desiste de aquisição de cinco imóveis da Cyrela (CYRE3), incluindo prédio alugado pelo Nubank
31 de agosto de 2026 - 10:04TOUROS E URSOS #285
Nem bolsa, nem dólar: este é o ativo “à prova de balas” para atravessar as eleições 2026, segundo gestor do ASA
30 de agosto de 2026 - 11:03GRINGO COMPRA, BRASILEIRO FOGE
Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca S&P 500, México e Coreia do Sul
28 de agosto de 2026 - 19:20TOUROS E URSOS #285
Lula ainda não ganhou e eleição segue em 50/50, diz CIO do ASA; veja como investir sem apostar em um candidato
28 de agosto de 2026 - 14:23FII
TRXF11 desiste de compra de imóveis de quase R$ 1 bilhão, incluindo ‘prédio do gramado’ na Faria Lima; cotistas comemoram
27 de agosto de 2026 - 19:40NA CONTRAMÃO?
UBS BB ignora debandada estrangeira na bolsa e vê salto de 17% para B3 (B3SA3); entenda a tese por trás da recomendação
27 de agosto de 2026 - 18:00FUGA DA INDÚSTRIA
TAG Investimentos: o que levou a gestora de R$ 18 bilhões a desistir totalmente dos fundos multimercados?
27 de agosto de 2026 - 17:01PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições 2026: com disputa acirrada entre Lula e Flávio, é hora de fugir da bolsa e comprar dólar?
27 de agosto de 2026 - 15:31APÓS CAPTAÇÃO BILIONÁRIA