Vá de carona com elas! Analistas e gestores apostam nas ações das locadoras de veículos
A retomada da economia, ainda que a um ritmo mais lento que o esperado, pode fazer com que o crescimento na locação de automóveis das três empresas combinadas chegue a 35%, segundo cálculos feitos pela corretora Santander Corretora

Quando era menor, um dos meus passeios preferidos era ir a locadora perto da casa da minha avó. De posse da minha carteirinha da turma do sofá da antiga Blockbuster, eu entrava na loja e me perdia naqueles imensos corredores azuis e amarelos cheios de balões. Chegava com a ideia de alugar um filme e saía de lá com vários exemplares.
Tudo ia bem, até que as lojas começaram a ficar cada vez menores e as antigas estantes de DVDs deram lugar a prateleiras com produtos da Lojas Americanas. Quando dei por mim, as locadoras foram aos poucos sumindo. Uma a uma, inclusive a minha preferida. A chegada de plataformas tecnológicas e mais acessíveis, como a Netflix, deixou todas elas para trás.
Mas nem todas as locadoras foram engolidas pelo avanço da tecnologia. Pelo contrário. A presença forte de aplicativos de mobilidade urbana como o Uber foi um dos fatores responsáveis por alavancar o crescimento das locadoras de carros por aqui.
Mesmo diante de um processo de impeachment, PIB negativo e baixos níveis de consumo, as três maiores (Localiza, Unidas e Movida) tiveram um crescimento no aluguel de veículos de 22% entre 2013 e 2018, segundo cálculo feitos pela Santander Corretora.
Agora, a expectativa para este ano é ainda melhor. Na visão dos especialistas, a retomada da economia, ainda que a um ritmo mais lento que o esperado, pode fazer com que o crescimento na locação de automóveis das três empresas combinadas chegue a 35%.
Leia Também
Alô, apps!
Quando o assunto é aplicativos de mobilidade urbana, as locadoras não têm do que reclamar. Na avaliação de Pedro Bruno, analista do Santander, Localiza, Movida e Unidas conseguiram aumentar a sua frota em 180 mil veículos entre 2014 e 2018, anos mais agudos da crise econômica.
E, segundo as estimativas usadas pela equipe de análise, há um grande potencial de penetração no segmento de apps porque existem cerca de 800 mil veículos dentro do mercado de aplicativos de mobilidade urbana. Só que apenas 46 mil deles são alugados, ou seja, somente 6% do mercado está nas mãos de locadoras.
"Acreditamos que o percentual de motoristas que detêm o próprio carro e daqueles que alugam com provedores informais pode diminuir bastante ao longo dos anos por conta dos custos. Estamos bastante positivos com o setor e colocamos recomendação de compra nas três maiores locadoras", disse o analista.

Vrum, vrum...
O otimismo também fez com o que Felipe Montagna, gestor da Indie Capital, apostasse alto no setor. Hoje, a maior posição do fundo de ações que administra está nos papéis da Localiza e da Unidas.
"Houve uma mudança na sociedade impulsionada pela cultura de aplicativos, como Uber. Aliado a isso, há a facilidade cada vez maior em alugar um carro, a melhora na experiência e o fato de que os preços nominais não sobem há um certo tempo", destaca o gestor.
A queda dos juros é outra boa notícia para o setor, já que permite a captação de dívida - uma prática recorrente do setor - a taxas mais baixas, segundo Montagna.
Pé na tábua
Há ainda a questão do ganho de escala. De acordo com o gestor, a entrada da Movida no setor de aluguel de carros em 2014 impulsionou a queda no preço do aluguel. Na época, a novata chegou com valores bastante atrativos e fez concorrentes como a Localiza e a Locamerica (que comprou a Unidas três anos depois) se mexerem.
Com taxas de utilização mais altas e aumento da demanda, as empresas maiores ficaram mais competitivas e garantiram retornos mais expressivos sem a necessidade de onerar o cliente porque houve diluição de custos. Com isso, aumentaram a sua presença no mercado (market share) e derrubaram as menores.
Locadora pra chamar de minha...
Mas quais são os pontos atrativos em cada uma das maiores? Do lado da Movida, o destaque está no investimento em inovação tecnológica e no crescimento que ela teve nos últimos cinco anos. Segundo Paulo Frade, chefe de análise da gestora Claritas Investimentos, o fato de a operação da companhia ser bastante enxuta faz com que o retorno dela seja maior.
Além disso, a ação está bastante descontada e a empresa começou o ano com volume e margens melhores, segundo ele. Mas um dos pontos de atenção é parte de seminovos.
Para Frade, esse tipo de segmento precisa de um tempo de maturação maior porque demora para ficar conhecido. Porém, a expectativa dele é que ela apresente resultados mais animadores no balanço do segundo trimestre de 2019.
Unidas
No caso da Unidas, a aposta está bastante atrelada à gestão da companhia. Para João Nerasti, analista da gestora Indie Capital, a empresa possuem um dos melhores consultores na área de locação como acionistas, que é a Enterprise Holding, uma das gigantes do setor nos Estados Unidos e sócia da companhia.
Na opinião de Nerasti, outro ponto é que a Unidas já possui experiência e executou muito bem a parte de seminovos no passado. "Ainda sim, eles vão precisar vender muito e isso é um dos maiores riscos para a empresa", destaca o analista.
Além disso, a Unidas possui baixa penetração em número de lojas e está com uma iniciativa focada na venda de carros de terceiros, o que pode ser interessante no longo prazo.
Localiza
E no topo das indicações dos analistas está a Localiza. Por conta de todo o histórico que possui no setor de aluguel de carros, a empresa é a preferida de Michael Wickert, um dos sócios da Fama Investimentos. Ela é, inclusive, a maior posição que o fundo da gestora possui na carteira.
Segundo Wickert, a companhia fez um aumento de capital no começo deste ano e possui um diferencial de execução muito grande com relação as concorrentes.
"Eles se financiam de forma mais barata, possuem maior volume de carros e conseguem vender com margens maiores. Com isso, sustentaram um bom nível de retorno sobre o capital investido. Além disso, eles implementaram iniciativas de cobrança direto no app, o que reduz o risco de crédito da empresa", destaca Wickert.
Um olho aqui, outro lá...
Ainda que as perspectivas para o setor sejam boas, o que ajudou as gigantes no passado pode ser também um possível risco hoje. Um dos riscos é o de uma possível guerra de preços que reduza o valor da locação, segundo o sócio da gestora Fama Investimentos.
O especialista ainda diz que há um grande gargalo no setor, que é a desmobilização da frota. Ou seja, a venda dos veículos de maneira satisfatória para que a frota consiga girar de forma saudável.
"O setor de seminovos teve um aperto durante a crise porque a venda do carro é reflexo da economia. Logo, é um setor que não conseguiu deslanchar tanto. Mas há quem tenha se saído bem. A Localiza, por exemplo, contornou bem a situação. Fez um ajuste no preço de venda dos carros, o que sustentou a rentabilidade no período", afirma Wickert.
De qualquer forma, na minha visão, o setor pode garantir bons percentuais de retorno, especialmente agora que as perspectivas para o crescimento estão sendo revistas. Na última segunda-feira, por exemplo, o boletim Focus trouxe que as projeções para a alta do PIB no ano despencaram para 1%.
Por ser um setor que consegue ser mais protegido de eventuais crises ou de estimativas mais negativas para a economia, vejo que separar um percentual do seu portfólio para ações de locadoras pode ser uma maneira de surfar o movimento, enquanto elas ainda estão descontadas.
OS ENDIVIDADOS
Não conseguiu pagar o aluguel? Entenda os riscos que você corre e como não deixar a dívida virar uma bola de neve
1 de outubro de 2026 - 6:02BENEFÍCIO NA CONTA
Bolsa Família será maior em outubro de 2026: veja quando reajuste começa a ser pago e quem poderá se beneficiar
1 de outubro de 2026 - 5:06DESTAQUES DA BOLSA
Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa
30 de setembro de 2026 - 18:45COMEÇOU A TRANSIÇÃO
‘Pense em um mundo sem imposto’: o recado de Bernard Appy para as empresas na reta final da reforma tributária
30 de setembro de 2026 - 13:50OLHO NO PIX
IRPF 2026: dinheiro de lote de restituição da malha fina do imposto de renda cai hoje na conta
30 de setembro de 2026 - 8:42SEM DESCONTO
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho toma decisão e banco anuncia quando as agências reabrem
30 de setembro de 2026 - 7:55BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3792 tem 37 ganhadores, mas só dois ficam a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3064 acumula e prêmio vai a R$ 75 milhões
30 de setembro de 2026 - 6:49ATENÇÃO, BENEFICIÁRIOS!
Bolsa Família com novo valor, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para outubro de 2026
30 de setembro de 2026 - 5:05DESTAQUES DA BOLSA
Ação da Tupy (TUPY3) atinge máxima nesta terça-feira (29) e fecha com alta de mais de 3%. O que animou os investidores?
29 de setembro de 2026 - 18:30TAG SUMMIT 2026
De olho no marco de R$ 1 trilhão, Nu Asset coloca ETFs no centro da estratégia; entenda o que está por trás da aposta
29 de setembro de 2026 - 15:49NOVO OBSTÁCULO
El Niño pode atrapalhar queda da Selic em 2027 — mas há uma saída para os juros voltarem a cair, diz CEO da Bradesco Asset
29 de setembro de 2026 - 15:08ASSUNTO 'PROIBIDO'?
“Isso não ganha voto”: por que o ajuste fiscal deve ficar para depois da eleição, segundo Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro
29 de setembro de 2026 - 14:45CORTOU PROJEÇÕES
Maior queda do Ibovespa hoje, CSN (CSNA3) derrete 11% e divisão de mineração (CMIN3) vai junto: o que preocupa os investidores?
29 de setembro de 2026 - 13:35CHEGOU AO TST
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho julga dissídio em meio a impasse entre banco e funcionários
29 de setembro de 2026 - 9:59PÉ NA AREIA
Lotofácil 3791 premia bolão no Nordeste; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 52 milhões
29 de setembro de 2026 - 7:25E AGORA, PETROBRAS?
EUA podem fechar a torneira do diesel e deixar o Brasil mais vulnerável, segundo Citi; é hora de rever a carteira de BDRs?
28 de setembro de 2026 - 18:10CASAS DE APOSTAS
R$ 1,7 bilhão na mesa: bets terão de devolver dinheiro a 22,9 milhões de apostadores após MP de Lula
28 de setembro de 2026 - 17:16O PREÇO DAS ELEIÇÕES
Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
28 de setembro de 2026 - 12:00INSEGURANÇA
Bets estudam medidas para tentar reverter proibição depois de MP de Lula, mas proximidade da eleição atrapalha
28 de setembro de 2026 - 10:04É BOM SABER