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temos um impasse

Virtualmente demitido, presidente dos Correios diz que só deixa o cargo com pedido formal

Bolsonaro disse na última sexta-feira que demitiria o presidente dos Correios pelo comportamento "sindicalista"; mas ele não deixou o cargo: ontem foi trabalhar normalmente e disse, em palestra, que só sai com formalização da demissão

Bolsonaro
Bolsonaro disse na última sexta-feira que demitiria o presidente dos Correios pelo comportamento "sindicalista". Imagem: José Dias/PR

O presidente dos Correios, general da reserva Juarez Aparecido de Paula Cunha, foi trabalhar normalmente nesta segunda-feira, 17, apesar de ter sido virtualmente demitido pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira passada, dia 14 - quando ele disse que Cunha havia agido como um sindicalista.

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Cunha avisou, num auditório lotado, que não sai até a formalização da demissão. Ele fazia uma palestra sobre a privatização dos Correios - um evento fechado à imprensa, mas ao qual a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo teve acesso.

Na véspera do anúncio da demissão, o general havia sido presenteado pela Superintendência dos Correios do Amazonas com um selo personalizado, que ostenta sua fotografia. Na imagem, Cunha aparece junto a um prédio da estatal e do Teatro Amazonas, principal cartão-postal da capital Manaus.

Foram impressos 12 desses selos. Os Correios dizem que outros funcionários e personalidades já foram homenageados da mesma forma. Exemplo: o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Não consta que Bolsonaro tenha o seu.

Sem decisão

O evento em que o general disse que só sai depois da formalização da demissão ocorreu na tarde de segunda-feira. Horas depois, à noite, o porta-voz da Presidência, o também general Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o presidente ainda não decidiu quando vai efetivar a demissão nem nomear o substituto do general.

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Na apresentação desta segunda, o general insistiu no tema privatização. Disse que a decisão sobre a venda do controle da empresa é uma promessa de campanha de Bolsonaro e "ele tem que cumprir", mas acrescentou que esse será um processo muito longo, que pode durar anos.

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O general afirmou que havia se comprometido a lutar contra a privatização, mas "até um certo limite". "No momento em que há uma decisão, esse assunto é de responsabilidade do governo." "Já que há uma decisão para que esse processo aconteça", segundo o general, o melhor que os funcionários podem fazer é receber bem os responsáveis pelos estudos da privatização, de forma a fazer um "controle de danos" e "procurar contribuir, acompanhar e defender nossos interesses".

'Serenos'

Cunha foi ovacionado ao levantar o moral dos servidores: "Os Correios não vão acabar, ninguém vai acabar com a empresa e mandar todos os funcionários embora". "Vamos ficar serenos, encarar com naturalidade, sem ninguém se estressar."

Ele disse que a equipe econômica está preocupada com a preservação dos direitos dos funcionários e com o futuro da própria empresa. "Não querem que, lá no futuro, a coisa venha a se deteriorar novamente."

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Segundo o general, o modelo a ser adotado na privatização ainda não foi definido. "Uma parte da empresa poderá fazer abertura de capital. Nada disso está definido: como fazer, o tipo de privatização, se é que vai acontecer. Vejam, existem muitos passos aí pela frente, muitos passos", afirmou.

O general encerrou recomendando aos empregados que continuem buscando bons resultados para tentar influenciar na decisão do governo. "Temos que mostrar que somos uma empresa sólida, que não precisamos do orçamento do governo, tudo isso será considerado quando do processo de privatização", afirmou. "Temos que trabalhar de perto e contribuir para a defesa dos nossos empregados, buscando influenciar nesse aspecto."

*com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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