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Bolsonaro tratará de acordo Mercosul-Japão em audiência com primeiro-ministro

Chances das negociações efetivamente avançarem, no entanto, são vistas como baixas até o momento

Jair Bolsonaro discursa em Dallas (EUA)
Imagem: Marcos Corrêa/PR

O acordo comercial entre o Mercosul e Japão deve ser assunto da reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, na próxima quarta-feira, 23. As chances das negociações efetivamente avançarem, no entanto, são vistas como baixas até o momento.

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Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, é mais provável que um eventual pronunciamento sobre o início das tratativas fique para a visita de Shinzo Abe ao Brasil, em novembro.

O foco, agora, é a cerimônia de coroação do imperador do Japão, Naruhito, que acontece na terça-feira, 22. Também é considerada a possibilidade do anúncio ser substituído por um estudo oficial sobre um possível acordo nas próximas semanas, em tom mais discreto.

[captacao]

Ao chegar em Tóquio, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ainda não sabe se será possível iniciar as negociações ou não, mas que o assunto está "adiantado". "Não sei, não sei. Está adiantado", avaliou.

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Questionado sobre se está interessado em começar as negociações, Bolsonaro respondeu que "é lógico". "É lógico que estou interessado, a Coreia do Sul também, os Estados Unidos. Está indo bem o Brasil", declarou a jornalistas.

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O momento para o acordo é considerado propício, já que os japoneses encerraram recentemente as tratativas com os Estados Unidos. As conversas com o bloco de países sul-americanos, então, poderiam ganhar espaço. A pauta positiva também viria em boa hora para o governo brasileiro.

Segundo o secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia, embaixador Reinaldo José de Almeida Salgado, um estudo feito no Japão mostra que 97% da pauta exportadora do Japão para o Brasil está coberta no acordo Mercosul-UE.

"Se a gente não correr atrás, esse comércio tenderá a declinar. Por muito tempo, o Japão esteve envolvido no acordo com EUA, com dificuldade para se engajar em novas negociações. Pelo menos do nosso ponto de vista, não sei se da parte deles será o mesmo, agora é chegado o momento do Mercosul entrar na lista", afirmou Salgado.

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Além disso, o Brasil tem interesse em ampliar as relações comerciais com o Japão porque os números das relações bilaterais entre os países seguiram em ritmo decrescente nos últimos anos. No ano passado, o comércio do Brasil com o Japão totalizou cerca 8 bilhões de dólares, metade do que já foi em 2011.

Nada de carne

Avesso a peixe cru e outras refeições típicas japonesas, Bolsonaro acabou o primeiro dia de viagem à Ásia em uma lanchonete de Tóquio. Em tom de brincadeira, disse que não vai comer carne no país enquanto os japoneses não abrirem seu mercado para suínos e bovinos do Brasil. Na última vez em que esteve no Japão, Bolsonaro foi a uma churrascaria.

O comentário faz parte da ofensiva do governo para abrir e expandir o mercado aos produtos agropecuários. Segundo Bolsonaro, o esforço tem sido feito há alguns meses, sob o comando da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e com apoio dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Paulo Guedes (Economia).

Durante passeio pelas ruas de Tóquio nesta segunda-feira, 21, o presidente reafirmou que a qualidade da carne brasileira é superior à de outras exportadas para o continente asiático, citando como exemplo a australiana. E voltou a convidar os japoneses a comerem, por sua conta, em churrascarias do Brasil.

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A caminho do santuário xintoísta Meiji, Bolsonaro falou sobre a possibilidade de o Brasil exportar também cachaça. O comentário foi feito ao se deparar com um corredor do parque japonês repleto de barris de vinho e de saquê. "Mas se o (ex-presidente) Lula não conseguiu (exportar cachaça)...", ironizou.

Após a caminhada por Tóquio, que durou cerca de duas horas, Bolsonaro confessou que não é fã da comida japonesa: "Peixe só se for frito". Aos auxiliares, disse que queria procurar um "podrão" para jantar.

*Com Estadão Conteúdo.

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