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Boston, Chicago, Nova York e Berlim estão entre as competições preferidas, mas a lista inclui também provas exóticas
Além de planilhas, dados econômicos e projeções de resultados, executivos e profissionais do mercado financeiro costumam ter uma coisa em comum: o gosto pela corrida. Ninguém sabe bem como a onda começou, mas é fato que basta lançar o tema em um grupo desse métier que já chama atenção. Muitos, mesmo na loucura dos mercados globais, encontram tempo para uma corridinha, enquanto outros buscam desafios cada vez maiores, como estampar uma Maratona de Boston (EUA) no currículo.
A prova disputada ao norte da costa leste dos Estados Unidos é, digamos, a vedete do mercado. A edição deste ano, com inscrições já encerradas, acontecerá no dia 15 de abril (Patriot’s Day). Criada em 1897, Boston é a segunda maratona mais antiga do mundo, perdendo apenas para a competição olímpica que deu origem a esse tipo de prova, realizada um ano antes, em Atenas (Grécia).
Largar em Boston, no entanto, não é tarefa fácil, pois os critérios de seleção são duríssimos. Considerada uma “major” para atletas experientes e bem preparados, o postulante tem, por exemplo, que comprovar uma marca mínima de tempo já obtida em outra competição. Um homem na faixa de 18 a 34 anos precisa já ter corrido 42 km em menos de três horas e cinco minutos. Quer uma ideia da velocidade? Algo como 14 km/h. Na mesma faixa etária, a exigência para mulheres é de um tempo abaixo de 3h35 – o equivalente a 12,5 km/h.
“Esse é meu sonho de consumo”, brinca o assessor de investimentos Fábio Fonseca. Como acabou de completar 35 anos, ganhou de presente um alívio de cinco minutos no tempo mínimo se quiser correr em Boston, pois a idade agora lhe permite 3h10. “Trata-se de uma prova para atletas de alta performance, a queridinha do mercado.”
Outra meta de Fonseca é correr a Maratona de Nova York (EUA), essa já com um horizonte mais claro, em 2020. “É considerada uma corrida mais técnica, pois tem uma subida no final”, comenta. Ele revela que a prova terá ainda um sabor especial, pois foi nessa mesma cidade que pediu a noiva Roberta Pepe em casamento, durante a meia maratona do ano passado. Ela também é corredora e eles cruzaram juntos a linha de chegada.
Antes, porém, Fonseca esteve em outra major muito popular nas mesas de operações, a Maratona de Chicago (EUA), em 2017. No ano seguinte, experimentou a de Berlim (Alemanha), também muito bem cotada. Segundo ele, a prova americana tem uma organização impecável e a que acontece na capital alemã é mais plana, com passagens por belos pontos turísticos. “O visual é maravilhoso”, diz.
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Outro atrativo de Berlim é a própria atmosfera da prova, conta a economista Fernanda Barbosa, que esteve entre os competidores em 2012. Segundo ela, a cidade respira o evento, com uma infraestrutura completa, incluindo a venda de produtos, e o público costuma interagir muito, motivando os corredores. “A cada quilômetro eu via, por exemplo, uma banda de um país diferente tocando, foi muito bacana.”
O consultor financeiro Philip Semple é outro profissional da área com experiência em provas europeias. Ele correu a maratona francesa de Lyon, no ano passado, e se prepara para disputar a de Düsseldorf (Alemanha), no fim de abril. “A organização é boa e a temperatura, assim como na França, é mais amena”, afirma. Sua agenda em 2019, no entanto, não para por aí. Ele já foi sorteado e estará em Chicago em outubro.

Além das maratonas, digamos, clássicas, quem gosta de corridas de longa distância acaba tendo no radar destinos que unem o desafio a atrações históricas ou belezas naturais. Percorrer a Muralha da China, por exemplo, é uma das aventuras que Fonseca pretende viver um dia. “Provas como essa não são de performance, mas sim de muita técnica, pois na China, por exemplo, o corredor enfrenta muitas subidas e descidas”, destaca. “O objetivo, nesses casos, não é competir, é chegar ao fim.”
Fernanda também se empolga ao falar da Muralha e já tem inclusive uma data em mente: daqui um a dois anos.
Além da China, Fonseca tem outro endereço na lista de desejos de maratonas: a corrida de aventura El Cruce. São nada menos que 100 km, cruzando a Cordilheira dos Andes entre a Argentina e o Chile, durante três dias. A prova precisa ser feita em dupla – que deve permanecer junta durante todo o trajeto – e dá direito a montanhas, vulcões, florestas e áreas rochosas, além, claro, de picos nevados.
Amiga de Fernanda, a também economista Natalia Cotarelli é rápida ao responder sobre uma prova que teria gosto diferente. Ela espera que, em algumas férias no futuro, possa correr em Atenas, berço das maratonas. “Mas é um sonho que só poderá ser realizado daqui uns três anos, pois tenho mais dois de doutorado pela frente”, diz.
Outro ponto no mapa muito lembrado é a África do Sul, onde acontece a ultramaratona Dois Oceanos, que está nos planos de Semple. A prova é realizada na Cidade do Cabo durante a Páscoa, tem 56 km e recebe esse nome porque a primeira metade do trajeto margeia o Índico e, na sequência, o cenário muda para o Atlântico – paisagens que contribuem para a fama de competição mais bonita do mundo. Todos os corredores estrangeiros para 56 km têm que apresentar qualificação de um tempo mínimo inferior a 7 horas.
Corrida é considerada um esporte democrático. Existem infinitos níveis de atletas e, em tese, qualquer um pode praticar, desde que tenha um mínimo de preparo físico e, de preferência, após uma avaliação médica – como manda o figurino.
Os passos mais longos na modalidade demandam, claro, investimentos maiores. Uma assessoria de corrida vai sempre depender do profissional contratado, mas em geral custa em média R$ 300 por mês. Um bom tênis fica na casa de R$ 600, podendo durar de cinco a seis meses, conforme a quilometragem. Existem ainda gastos com roupas adequadas, nutricionista e suplementos alimentares.
As inscrições para maratonas podem ser feitas diretamente ou via agências especializadas, que têm uma cota de vagas garantidas, mas o preço pode ser mais que o dobro. Como exemplo, os registros diretos para as maratonas de Boston e Chicago deste ano, já esgotadas, custavam US$ 250 e US$ 230, respectivamente. No pacote de uma grande agência do ramo, ficavam em aproximadamente US$ 500.
É possível contratar ainda a estadia, incluindo opções em hotéis cinco estrelas, e todo suporte no local – do seguro viagem aos tickets de metrô para os deslocamentos internos. As passagens áreas, normalmente, ficam por conta do corredor, mas figuram também na lista de serviços “opcionais”, assim como passeios, shows, jantares etc.
Como referência, o interessado na Maratona de Berlim – que acontece no fim de setembro – iria desembolsar 166 euros na inscrição por uma grande agência, mais 1,5 mil euros a 2,3 mil euros de hospedagem individual se a opção for um hotel cinco estrelas, por quatro noites (tempo mínimo). No mesmo período, uma habitação quatro estrelas ficaria por 1,4 mil euros. O registro direto, cujo prazo já está encerrado, custava 125 euros.
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