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2019-02-26T12:50:07-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
R$ 44 bi só em ações da Petrobras

A prioridade de Joaquim Levy no BNDES: reorganizar a carteira de R$ 117 bilhões em participações

A grande questão agora é como realocar esse capital para apoiar as principais linhas de atuação do BNDES, como o investimento em infraestrutura, segundo o presidente do banco

26 de fevereiro de 2019
12:24 - atualizado às 12:50
Joaquim Levy, presidente do BNDES
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Reorganizar uma carteira de R$ 117 bilhões em participações em ações e títulos de dívida (debêntures) de empresas será a prioridade de Joaquim Levy à frente do BNDES.

Do total de recursos da BNDESPar, a empresa que reúne as participações do banco de desenvolvimento, R$ 102 bilhões estão alocados em ações de empresas listadas em bolsa com liquidez, sendo R$ 44 bilhões apenas em papéis da Petrobras.

"Hoje estou usando o capital do banco para sustentar a Petrobras, mas a empresa não precisa da gente", disse Levy, que participou hoje do evento CEO Conference, promovido pelo BTG Pactual.

O governo Bolsonaro já anunciou a decisão de se desfazer dessas posições. A grande questão agora é como realocar esse capital para apoiar as principais linhas de atuação do BNDES, segundo Levy.

"Avaliamos onde aplicar esses recursos de maneira inteligente e de forma que ajude o banco no objetivo de aumentar o investimento privado em infraestrutura", disse.

Além das participações em ações, o BNDES espera "reciclar" parte da carteira de financiamentos à infraestrutura, em particular dos empréstimos a projetos que já passaram da fase de construção (mais arriscada), que hoje somam R$ 17,4 bilhões.

"Tenho fé que crescentemente serão vocês que vão apoiar esses projetos com debêntures de oito, dez ou até 15 anos", afirmou Levy, dirigindo-se à plateia do evento.

O presidente do banco disse que a prioridade hoje está em encontrar bons projetos. "Se não houver bons projetos, não teremos como financiar", disse.

O BNDES pretende fazer um trabalho em particular na área de saneamento, "o patinho feio" da infraestrutura, nas palavras de Levy. A ideia é criar um padrão nacional de projetos para facilitar e atrair o investimento privado.

Bonnie e Clyde

O presidente do BNDES ressaltou que a exposição do banco em crédito a grandes empresas está desaparecendo, com a menor vantagem das taxas do banco depois da criação da TLP (taxa de longo prazo).

Levy fez uma referência ao famoso casal de ladrões Bonnie e Clyde para ilustrar a situação anterior do banco. "Eles iam ao banco porque lá tinha dinheiro. O empresário ia ao BNDES porque lá tinha dinheiro barato."

Caixa preta

Questionado sobre a "caixa preta" que encontrou no banco, Levy afirmou que tem procurado mostrar exatamente "como o avião caiu".

"A gente tem revelado os elementos que levaram a alguns dos acidentes. Está tudo no site do banco, para todo mundo olhar e aprender", afirmou.

Sobre os polêmicos financiamentos do banco no exterior, o presidente do BNDES disse que a preocupação número 1 é a recuperação dos recursos e que alguns dos empréstimos estão sendo pagos. O problema maior é com a Venezuela, que vai envolver uma grande negociação internacional, segundo Levy.

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