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André Franco
Crypto News
André Franco
É engenheiro e especialista em criptomoedas da Empiricus
2019-10-30T17:39:17-03:00
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O que Fernando Pessoa tem a ensinar sobre os investimentos em bitcoin

Poeta criou uma frase emblemática para um anúncio da Coca-Cola em Portugal nos anos 30 e que serve muito bem para o mercado cripto do século XXI

31 de outubro de 2019
5:29 - atualizado às 17:39
Imagem: arte bitcoin
Imagem: Shutterstock

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se.” O poeta Fernando Pessoa criou a frase acima para um anúncio da Coca-Cola em Portugal. Pessoa era copywriter na agência Hora, em Lisboa, quando esta foi contratada pela empresa americana, em meados de 1927, para criar uma campanha de marketing para o refrigerante, que havia sido lançado nos Estados Unidos 41 anos antes, em 1886.

O slogan, porém, nunca foi usado, porque a bebida ficou proibida no país por 50 anos devido a razões políticas — o refrigerante só pôde ser comercializado em território luso em 1977.

Coincidentemente, o slogan do poeta acabou por retratar a própria história da bebida no país.

O slogan, a marca e a proibição do consumo e comercialização da Coca-Cola têm tudo a ver com o bitcoin e outros criptoativos.

Como já disse aqui algumas vezes, cripto não é um caso de amor à primeira vista. Primeiro, estranha-se. Só depois de algum estudo e pesquisa é que se percebe a beleza dessa inovação e, então, entranha-se.

Particularmente, estou já na segunda fase há pelo menos quatro anos e, a cada nova descoberta dentro desse mercado, tenho a mesma sensação de estranheza e posterior paixão.

Dou como exemplo o projeto MakerDAO, que possibilita a criação de um dólar sintético (DAI) sem a necessidade de um órgão centralizador garantindo a paridade com a moeda americana. Num primeiro momento, causa uma certa estranheza.

Por outro lado, ao ver como estão nossos hermanos argentinos e venezuelanos, vejo que é grande a possibilidade de esses povos se entranharem nessa nova tecnologia.

Com o peso e o bolívar perdendo valor a cada dia, abraçar o DAI como uma forma de proteção em moeda forte parece uma ótima saída, dado que os próprios governos limitam a compra de dólares.

Até por isso, os esforços da equipe da MakerDAO na América Latina têm sido muito fortes nesses dois países (e em nenhum outro mais).

Outro fato que aproxima a história do escritor português da criptoeconomia é o que está acontecendo com a China atualmente.

Depois de uma curta história de proibições dentro do seu território, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou publicamente que o país deve liderar o desenvolvimento de blockchain e inclusive proibir que critiquem essa nova tecnologia.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se... e depois proíbe-se o estranhamento.

Esse fato novo cria uma pressão positiva no ecossistema, e principalmente no governo americano, que até o momento não apresentou uma política clara para incentivar empresas ligadas à criptoeconomia a se estabelecerem no país.

Se a primeira resposta norte-americana foi de estranheza, em algum momento essa chave vai ter que ser virada por lá. A China e outros países asiáticos já lideram essa nova economia em diversas frentes e, quando o mundo inteiro se entranhar nessa tecnologia, serão os países mais preparados que sairão na frente.

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