Campos Neto destaca nos EUA choques internacionais que afetaram PIB em 2019
Apresentação do presidente do BC mostra que a projeção do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2019 é de 0,87%

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, destacou nesta quinta-feira, durante apresentação em eventos em Washington, nos Estados Unidos, que o crescimento do Brasil foi afetado por "choques importantes" em 2019.
Uma apresentação de Campos Neto, publicada no site do BC, mostra que a projeção do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 é de 0,87%. Sem os choques, este crescimento poderia chegar a 1,54%, conforme os dados do Banco Central.
Da diferença de 0,67 ponto porcentual nas projeções, o choque trazido pela crise econômica da Argentina é responsável pela perda de 0,18 ponto porcentual de crescimento do País. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
O segundo choque citado por Campos Neto é o trazido pela desaceleração global, responsável por 0,29 ponto porcentual da perda de PIB do Brasil.
Já o choque gerado pelo rompimento da represa da Vale em Brumadinho, no Estado de Minas Gerais, em janeiro, impactou negativamente a projeção para o PIB de 2019 em 0,20 ponto porcentual.
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Em sua apresentação, Campos Neto também incluiu gráficos que tratam do efeito da incerteza comercial na atividade econômica global. Os gráficos têm por base trabalho acadêmico intitulado "The Economic Effects of Trade Policy Uncertainty", de Dario Caldara, Matteo Iacoviello, Patrick Molligo, Andrea Prestipino e Andrea Raffo.
A apresentação de Campos Neto traz a estimativa de que a incerteza comercial reduziu em 0,8 ponto porcentual a atividade global em 2019. Além disso, uma baixa de 1 ponto porcentual se acumularia de 2019 para 2020.
Em outro gráfico, com dados da unidade de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a apresentação de Campos Neto destaca que a probabilidade de recessão nos Estados Unidos chegou a 35% em outubro deste ano. O crescimento da probabilidade vem ocorrendo desde 2018. Antes disso, os porcentuais se mantinham abaixo de 10%, conforme o gráfico apresentado.
Política monetária
Na apresentação preparada para os eventos nos EUA, Campos Neto retomou ideias contidas nos documentos mais recentes do BC.
O presidente da instituição repetiu que "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo" - ou seja, redução adicional da Selic (a taxa básica de juros), hoje em 5,50% ao ano.
Ao mesmo tempo, Campos Neto reiterou na apresentação que "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação".
Campos Neto permanece em Washington até o dia 20. Na cidade, ele participará de eventos ligados à Reunião Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, além das reuniões de Ministros da Fazenda e Presidentes de BCs do G-20 e do Brics. O presidente do BC participará ainda de reuniões com investidores.
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