Menu
2019-12-09T16:05:08-03:00
DE OLHO NO CHURRASCO

Carnes podem continuar subindo até fim de janeiro ou início de fevereiro, diz FGV

Em meio ao aumento das exportações para a China por causa do impacto da peste suína africana (PSA) naquele país, a inflação das carnes foi destaque na aceleração, tanto no atacado quanto no varejo

9 de dezembro de 2019
16:05
Embalagem de carne bovina
Imagem: Shutterstock

A inflação das carnes deverá seguir pressionando o orçamento das famílias até a virada de janeiro para fevereiro, mas o movimento é pontual e não muda o cenário mais geral da dinâmica de preços, especialmente de serviços e bens duráveis, que segue oferecendo espaço para mais uma queda na taxa básica de juros (Selic, hoje em 5,0% ao ano). A avaliação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), André Braz.

Mais cedo, a FGV informou que Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de novembro acelerou para 0,85% em novembro, ante a alta de 0,55% registrada em outubro. Em meio ao aumento das exportações para a China por causa do impacto da peste suína africana (PSA) naquele país, a inflação das carnes foi destaque na aceleração, tanto no atacado quanto no varejo.

"As carnes poderão continuar subindo até lá pelo fim de janeiro, ou início de fevereiro, quando devem apresentar alguma desaceleração. Essas deficiências de mercado não se mantêm por muito tempo", afirmou Braz, numa referência aos fatores que têm impulsionado a demanda da China pelas carnes brasileiras.

O destaque entre esses fatores é a PSA, que atingiu o rebanho chinês este ano, obrigando o gigante asiático a importar mais. A demanda por carne bovina e de frango vai a reboque, dado o tamanho do mercado da China, disse Braz. E o Brasil tem sido privilegiado como fornecedor não só por ser o maior produtor global, como pelo fato de as disputas comerciais atrapalharem as compras chinesas dos Estados Unidos e de uma seca ter afetado a produção na Austrália. Além disso, a desvalorização do real torna a carne brasileira mais competitiva.

Somado ao quadro favorável para as exportações para a China, o aumento sazonal da demanda, marcado pelas festas de fim de ano, formaram a tempestade perfeita sobre os preços das carnes. Braz identifica no fim desse crescimento sazonal da demanda, no início de 2020, o ponto de virada para a desaceleração da inflação das carnes - o que significa a manutenção dos preços no novo nível mais elevado.

"Mesmo que as exportações se mantenham em alta, há um limite para esses aumentos de preços", afirmou Braz, lembrando da demanda enfraquecida pelo baixo crescimento da atividade econômica como limitador de repasses.

Segundo Braz, a desaceleração da inflação das carnes será rapidamente sentida pelos consumidores, porque a transmissão entre atacado e varejo é quase imediata - muito consumidas, as carnes costumam ter estoques pouco elevados, que giram rapidamente.

No IPA-DI, componente do IGP-DI que representa o atacado, a variação do preço médio dos bovinos vivos acelerou de 2,85% em outubro para 15,63% em novembro. O preço médio da carne bovina passou de uma alta de 5,18% em outubro para um salto de 13,73% em novembro. No IPC-DI, que apura a evolução de preços no varejo, as carnes bovinas aceleraram de 1,07% para 8,00%. Apenas o corte bovino "alcatra" acelerou de 1,99% em outubro para 11,81% em novembro, enquanto o "chã de dentro" passou de 2,42% para 10,9%.

Com isso, a carne bovina ao consumidor já acumula alta de 13,39% nos 12 meses até novembro. A reboque, a carne suína avança 12,87% em 12 meses, enquanto a alta acumulada no frango inteiro é de 6,37%. De acordo com Braz, o "efeito substituição", quando as famílias aumentam as compras de outros tipos de carne quando os cortes bovinos ficam mais caros, é o principal responsável pela contaminação da inflação para as carnes suína e de frango. Além disso, a demanda maior da China ocorre em todos os tipos de carne, lembrou o pesquisador.

Mesmo assim, segundo Braz, o comportamento do "núcleo" do IPC-DI sustenta a percepção de que a inflação das carnes tende a não se espalhar na economia, especialmente para os preços dos serviços e dos bens duráveis. O "núcleo" (usado para mensurar tendências e calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais expressivas altas de preços) no varejo acelerou de 0,15% em outubro para 0,23% em novembro. Em 12 meses, a alta acumulada é de 3,23%, ainda abaixo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,25% em 2019.

"Nada se alterou no quadro", disse Braz, completando que "tudo continua favorável" para mais um corte nos juros.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

ficou para depois

Odebrecht adia assembleia de credores para aprovar plano de recuperação judicial

BNDES exige que o grupo abra mão do controle da Atvos, empresa de açúcar e etanol, para aprovar o plano; instituição é a maior credor entre os bancos públicos

conversa vai avançar

União Europeia visita EUA em fevereiro para negociar acordo, diz presidente do BCE

Trump chegou a ameaçar tarifar carros e outros produtos da UE se os dois lados não conseguirem fechar um novo acordo

na agenda americana

EUA começaram a trabalhar no corte de impostos ‘2.0’, diz secretário

Casa Branca planeja implementar um segundo corte de impostos para a classe média e “outros incentivos” para impulsionar o crescimento da economia

dados da receita

Arrecadação federal de impostos em 2019 é a maior em cinco anos

Crescimento é explicado pelo comportamento dos principais indicadores macroeconômicos, especialmente os relacionados com o consumo, produção industrial e importações

SIGA O 'BUY AND HOLD'

A estratégia de comprar ações para acelerar sua aposentadoria; entenda

Um dos maiores erros dos investidores que poupam para a aposentadoria é colocar todo o seu dinheiro na renda fixa. O investimento em ações é o gás que você precisa para acelerar o seu plano. O Seu Dinheiro lançou nesta semana o curso “Aposente-se aos 40 (ou o quanto antes)” para ajudar os leitores a […]

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Alívio no caixa?

Ações da Oi sobem forte com notícia de venda da Unitel

A participação da Oi na tele angolana foi vendida para a Sonangol por US$ 1 bilhão, de acordo com notícia publicada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo

solução?

Decreto sobre contratação de militares para INSS deve sair esta semana, diz Bolsonaro

TCU já avisou o governo de que terá de ser elaborada uma solução ampla para o recrutamento de pessoal, abrindo a possibilidade de contratação também para civis

primeira reunião do ano

BCE mantém política monetária inalterada, mas lança revisão de estratégia

Como previam analistas, o BCE manteve a taxa de refinanciamento em 0% e a de depósito em -0,50%

Cautela

Ibovespa opera em queda, reagindo à tensão global com o coronavírus; IPCA-15 mexe com dólar e juros

O Ibovespa exibe um tom negativo nesta quinta-feira, preocupado com a disseminação do coronavírus às vésperas do feriado na China. Os dados de inflação no país também são monitorados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements