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Paridade internacional nos valores

Para alívio dos investidores, Petrobras diz que vai manter sua atual política de preços

Estatal vem sustentando nos últimos anos uma política de paridade internacional de preços e de redução da dívida

5 de dezembro de 2018
17:33 - atualizado às 14:18
Prédio da Petrobras no Rio de Janeiro
Petroleira retomará o investimento em atividades exploratórias, após anos de recuoImagem: Shutterstock

O diretor de Estratégia da Petrobras, Nelson Silva, tirou uma pedra gigante das costas dos acionistas da companhia nesta quarta-feira, 5, ao afirmar que a petroleira dará continuidade a políticas adotadas nos últimos anos, durante o seu processo de recuperação financeira.

Na teleconferência de apresentação do plano estratégico para os próximos cinco anos da estatal, Nelson afirmou que "nenhuma das alavancas será abandonada" e que a ideia vai ser manter a política de paridade internacional de preços e redução da dívida. Ainda segundo ele, o programa de parceria e desinvestimento "dará espaço para uma gestão contínua do portfólio".

Nelson destacou que rentabilidade e redução dos riscos são palavras-chave do plano estratégico. Ele afirma que o avanço no negócio de gás contribuirá para reduzir a concentração geográfica no Brasil. "O mercado doméstico sempre será o mais importante, mas o gás poderá ajudar a conectar com o mercado global".

Segundo o executivo, a Petrobras vai retomar o investimento em atividades exploratórias, após anos de recuo, o que "demonstra que a empresa entra numa fase de recuperação".

Serão investidos "quase US$ 11 bilhões" em exploração de 2019 a 2023, valor que equivale ao projetado no plano de 2015. Dos US$ 68,8 bilhões que serão injetados no segmento de exploração e produção, 16% irão para exploração, 70% para o desenvolvimento da produção e 14% em infraestrutura e pesquisa e desenvolvimento.

Silva destacou também que a empresa continuará "atuando fortemente em refino", por conta da dimensão e relevância mundial do mercado de combustíveis brasileiro. No plano divulgado nesta quarta-feira, os projetos de destaque nessa área são a segunda fase da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e melhorias nas refinarias existentes para produzir derivados mais "limpos".

Na área de gás natural, o executivo ressaltou que o "GNL é um veículo de crescimento da participação global da companhia", sinalizando que a empresa prevê ampliação da exportação de gás.

Dívida

Os executivos da Petrobras consideram que a empresa ainda não atingiu o "ponto-ótimo" de desalavancagem, levando em conta a métrica que compara o endividamento à geração de caixa.

A conta ideal, segundo Silva, é de menos de 1,5 vez, que deve ser atingida em 2020. Ele ainda destacou que a "redução da dívida continuará" e disse que a força de trabalho terá que se adequar aos desafios e que a nova métrica de rentabilidade tem o objetivo a atender aos interesses de retorno aos investidores.

Falando do futuro

O diretor Financeiro da companhia, Rafael Grisolia, usou sua fala na apresentação para dizer que a Petrobras considera a entrada de 18 novos sistemas de produção de petróleo, o que deve mudar a curva de produção e a geração de caixa nos próximos cinco anos.

"A entrada de plataformas vai ter efeito no caixa e garantirá perenidade", disse o executivo, complementando a geração de caixa projetada no plano de negócios para os próximos cinco anos "já descontados eventuais pagamentos de dividendos".

Além disso, a empresa ainda conta com a continuidade da política de paridade internacional de preços para ampliar sua receita nos próximos anos.

O executivo reiterou a necessidade de continuar o programa de desinvestimento, o que inclui refinarias. A empresa espera se desfazer do controle das unidades ainda nos primeiros anos do plano de negócios. "Teremos solução de curto prazo para vender ativos suspensos juridicamente", disse. O programa de desinvestimento inclui ativos já conhecidos pelo mercado.

A Petrobras também manterá o investimento de US$ 84,1 bilhões ainda que a cotação do petróleo decepcione e fique abaixo da projeção divulgada no plano de negócios para os próximos cinco anos.

"O investimento se ajusta a eventuais quedas do petróleo", afirmou o diretor. Ele ainda acrescentou que a gestão das finanças será focada na meta de desalavancagem, de 1,5 vez em 2020. "A partir de 2021 a gente vai subir o payout", complementou Grisolia, destacando que o desinvestimento também vai contribuir com a geração operacional de caixa da empresa.

E o setor de petroquímica?

Grisolia afirmou que o investimento em petroquímica da Petrobras nos próximos cinco anos será realizado nas refinarias da Petrobras já existentes. Com isso, a Petrobras não irá construir ou adquirir ativos petroquímicos daqui para frente.

A estatal ainda avalia qual será sua participação na petroquímica Braskem. A companhia continua aguardando um posicionamento da Odebrecht, sócia no negócio, que discute venda de sua posição acionária à holandesa Lyondell Basell.

A diretoria da Petrobras também divulgou que projetos de gás natural liquefeito servirão para posicionar a empresa globalmente. Investimentos poderão ser feitos em parceria, no Brasil e no exterior.

*Com Estadão Conteúdo.

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