Menu
2019-04-04T14:42:49-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Melhores condições

Empresas trocam financiamento do BNDES por investidores

Empresários passaram a encontrar no financiamento privado condições de empréstimos mais favoráveis, com juros menores e maior liquidez

3 de dezembro de 2018
13:34 - atualizado às 14:42
Notas de dinheiro
Imagem: Shutterstock

Em cinco anos, as empresas conseguiram reduzir quase à metade a dependência por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com juros mais baixos e maior liquidez, elas encontraram no apetite de investidores o espaço para substituir os empréstimos do banco de fomento por emissões de títulos e de ações no mercado interno e externo.

Levantamento feito pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec) mostra que de 2013 para cá a participação do banco estatal caiu de 20% para 12,9% no total da dívida das empresas. O movimento é resultado da queda brusca dos desembolsos do banco. Em 2013, a instituição liberou R$ 190 bilhões, o maior volume da série elaborada pelo Cemec. Em termos de comparação, no período de 12 meses até setembro deste ano, o montante foi de apenas R$ 64 bilhões.

No mesmo intervalo, as emissões de títulos e ações no mercado de capitais subiram de R$ 140 bilhões para R$ 226 bilhões. "Em 2018, apesar da economia deprimida, o volume captado no mercado de capitais já é superior ao maior desembolso do BNDES, em 2013", diz Carlos Antonio Rocca, diretor do Cemec - instituição que se associou à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Ele explica que esse movimento é reflexo de algumas mudanças significativas na economia brasileira. A primeira dela vem do próprio BNDES, que hoje vive uma nova política operacional. No passado, diz Rocca, os juros subsidiados desestimulavam as empresas a buscar outras fontes de financiamento, já que a mais barata vinha do banco de fomento.

Com a mudança nos juros da instituição e queda da taxa Selic no País, as condições se tornaram mais favoráveis. De um lado, as empresas precisavam lançar papéis no mercado para investirem ou para refinanciar débitos mais caros - algumas vezes do próprio BNDES.

Retorno

Do outro lado, havia uma série de investidores que buscavam se arriscar mais por maiores retornos nas aplicações, já que a rentabilidade dos títulos públicos, que sempre reinaram entre os investimentos dos brasileiros, caiu com a Selic - hoje em 6,5% ao ano, explica o presidente do Comitê de Finanças Corporativas da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Sergio Goldstein.

As condições do mercado internacional também ajudaram as empresas brasileiras na emissão de títulos. No primeiro semestre, os juros externos estavam baixos e a demanda por novos papéis era alta, afirma o diretor do Citibank, Eduardo Freitas.

Nesse cenário, destaca ele, muitas companhias aproveitaram para antecipar financiamentos que estavam para vencer. Segundo o Cemec, a participação do mercado externo na dívidas das empresas subiu de 25,5%, em 2013, para 40% em setembro deste ano.

"Esse movimento foi decorrente tanto dos juros baixos no exterior como das oscilações do câmbio no mercado interno", explica Rocca. Na avaliação dele, o mercado de capitais reagiu fortemente nos últimos anos e tem potencial para continuar nesse ritmo daqui para frente, especialmente se os juros continuarem baixos e o BNDES mantiver a política atual. "O que se espera de um banco estatal é que ele atue em áreas em que o mercado privado não consegue atender, como inovação, pequenas e médias empresas e infraestrutura."

Para o BNDES, a queda de desembolsos nos últimos anos é resultado especialmente da falta de investimentos.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

uma bolada

Bradesco paga R$ 5 bilhões em juros sobre capital próprio

Valor representa R$ 0,416 por ação ordinária e R$ 0,458 por ação preferencial, após o desconto do Imposto de Renda

seu dinheiro na sua noite

Dólar abaixo de R$ 5, Selic de volta aos 7% e o investimento da Petz em página de gatinhos

Apesar dos avanços na vacinação e do relaxamento nas medidas de distanciamento social, o fato de ainda estarmos convivendo com o coronavírus e uma elevada mortalidade pela covid-19 faz com que 2021 tenha um sabor de 2020 – parte 2. Assim tem sido, pelo menos para mim. Imagino que também seja assim para todas as […]

atenção, acionista

Weg e Lojas Renner anunciam juros sobre capital próprio; confira valores

Empresa de fabricação e comercialização de motores elétricos paga R$ 86,1 milhões; provento da varejista chega a R$ 88 milhões

Alívio no câmbio

Dólar fica abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez em mais de um ano — e o empurrão veio dos BCs

O dólar à vista terminou o dia em R$ 4,96, ficando abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 10 de junho de 2020. O Ibovespa caiu

Constitucionalidade em xeque

Autonomia do Banco Central: STF retoma julgamento no dia 25, mas recesso pode estender votação até agosto

A lei em análise restringe os poderes do governo federal sobre a autoridade máxima da política monetária do País

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies