Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Fim de brechas

Banco Central e Tesouro estão a um passo de iniciar uma nova relação

Projeto que revisa trocas financeiras que passaram dos R$ 700 bilhões nos últimos anos terá última votação na Câmara. Medida faz parte do “pacote de autonomia” do BC

Eduardo Campos
Eduardo Campos
25 de novembro de 2018
5:48 - atualizado às 11:15
Imagem: Shutterstock

Falta apenas uma votação para que o relacionamento de R$ 700 bilhões entre Banco Central e Tesouro Nacional ganhe um novo formato. O projeto de lei 9.283 de 2017 precisa ser apreciado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara do Deputados e, de acordo com seu relator, deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), isso ocorrerá na próxima semana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No modelo atual, regulado pela lei 11.803 de 2008, toda vez que o BC tem lucro nas suas operações, notadamente na gestão das reservas internacionais, repassa o dinheiro para o Tesouro, que o integra à Conta Única. A lei prevê que o dinheiro só possa ser utilizado para o pagamento de dívida. Quanto há perda, o Tesouro repassa títulos ao BC.

Esse modelo de relação BC X Tesouro foi e é alvo de duras críticas por parte de especialistas em contas públicas, que identificam uma forma de financiamento velado do BC ao Tesouro Nacional, algo proibido por lei. De forma simplificada, quando o lucro do BC entra na Conta Única do Tesouro Nacional e é utilizado para pagamento de dívida, abre-se espaço para que o governo faça outras despesas.

De fato, o Tesouro utiliza os resultados financeiros do BC para ajudar no cumprimento da chamada “regra de ouro” das finanças públicas, que veda emissão de dívida em mercado para pagamento de despesas de custeio.

Avelino esteve com diretores do BC, na quarta-feira, para tratar do tema junto com o presidente da CCJ, deputado Daniel Elias Carvalho Vilela (PMDB-GO), que é quem determina a pauta de votações. Se não houver pedido para discussão em plenário, a lei vai para sanção do presidente Michel Temer.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A importância do projeto foi destacada pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e pelo chefe da assessoria especial do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes, em evento realizado na semana passada pelo BTG Pactual.

Leia Também

Aos números

O balanço do BC é apurado semestralmente. Na primeira metade de 2018, a instituição teve resultado positivo de R$ 19,6 bilhões em suas operações, com títulos e outros, e um ganho de R$ 146,2 bilhões na gestão das reservas internacionais e demais operações cambiais. Esse dinheiro já foi transferido para o Tesouro Nacional.

Acontece que esse ganho com as reservas decorre do reconhecimento meramente contábil da variação cambial sobre o estoque de reservas. Nenhum dólar foi vendido ou comprado no período. Como houve valorização do dólar no primeiro semestre, o valor das reservas quando convertido para reais gerou esse ganho.

Em 2016, ano de firme valorização do real, a perda com as reservas bateu R$ 324,123 bilhões, sendo que em 2015, ano que perda de valor do real, o ganho contábil tinha sido de R$ 260 bilhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A nova relação

Visando reduzir essa volatilidade na troca de resultados financeiros e também afastar a possibilidade de um financiamento velado, o projeto de lei cria uma reserva de resultados para equalizar ganhos e perdas na contabilidade de reservas internacionais e demais operações cambiais, como os swaps.

O BC continuará trocando com o Tesouro o resultado de suas demais operações, feitas com títulos e compromissadas. E resultados positivos só podem ser utilizados no pagamento de dívidas. Já ganhos e perdas com reservas e demais operações cambiais entrarão nessa reserva de resultado. O ganho de um período compensa a eventual perda do próximo.

Ainda de acordo com o projeto, caso a reserva não seja suficiente para a compensação de resultados negativos, o Banco Central poderá utilizar o seu patrimônio líquido até o limite de 1,5% do ativo total da instituição.

No caso dos swaps cambiais, instrumento utilizado para conter a volatilidade no mercado, ganhos e perdas continuam impactando a conta de juros do governo geral, pois se trata de um derivativo sujeito a ajuste diário na BM&F.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No entanto, para efeito de balanço do BC essa conta também passará para dentro da reserva de resultados. Quando se olha o agregado de operações cambiais do BC, as perdas com swaps são compensadas pelo ganho com as reservas e vice-versa.

Vamos a um exemplo, em 2015 a perda com swaps foi de R$ 90 bilhões , elevando a conta de juro em igual montante, mas naquele ano o ganho com reservas foi de R$ 260 bilhões, resultando em um resultado de operações cambiais de R$ 157 bilhões. São esses R$ 157 bilhões que deixam de ser transferidos ao Tesouro e passariam a compor a reserva de resultados.

Fazendo um exercício com os dados do segundo semestre de 2018 até o dia 16 de novembro, a conta de resultados cambiais está negativa em R$ 57,648 bilhões, reflexo de uma perda de R$ 69,533 bilhões com as reservas e um ganho de R$ 11,885 bilhões com swaps. No ano, no entanto essa reserva de resultados ainda está positiva em R$ 88,5 bilhões, reflexo do forte resultado positivo do primeiro semestre que vimos acima.

Maior autonomia

O projeto também torna automática a transferência de títulos do Tesouro para que o BC faça as operações compromissadas. É neste ponto que a medida entra no pacote de maior autonomia ao BC, pois hoje a autoridade é “refém” do Tesouro, que pode ou não emitir títulos para que seja feito o controle da liquidez no sistema financeiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O BC mantém a taxa de juros, a Selic, na meta estabelecida pelo Copom, fazendo o controle da liquidez no sistema financeiro. Quando há “dinheiro demais” pressionando o juro para baixo da meta, o BC pega títulos do Tesouro que tem em carteira e vende ao mercado, retirando liquidez do sistema. Quando falta dinheiro ele faz a operação contrária, recolhendo os títulos e entregando dinheiro.

Já contei essa história, mas nunca é demais repetir. Pode parecer loucura ou pouco lógico o Tesouro querer prejudicar o BC, mas aqui em Brasília, onde tudo é política, situação do gênero aconteceu em um passado recente, quando o comando do Tesouro estava com Arno Augustin e o BC estava sob gestão de Alexandre Tombini.

De volta ao projeto de lei, também há previsão para que a União, desde que previamente autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), resgate e cancele títulos sem desembolso financeiro, permitindo a redução do estoque da dívida pública desnecessariamente mantida pelo BC.

Também mediante autorização do CMN, a reserva de resultados poderá ser utilizada para o pagamento da dívida que circula no mercado, desde que justificado por severas restrições nas condições de liquidez. A ideia é que em situações de crise extrema a rolagem da dívida pública não seja colocada em risco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outras medidas de autonomia

Além dessa revisão na relação BC x Tesouro, outros projetos fazem parte do “pacote de autonomia”. O principal deles é a autonomia de jure para o BC, que também está sendo discutida pelos deputados. Buscando acabar com a influência política e as “novelas” que vimos agora sobre quem fica no BC quando muda o governo, a lei define mantado fixo não coincidente para o presidente do BC.

Outra iniciativa de lei (PL 9248/2017) trata de dar ao BC um novo instrumento de controle de liquidez no sistema financeiro, complementar às operações compromissadas. Trata-se do depósito voluntário ou remunerado. De forma simplificada, os bancos terão uma conta no BC, que poderá fazer a remuneração ou não desses depósitos. O PL da autonomia também trata do tema em um de seus artigos. Em tese, aprovado o projeto de autonomia não há necessidade de seguir adiante com a outra medida.

O depósito voluntário ou remunerado é comum em outros BCs, como o Federal Reserve (Fed), banco central americano, que em momentos de crise pode até instituir uma “punição” para os bancos que deixarem recursos parados nas suas contas junto à autoridade monetária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EMPRESTA O BRILHO?

Lotofácil 3649 faz multimilionário na RMSP e teimosinha leva prêmio principal da Quina 6989; concurso 2374 da Timemania promete hoje prêmio maior que o da Mega-Sena 2991

31 de março de 2026 - 7:02

Lotofácil e Quina foram as únicas loterias a terem ganhadores na segunda-feira (30). Todas as demais modalidades sorteadas ontem acumularam. Já os prêmios em jogo em cada uma delas aumentaram.

AGENDA MENSAL DE BENEFÍCIOS

Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e mais: veja o calendário completo dos programas sociais do governo para abril de 2026

31 de março de 2026 - 5:29

Bolsa-Família, Gás do Povo e mais programas sociais do governo realizam pagamentos neste mês; confira a agenda

MCMV PARA A CLASSE MÉDIA

Novo teto de R$ 600 mil do Minha Casa Minha Vida contempla imóveis em 1,4 mil ruas de São Paulo — em quais bairros estão essas casas e apartamentos?

30 de março de 2026 - 19:28

Um bairro da Zona Norte tem o maior número de ruas com imóveis que integram o novo limite do Minha Casa, Minha Vida, mas ainda está fora do radar dos compradores

EFEITO DOMINÓ

Guerra pressiona inflação global e pode travar cortes de juros, alerta FMI; Brasil já sente os primeiros efeitos

30 de março de 2026 - 16:46

Fundo vê risco de pressão persistente nos preços e alerta para impacto nas expectativas; mercado brasileiro já revisa IPCA para cima

BC JOGA NO TEMPO

Por que o BC pisou no freio? “Gordura” da Selic vira trunfo em meio à turbulência global e permite “ganhar tempo”, diz Galípolo

30 de março de 2026 - 13:05

Em evento, Gabriel Galípolo afirma que novos choques externos não mudaram a trajetória da política monetária; veja o que ele disse

O RECADO DO MERCADO

Inflação dá sinal de alerta no Focus: mercado piora projeções para alta dos preços e reforça juros altos por mais tempo

30 de março de 2026 - 9:03

Economistas ajustam expectativas para os próximos anos e reforçam cenário de desinflação mais lenta; veja estimativas no relatório desta semana

FICOU NO VÁCUO

Mega desprestigiada? Dupla de Páscoa, +Milionária e mais 4 modalidades começam a semana com prêmios maiores que o da Mega-Sena

30 de março de 2026 - 7:52

Mega-Sena acaba de sair pela terceira vez em março e fica longe do pódio dos maiores prêmios das loterias da Caixa. Dupla de Páscoa lidera pela segunda semana seguida, mas posição tem data de validade.

O COELHINHO ENGORDOU

Caixa anuncia aumento de 14,3% no prêmio da Dupla de Páscoa; veja quanto vai ser sorteado no feriado prolongado

30 de março de 2026 - 6:44

Sorteio da Dupla de Páscoa de 2026 está marcado para o próximo sábado, dia 4 de abril. A estimativa original de prêmio era de R$ 35 milhões. Agora o valor aumentou.

CERTEZA DA INCERTEZA

Fim da linha para a queda da Selic? As perspectivas para os juros no Brasil com a guerra e a eleição pela frente

30 de março de 2026 - 6:04

Na Europa e nos EUA já se fala em aumento dos juros devido aos riscos inflacionários; economistas respondem se Brasil corre esse risco também

ALÉM DO PETRÓLEO

Cenário de estresse global muda o jogo para a inflação e a Selic: veja o que pode acontecer com os juros, segundo o Inter

29 de março de 2026 - 17:09

Segundo o banco, o aumento do petróleo traz pressão não só para o preço dos combustíveis e deve se espalhar por alimentos e bens industriais

COMBUSTÍVEL MAIS CARO

Alckmin espera fim de guerra em 60 dias e admite prorrogar subsídio ao diesel, com petróleo acima dos US$ 100

29 de março de 2026 - 14:40

Alckmin disse que o governo tem dialogado com os estados, mas que não pode obrigá-los a reduzir o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado

CONTA MAIS CARA EM ANO ELEITORAL?

Para atenuar alta na conta de luz, governo pode conceder crédito de R$ 7 bilhões a distribuidoras de energia elétrica

29 de março de 2026 - 11:07

No início deste mês, por exemplo, houve reajuste médio de 15,46% para as tarifas da Enel Rio de Janeiro. Para a alta tensão, como grandes indústrias, a elevação foi de 19,94%

TÃO DOCE E TÃO SALGADO

Páscoa sem chocolate? Como a escassez de cacau vai influenciar um dos feriados mais esperados pela criançada

29 de março de 2026 - 10:22

Com a commodity disparando mais de 400%, fabricantes reformulam produtos e levam consumidores a buscar alternativas aos tradicionais ovos de chocolate

SEM ACORDO

Após 30 dias de guerra, Irã fecha o cerco no Estreito de Ormuz

29 de março de 2026 - 9:57

Teerã adotou medidas para gerenciar o tráfego na via marítima, visando impedir que “agressores e seus parceiros” utilizem o canal para fins militares contra o território iraniano

AS MAIS LIDAS DO SD

Dividendos extraordinários da Vale (VALE3), o susto de Raízen (RAIZ4) e Pão de Açúcar (PCAR3) e a febre das loterias: confira o que bombou na semana

28 de março de 2026 - 15:31

O ranking das mais lidas do Seu Dinheiro traz as projeções do BTG para os dividendos da Vale, o alerta sobre a onda de recuperações judiciais e a sorte grande nas loterias da Caixa

DISPARADA DO PETRÓLEO

Combustíveis mais caros, lucro 37% maior: quem está ganhando com a guerra?

27 de março de 2026 - 18:45

Enquanto diesel e gasolina ficam mais caros, fatia de distribuidoras e postos engorda; PF investiga preços abusivos

O PESO DA GUERRA

Selic mais alta no radar? Santander revisa projeções de inflação com disparada do petróleo

27 de março de 2026 - 17:32

Banco eleva projeções de inflação após alta do petróleo e alerta para impactos no real, taxa de juros e economia brasileira

FUSO HORÁRIO COMPLICADO

Esquece o feriado! Por que seu chefe dificilmente vai te dar uma folga nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2026

27 de março de 2026 - 14:03

Mesmo com toda a animação que cerca o evento, dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo não são considerados feriado nem ponto facultativo

A HISTÓRIA SE REPETE

Lotofácil 3646 paga prêmio milionário no meio da selva (de pedra); Mega-Sena puxa de novo a fila das loterias acumuladas, agora com R$ 40 milhões em jogo

27 de março de 2026 - 6:51

Assim como aconteceu nos dias anteriores, Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de quinta-feira (26). Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam.

DANOS SOB CONTROLE

De vilão a herói: juros altos devem reduzir o impacto do preço do petróleo na inflação do Brasil, diz Galípolo

26 de março de 2026 - 14:29

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acredita que o Brasil está bem posicionado para possíveis impactos da guerra no Irã

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia