Venda de veículos leves deve cair em 2019
Neste ano, porém, devem ser vendidos 2,46 milhões de veículos leves, o que representa uma alta de 13%

A indústria automobilística brasileira prevê uma desaceleração do crescimento do mercado de automóveis e comerciais leves em 2019. Neste ano, porém, as vendas devem crescer 13%, para 2,46 milhões de unidades. No próximo, a alta deve ficar entre 5% e 10%. A informação é do "Broadcast", do Estadão.
Ainda assim, essa melhora vai depender da manutenção de fatores econômicos como continuidade da redução de juros, da inadimplência, da retomada da confiança de consumidores e da queda no nível de desemprego, além da aprovação do Programa Rota 2030, a nova política industrial do setor, cuja publicação continua parada no governo.
Além disso, há incertezas na área política, como sobre a capacidade de governabilidade e de obter apoio do Congresso para aprovação de medidas do próximo presidente da República , independente de quem for eleito.
"É muito difícil prever o ano que vem sem ter um horizonte de política econômica", disse o vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb ao "Estado de S. Paulo". Segundo ele, ainda há pouca clareza sobre como os dois candidatos pretendem recuperar a economia e lidar com a indústria.
"A questão não é se será A ou B, mas o que A ou B vai fazer quando sentar na cadeira. O setor produtivo espera essa definição", disse Golfarb. Ele e vários executivos do setor participaram ontem, em São Paulo, de seminário para debater as previsões para 2019, promovido pela editora AutoData.
Para o presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, "o ritmo de crescimento vai desacelerar, mas não é desprezível". Ele ressaltou que as fábricas de carros no ABC paulista, em Taubaté (SP) e no Paraná, além da unidade de motores em São Carlos (SP) operam com baixa ociosidade e fizeram contratações recentes.
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Apesar disso, mais de três mil trabalhadores do grupo, segundo sindicatos de metalúrgicos, estão em férias coletivas. O motivo, explicou o executivo, é a queda de exportações para a Argentina, principal cliente da marca.
No início do próximo ano, a empresa deve anunciar novo investimento extra para a produção de um carro compacto que está sendo desenvolvido no país. Hoje, a montadora segue um plano de R$ 7 bilhões a serem aplicados até 2020, montante que inclui 20 lançamentos, dos quais 11 foram lançados nos últimos 12 meses.
Sem liberdade
O presidente da FCA Fiat Chryler, Antonio Filosa, estará nesta terça-feira, 16, em Londres, na Inglaterra, para discutir com acionistas da empresa aportes para um novo automóvel a ser produzido no Brasil (na fábrica da Jeep, em Pernambuco, ou da Fiat, em Minas Gerais).
O novo carro está inserido no plano de R$ 14 bilhões anunciado recentemente pelo grupo até 2023 - que inclui 25 lançamentos no Brasil e na Argentina, entre modernização de modelos e carros inéditos, sendo que dois deles já foram aprovados.
Apesar do plano já aprovado, a filial brasileira "não tem cheque em branco com liberdade total de gastar", por isso precisa falar com os acionistas para aprovar cada projeto.
Filosa disse que levará todas as projeções positivas que a companhia tem sobre a economia brasileira para o próximo ano. "Não é fácil explicar sobre o Brasil, ma nosso acionista não vai desistir pois tem confiança no País", afirmou, ressaltando que, na maior crise local o grupo investiu em uma fábrica nova (a unidade da marca Jeep, em Pernambuco, inaugurada em 2015), e que opera em três turnos.
Apesar dos números apresentados pelo setor automotivo neste ano, de crescimento de 14% das vendas totais até setembro, num total de 1,846 milhão de unidades, Golfarb, da Ford, ressaltou que a maior parte dessa alta vem das chamadas vendas diretas.
São negócios fechados diretamente pelas fábricas com clientes como locadoras e frotistas, feitas com elevados descontos. Em outubro, 42% das vendas foram nessas condições, ação considerada não saudável para os resultados financeiros das empresas. Em 2013, por exemplo, essa participação era de 24%.
Exportação
Outra preocupação para 2019 é a continuidade da queda de exportações para a Argentina, que devem ficar igual ou inferior às previstas para este ano, que já serão 8% menores que os números de 2017, segundo informou Antonio Megale, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos no País.
O setor de veículos pesados, que deve crescer 35% neste ano, com vendas de 86 mil unidades e produção de 120 mil, mantém ociosidade de 75%. "Em 2019 deveremos ter crescimento de dois dígitos, porém baixos", disse Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus. "É difícil ter rentabilidade mínima nessas condições."
*Com Estadão Conteúdo
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