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TOUROS E URSOS #251

Previdência privada ainda vale a pena? Cobrança de IOF balançou o setor, mas INSS em declínio é um impulso poderoso

No Touros e Ursos desta semana, o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Estêvão Scripilliti, fala sobre as mudanças na previdência privada e para onde caminha essa possibilidade de investimento

Montagem com o fundo de uma estante em preto e brando. Em primeiro plano, um homem de barba ao microfone, com os dizeres ao centro: Nova reforma da previdência é inevitável
Estêvão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência, no podcast Touros e Ursos - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Planejar a aposentadoria nunca foi tão necessário. No entanto, mudanças tributárias recentes e um cenário econômico instável derrubaram os investimentos em previdência privada neste ano. O que investidores querem saber é: ainda vale a pena apostar na previdência complementar para garantir o futuro? 

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Estêvão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência, esteve no podcast Touros e Ursos desta semana para tirar essas e mais dúvidas. O executivo afirmou que a nova cobrança de 5% de IOF nas aplicações acima de R$ 600 mil nos fundos VGBL foi um revés significativo para a categoria.  

Entretanto, as mudanças se limitaram a essa cobrança, e todos os demais benefícios do instrumento continuam os mesmos. “Se o horizonte do investidor for realmente de longo prazo, a previdência privada continua valendo a pena, mesmo no VGBL para tíquetes altos”, afirma Scripilliti.  

Segundo ele, no longo prazo, os 5% perdidos no imposto voltam na forma de outros benefícios do instrumento, como o imposto de renda menor, a garantia de uma renda mensal e a possibilidade de planejar a sucessão patrimonial.  

IOF no VGBL: impacto e adaptação da indústria 

A principal mudança que mexeu com a indústria de previdência privada neste ano foi a cobrança de IOF sobre aportes mais elevados em planos VGBL. Desde maio, investimentos acima de R$ 300 mil aplicados de uma vez passaram a ter incidência de 5% do IOF. Em 2026, o limite aumentará para R$ 600 mil.  

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“Num primeiro momento, a gente perdeu a arrecadação desses tíquetes maiores. Isso significa uma perda de 35% das captações mensais”, afirmou Scripilliti. 

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A captação líquida, que antes girava entre R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões por ano, virou para o negativo neste ano. Nos últimos meses, a perda dos 35% mensais começaram a diminuir para 30% e 25%, mas os investidores de tíquetes mais altos ainda não voltaram completamente.  

Apesar do susto, o diretor da Bradesco destaca que os benefícios da previdência privada continuam atrativos.  

  • Não há cobrança de imposto de renda durante a fase de acumulação (come-cotas);  
  • A alíquota regressiva de IR permanece, chegando a 10% após dez anos;  
  • O PGBL, que não passou por nenhuma alteração, permite deduzir até 12% da renda bruta tributável na declaração anual de IR;  
  • Permite o planejamento sucessório sem cobrança de imposto sobre heranças (ITCMD), entre outros.

“Quando a gente empilha todos os benefícios de previdência complementar, isso pode gerar um ganho de 15% a 20% na riqueza total acumulada”, afirmou o Scripilliti. 

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Previdência pública em xeque 

Para o diretor da Bradesco Vida e Previdência, a previdência pública vai chegar em um nível de aperto no futuro que o valor pago aos brasileiros estará limitado a uma renda básica mínima, sem a possibilidade de conseguir valores maiores, como o teto atual de R$ 7.500.  

A mudança demográfica da população (aumento do envelhecimento e menor natalidade) e novos modelos de trabalhos (que não arrecadam para o INSS) pressionam as contas da previdência pública.  

“No Brasil, a gente faz uma reforma da Previdência a cada três, quatro anos. Foram sete até hoje e provavelmente vão fazer outras tantas”, disse o diretor.  

Nesse cenário, a previdência privada surge como uma opção autônoma para o cidadão conseguir poupar para a sua aposentadoria, sem depender exclusivamente do benefício do governo. Scripilliti destaca a possibilidade de planejar a própria renda mensal no futuro, com apoio de assessores e gestores de investimentos.  

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Touros e Ursos da semana 

No bloco final do podcast, os convidados elegem os Touros e Ursos da semana, que dá nome ao podcast. Scripilliti destacou a volatilidade como Urso — destaque negativo — atual e possivelmente futuro, diante das turbulências eleitorais e geopolíticas globais do próximo ano. O diretor destacou como a volatilidade aumenta o nível de risco das carteiras e requer uma atenção maior, para não confundir risco com oportunidade.  

Outro Urso da semana foi a compra da Warner Bros pela Netflix. A negociação não está definida, mas levantou uma série de debates no mercado financeiro sobre o endividamento da maior plataforma de streaming do mundo com essa compra, e na indústria de entretenimento, sobre o que a saída da Warner pode representar para o setor.  

Do lado dos Touros — destaques positivos —, a IRB (IRBR3) conseguiu um espaço inesperado. As ações da resseguradora dispararam após o JP Morgan apontar a companhia como sua favorita entre as seguradoras brasileiras. A possibilidade de dividendos em 2026 é um dos motivos para a boa avaliação do banco norte-americano.  

Por fim, outro destaque positivo ficou com esta “Super Quarta”, diante da possibilidade de notícias positivas no Brasil e nos Estados Unidos. É dado como certo um novo corte de juros nos EUA. Por aqui, o que se espera é alguma sinalização do Banco Central de que o primeiro corte na Selic está próximo.  

Confira o episódio completo sobre previdência privada no YouTube:  

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