Menu
2018-10-05T16:33:26+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Eleições 2018

Os 5 porquês: as razões da preferência do mercado por Bolsonaro

Como não voto em Bolsonaro e sou cético quanto à conversão dele à doutrina liberal, procurei entender as razões da adesão ao candidato. Afinal, não se trata apenas de uma preferência. Os investidores estão botando dinheiro nisso

5 de outubro de 2018
15:48 - atualizado às 16:33
Jair-Bolsonaro
Bolsonaro tem Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga", como grande fiador da candidatura - Imagem: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados

Se eu aprendi algo nestes longos anos de cobertura do mercado financeiro foi que os preços (quase) nunca mentem. E não pode haver sinal mais claro da preferência dos investidores por Jair Bolsonaro do que o movimento de queda do dólar e de alta da bolsa nas últimas semanas.

Em outras palavras, quando um investidor compra ações e vende dólares depois de uma pesquisa eleitoral favorável ao candidato do PSL, não se trata apenas de uma preferência. Ele está botando dinheiro nisso.

Como não sou eleitor de Bolsonaro e sou cético quanto à conversão dele à doutrina liberal, procurei entender as razões da adesão do tal mercado ao candidato. Nas últimas semanas estive com gestores de fundos que movimentam alguns bilhões e também com profissionais de bancos em busca da(s) resposta(s).

Do ponto de vista puramente ideológico, há quem condene as opiniões do candidato sobre temas como direitos humanos e minorias, e também quem considere exageradas as críticas às posições do capitão. Mas nada disso entra na conta.

Tudo o que o mercado quer saber é como a economia vai se comportar imediatamente depois das eleições. E hoje a avaliação é que ela se sairá melhor com Bolsonaro do que com o petista Fernando Haddad. E isso significa bolsa para cima e dólar em queda, pelo menos enquanto essa lua de mel durar. Os motivos variam conforme o interlocutor, por isso procurei resumi-los em cinco grandes temas:

1. Paulo Guedes

O Posto Ipiranga de Bolsonaro é o grande fiador do candidato do PSL. O anúncio antecipado de Guedes como uma espécie de “superministro” foi um gol de placa da campanha. O economista é reconhecido como um “liberal de verdade”, até mais que do que figuras respeitadas no mercado como Persio Arida, o ministro da Fazenda em um improvável governo Alckmin.

Na prática, isso significa que os investidores veem uma grande chance de que Guedes consiga, pelo menos no início, com os ventos da economia soprando a favor, imprimir uma agenda de redução do Estado. Ou seja, com menos carga tributária e melhora no ambiente de negócios para as empresas, o que tende a beneficiar as ações na bolsa.

2. Medo do PT

O mercado enxerga dois PTs distintos. O do primeiro governo Lula, que conseguiu combinar a agenda social com uma gestão fiscal responsável, e o da tenebrosa Nova Matriz Econômica, que levou a economia para o buraco na gestão de Dilma Rousseff. Os gestores com quem conversei veem Haddad como moderado e, de longe, um dos melhores quadros do partido hoje. Mas as promessas do petista de revogar medidas como o teto de gastos e a reforma trabalhista ajudaram a colocar os investidores no colo de Bolsonaro.

3. Manutenção da política econômica

A adesão a Bolsonaro não significa que o mercado tenha comprado cegamente a conversão do candidato a uma agenda liberal. Como deputado, ele sempre se posicionou contra reformas na economia. Mas os investidores que eu ouvi acreditam que a simples manutenção do curso atual da política econômica, com as medidas de ajuste propostas por Paulo Guedes, já seria melhor do que uma possível aventura com Haddad.

4. Privatizações

Reparou que as ações das empresas estatais são as que mais sobem conforme aumentam as chances de vitória de Bolsonaro? A resposta para esse movimento atende por uma palavra que soa como música para o mercado financeiro: privatizações. Paulo Guedes tem alardeado uma conta (equivocada) de que a venda das empresas estatais renderia R$ 1 trilhão para os cofres do governo. Mesmo que Bolsonaro não embarque no discurso de seu assessor econômico, os investidores acreditam que a eleição do candidato do PSL evita a possibilidade do uso político das empresas que provavelmente ocorreria em uma gestão petista.

5. Efeito manada

Os gestores de fundos com quem eu conversei geralmente respondem com um sorriso no canto do rosto quando pergunto se acreditam em uma gestão liberal de Bolsonaro. Sim, é claro que eles desconfiam. Mas como a maior parte dos investidores comprou esse Bolsonaro liberal na economia, simplesmente não dá para ficar de fora desse movimento.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

A Bula do Mercado

Sai guerra comercial, entra temporada de balanços

Mercado se prepara para os resultados trimestrais das empresas, enquanto aguarda novidades do acordo entre EUA e China

Posição gerou polêmica

Presidente da CCJ da Câmara diz que vai pautar PEC da regra de ouro na quarta-feira

Decisão atropela um entendimento feito entre Maia e a equipe econômica de esperar a proposta do governo para avançar na discussão no Parlamento

Seu Dinheiro na sua noite

A pergunta que não quer calar

Como jornalista, estou acostumado a fazer perguntas, mas de vez em quando me vejo em uma situação em que sou obrigado a respondê-las. Na sexta-feira à noite fui a Santos fazer uma palestra na faculdade onde estudei sobre a profissão e os livros que escrevi, inclusive o primeiro deles – que surgiu do meu trabalho […]

Paralelo à reforma principal

Presidente da comissão especial na Câmara quer votar reforma da Previdência dos militares nesta semana

Na reunião de terça-feira, marcada para as 14h, deve ser iniciada a discussão que antecede a votação

Amigos, amigos...

OCDE diz que Brasil já é um parceiro-chave da OCDE, que já está perto da organização

Diretor para a América Latina na Organização diz que o Brasil se destaca em pesquisas no sentido de competitividade global

vestuário na bolsa

IPO da C&A: começa hoje a reserva de ações da varejista

Faixa de preço dos papéis — que serão negociados sob o código CEAB3 — ficará entre R$ 16,50 e R$ 20,00; montante mínimo a ser solicitado é de R$ 3 mil

Saiu perdendo

Firjan diz que mudança nos royalties pode trazer perda de R$ 30 bilhões em 4 anos ao Rio de Janeiro

O Estado, maior produtor brasileiro de petróleo e gás natural do Brasil (60% do total), perderia R$ 6,4 bilhões por ano

Me segue!

Ex-ministro da Fazenda, Meirelles diz que grande mérito do atual governo é manter diretrizes econômicas de Temer, mas aponta erros

Secretário da Fazenda paulista afirmou que muitos dos pontos da MP da Liberdade Econômica foram traçados durante sua gestão no Ministério da Fazenda

admirável mundo novo

Economia digital vira gargalo para tributação

Na era dos aplicativos de serviços, impressoras 3D, robôs, moedas virtuais e marketplaces, o sistema tributário ficou obsoleto e tem tirado o sono do Fisco

mudança de cenário

Com queda nos juros, busca por crédito tem o maior crescimento em 9 anos

Desde janeiro, o aumento do número de pessoas que buscaram crédito foi de 10,3%, em relação a igual período do ano passado, segundo a Serasa Experian

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements