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Bancos Centrais buscam proteção e compram 374 toneladas de ouro em 2019

Volume de ouro adquirido ao longo do primeiro semestre é o maior desde 2010. Segundo trimestre concentrou a compra de 224 toneladas. Demanda de investidores também foi alta

Barras de ouro - Imagem: Shutterstock

Escrevi outro dia sobre como um dos maiores investidores do mundo, Ray Dalio, da Bridgewater, enxergava o ouro como melhor opção de proteção e investimento dentro um novo cenário de juros baixos ou negativos e crescentes tensões sociais e políticas. E quem também está usando ouro como proteção e pelos mesmos motivos são os Bancos Centrais.

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Levamento do Word Gold Council (WGC) mostrou que essas instituições compraram 374,1 toneladas de ouro no primeiro semestre, maior demanda desde que os BCs voltaram a comprar ouro em 2010. Esse movimento não é novidade, já que 2018 tinha encerrado com o maior volume de compras dos últimos 50 anos. Um onça (28,35 grama) de ouro em Nova York chegou a bater US$ 1,4 mil dólar no período.

Desse montante do semestre, 224,4 toneladas foram adquiridas ao longo do segundo trimestre, alta de 47% sobre igual período do ano passado. Não por acaso, um trimestre marcado por aumento nas tensões comerciais e geopolíticas, que levantaram dúvidas sobre a capacidade de crescimento da economia mundial.

Quem comprou?

Segundo a WGC, a demanda foi diversificada, com nove BCs comprando ouro ao longo do segundo trimestre. Mas o BC da Polônia foi destaque ao entesourar 100 toneladas no período. Para dar parâmetro, ao longo de todo o ano de 2018, o país tinha adquirido 25,7 toneladas. O presidente do BC polonês, Adam Glapiński, explicou que a compra foi “estratégia”, buscando resguardar o sistema financeiro do país.

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Nas contas do WGC, essa compra da Polônia foi a maior já realizada desde novembro de 2009, quando a Índia comprou 200 toneladas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Com tal movimento, a Polônia desbancou a Rússia, que faz anos vem comprado ouro. No trimestre, o BC russo tomou mais 38,7 toneladas, elevando o total do ano a 94 toneladas. O estoque de ouro russo é de 2.207 toneladas, ou algo como 19% das reservas internacionais do país.

A China fez a compra de 74 toneladas ao longo do semestre. Também compraram ouro os BCs da Turquia (60,6 toneladas), Cazaquistão (24,9 toneladas), Índia (17,7 toneladas), Equador (10,6 toneladas), Colômbia (6,1 toneladas) e Quirguistão (2 toneladas).

Ranking

O WGC também apresentou uma atualização das maiores reservas de ouro, considerando os países que reportam esses números. Estados Unidos são líderes isolados, com mais de 8 mil toneladas, que perfazem 76% de suas reservas.

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O leitor deve estar se perguntando do Brasil e do nosso Banco Central (BC) no meio disso. Pelos últimos dados disponíveis, as reservas de ouro não correspondem a 1% das nossas reservas internacionais, de US$ 485 bilhões.

Ouro como investimento

Nas contas do WGC a demanda por ouro como investimento teve uma modesta alta de 1% no segundo trimestres em comparação com 2018. Mas uma olhada mais atenta mostra uma interessante divisão.

A demanda por ouro via fundos de índice (ETF) chegou a 67,2 toneladas, o dobro das 33,8 toneladas do segundo semestre do ano passado. O estoque subiu a 2.548 toneladas, maior dos últimos seis anos. Em termos financeiros, o estoque sob administração subiu a US$ 115,4 bilhões, maior desde abril de 2013.

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O “furo” no grupo de investimentos veio principalmente da China, onde ouro em barras e moedas é tradição. No trimestre, a demanda por lá foi de 49,5 toneladas, queda de 30% em comparação com as 69,5 toneladas do segundo trimestre de 2018, e menor volume desde 2016.

A WGC fala em realização de lucros, depois que o ouro bateu, em junho, o maior preço em mais de seis anos no mercado chinês. Aceno do BC chinês de que manterá a estabilidade da moeda, também conteve a demanda por lá.

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