Isenção de LCIs e LCAs é ‘uma balela’, diz Felipe Salto, que defende a revisão do benefício no ajuste fiscal previsto para 2027
Economista-chefe da Warren Investimentos defende revisão de benefícios tributários e diz que a justificativa para manter a isenção de LCIs e LCAs não se sustenta

O investidor que tem na carteira uma Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) atualmente não paga um centavo de imposto de renda sobre os rendimentos.
Essa vantagem tributária ajudou a transformar esses títulos de renda fixa em “queridinhos” dos investidores — mas também abriu um buraco nas contas públicas que agora cobra o seu preço.
Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, a discussão sobre o ajuste fiscal pós-eleição 2026 inevitavelmente terá de passar pelos benefícios tributários.
Isso inclui revisar se a isenção concedida aos títulos de renda fixa ainda faz sentido da forma como existe hoje. Além das LCIs e LCAs, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs) e as debêntures de infraestrutura também são títulos isentos.
O estoque desses papéis no mercado ultrapassava o total de R$ 2 trilhões ao final do primeiro semestre de 2026.
O benefício tributário sempre foi justificado como uma forma de estimular o crédito imobiliário e o financiamento para infraestrutura e o agronegócio no país — setores muito importantes para a economia.
Leia Também
Isenção é uma “balela”
Salto, porém, questiona se essa lógica continua fazendo sentido.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, ele afirmou que o debate fiscal brasileiro costuma se concentrar em previdência, salário-mínimo e programas sociais, enquanto o conjunto de renúncias tributárias já soma cerca de R$ 620 bilhões por ano e permanece protegido das discussões.
Esse volume considera desde regimes especiais de tributação até os chamados títulos isentos.
"São 620 bilhões de reais de renúncias tributárias. Tem para todos os gostos, desde o Simples Nacional, passando pela Zona Franca de Manaus, as filantrópicas, regime especial disso e daquilo, até os títulos isentos", elencou.
O economista foi especialmente crítico ao argumento de que a isenção é indispensável para baratear o crédito para esses setores.
"A ideia de que a isenção dos títulos incentivados é necessária para baratear o funding da agricultura e da construção civil é uma balela. Existem outras formas de fazer isso”, afirmou.
Na avaliação de Salto, o país não deveria tratar determinados incentivos como intocáveis apenas porque atendem a setores considerados estratégicos.
A questão central para ele é verificar se o benefício entrega resultados compatíveis com o custo para os cofres públicos.
- LEIA TAMBÉM: A crítica de André Esteves aos títulos isentos: ‘sou detentor, emito esses títulos, mas está simplesmente errado’
O economista não defende uma eliminação abrupta da isenção. Pelo contrário. Ele argumenta que existe espaço para soluções intermediárias.
O que pesa mais: a isenção ou os juros?
Outro ponto levantado por Salto é que o custo do financiamento imobiliário e rural depende muito mais da taxa básica de juros do que da existência da isenção tributária.
"Se o juro básico cai, mesmo sem isenção, o custo para o tomador de crédito na ponta também cai."
Na prática, uma eventual tributação parcial de LCIs e LCAs não necessariamente inviabilizaria o crédito para esses setores, segundo o economista, especialmente em um cenário de queda estrutural dos juros.
Por isso, sua defesa não é especificamente pelo fim da isenção das LCIs e LCAs, mas pela revisão de todos os benefícios tributários hoje existentes — incluindo CRIs, CRAs, debêntures e os benefícios voltados para empresas.
O crivo é o mesmo para todos: gera benefícios econômicos suficientes para justificar a perda de arrecadação?
Para o economista, essa discussão deve ganhar força após as eleições, quando o próximo governo precisar apresentar medidas para melhorar a trajetória das contas públicas.
Veja o episódio completo do Touros e Ursos com Felipe Salto:
OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO