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O Vaticano, menor país do mundo, será responsável por levar ainda mais viajantes para a Itália; excesso de turistas deve respingar em outros destinos como Florença e Milão
A Itália vai levar o conceito de overtourism a um outro patamar este ano. Se o destino já é tipicamente lotado — principalmente nos meses do verão europeu —, a expectativa é que o número de turistas entre o Coliseu, o Vaticano e a Fontana di Trevi exceda o dobro este ano.
De 13 milhões de visitantes no país em 2024, o número deve subir para 35 milhões em 2025, segundo os dados do escritório de turismo local.
Por que tamanha demanda? É ano de Jubileu, um dos eventos mais importantes da Igreja Católica, que tradicionalmente acontece a cada 25 anos (embora o Papa possa convocar um Jubileu extraordinário, como ocorreu em 2015).
E não é só a Cidade Eterna que deve ver multidões de turistas, hotéis em overbooking e museus cheios. Outros destinos como Florença, Veneza, Sicília e a Costa Amalfitana devem ter também picos de visitação, conforme os peregrinos católicos aproveitam a ida à Roma para fazer um tour italiano.
Para quem estava pensando em uma viagem para a Itália, é hora de fazer uma lista de prós e contras.
Por um lado, é preciso ter paciência para enfrentar as multidões não só nos principais marcos católicos, mas também nos restaurantes, museus e hotéis, que devem estar em superlotação.
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“Durante o Jubileu, a expectativa é que as atrações ligadas à tradição religiosa e ao patrimônio histórico da cidade estejam ainda mais concorridas. Visitas guiadas à Basílica de São Pedro, aos Museus Vaticanos (incluindo a Capela Sistina) e às basílicas papais costumam ser as mais disputadas, além da audiência papal e de tours históricos sobre o cristianismo e o Império Romano”, diz Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis no Brasil.
Por outro lado, esta é uma chance quase única de viver um evento que só acontece a cada quarto de século e que tem uma relevância cultural, mesmo para quem não é católico.
Esta também é a oportunidade para visitar marcos religiosos e igrejas que são abertos exclusivamente por causa do Jubileu.
Por exemplo, as basílicas de São Pedro, São João de Latrão, São Paulo Fora-dos-Muros e Santa Maria Maior terão as portas abertas durante todo o período do Ano Sagrado, como parte de um dos rituais religiosos. Ao passar por um destes portais, os católicos consideram que receberam uma renovação espiritual; daí a importância desses locais.
Além disso, Roma deve estar mais limpa e preparada do que nunca, já antecipando o grande fluxo de turistas que deve desembarcar todos os dias na cidade.
Somado a isso, uma vasta programação de eventos e concertos está prevista para todo o ano. No site oficial do Jubileu, é possível ver tudo que a Igreja Católica já tem previsto até o momento. O evento religioso vai influenciar até a maratona de Roma, em março.

O período do Jubileu começou no Natal de 2024 e segue até 6 de janeiro de 2026.
Ou seja: se quiser escapar a celebração (e as multidões) por completo, 2025 é o ano de “pular” Roma por completo — e a Itália inteira, se possível.
Mas, se você quiser viver essa experiência ou já tiver com passagens compradas, existem algumas dicas essenciais para evitar o máximo de perrengues.
Vale lembrar que algumas épocas estarão ainda mais cheias, com destaque para a Páscoa (20 de abril). Além de ser um feriado importante para os católicos, este ano promete um evento adicional: a canonização de um novo santo, beato Carlo Acutis, conhecido como o "padroeiro da internet", que deve ocorrer entre os dias 25 e 27 de abril.
O verão e os períodos de férias escolares, como acontece sazonalmente, também devem ver um pico de turismo.
Esta é uma das principais diferenças do Jubileu em relação a outros eventos de grandes proporções, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Por ser um evento de longa duração, ele impacta o turismo durante o ano inteiro, não só por algumas semanas.
Alexandre Oliveira, da Civitatis, recomenda de seis a oito meses de antecedência para o planejamento da viagem, principalmente para quem quer participar dos eventos oficiais.
“No caso dos passeios e atividades, o ideal é definir o roteiro e garantir as reservas assim que as datas da viagem estiverem confirmadas. A antecedência será essencial para evitar imprevistos e conseguir melhores preços”, comenta.
Oliveira também ressalta que escolher bem os horários é crucial para evitar movimentação excessiva. Ir logo na abertura ou perto do fechamento da atração é uma solução para encontrá-la mais vazia.
O country manager da Civitatis destaca os bairros de Trastevere e Testaccio como opções fora do circuito Vaticano-Centro Histórico, que “oferecem um charme autêntico e são menos movimentados”.
Para os restaurantes, a regra de antecedência também vale: as reservas antecipadas serão suas melhores amigas. Se quiser comer nos locais mais consagrados de Roma, não se assuste em ter que fazer uma reserva dois ou até três meses antes.
Outra dica importante é se preparar para custos mais altos da viagem.
A Itália não é um destino considerado barato, especialmente para brasileiros que precisam lidar com o euro acima dos R$ 6. Em um período como esse, além dos hotéis e passagens aéreas mais concorridos, os viajantes também podem esperar um aumento das taxas de turismo.
Para quem quiser se esquivar das multidões e do overbooking, a recomendação é fazer um upgrade tanto nos passeios, comprando ingressos fura-fila; quanto nos hotéis, optando por hospedagens mais luxuosas.
No vestuário, vale priorizar sapatos mais confortáveis para as andanças e considerar que algumas igrejas e santuários exigem roupas mais cobertas para o acesso ao local.

Dividida em 20 regiões e com extensão territorial semelhante ao do estado do Maranhão, a Itália tem uma série de outros destinos além de Roma, Florença, Veneza, Milão e Costa Amalfitana.
Mesmo sendo um país relativamente pequeno, é possível explorar de praias a montanhas em um só roteiro.
A região das Dolomitas — os Alpes Italianos — é uma opção para quem prioriza o contato com a natureza e quer explorar atividades ao ar livre e esportes de neve. É lá, inclusive, que serão sediadas as Olimpíadas de Inverno de 2026.
Já a região da Emília-Romanha, que tem a Bolonha como capital, oferece inúmeras possibilidades gastronômicas com o melhor que a Itália tem a oferecer. Espere encontrar muitos pratos com queijo parmesão (que foi criado lá), prosciutto e aceto balsâmico.
Bem na bota da Itália, Puglia é uma alternativa menos conhecida que a Costa Amalfitana para explorar o litoral italiano. Quem visita a região, aproveita não só as praias emolduradas por falésias, mas também a arquitetura charmosa.
Quem quer aproveitar o período do Jubileu para visitar outras cidades relevantes para a Igreja Católica, Assis, Pádua e Loreto podem ser incluídas no roteiro off-Vaticano.
Fora da Itália, Alexandre Oliveira recomenda Santiago de Compostela (Espanha), Lisboa e Fátima (Portugal) para encontrar o mix ideal de “história, espiritualidade e belas paisagens” em roteiros tanto culturais quanto religiosos.
* Com informações da Condé Nast Traveller, do The Wall Street Journal, do Lonely Planet e da Travel + Leisure.
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