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Turismo foi ‘carta na manga’ para o PIB japonês, diante da recessão econômica que o país enfrenta há décadas
O Japão se tornou destino queridinho entre turistas em busca de novas experiências fora do eixo Estados Unidos-Europa. Esse hype é comprovado pelos números: só em 2024, foram 36,9 milhões visitantes desembarcando no país, de acordo com a organização de turismo local.
E todo esse interesse não foi só por causa da popularidade meteórica da música e da cultura pop japonesa.
Na verdade, a desvalorização crescente do iene em relação ao dólar fez o país tornar-se um tanto quanto acessível para os viajantes. Com a moeda local mais fraca, os custos de hospedagem, entretenimento e transporte ficaram mais baratos, estimulando fortemente o turismo.
Esses estímulos foram muito bem-vindos, ainda mais considerando o contexto de recessão que a economia japonesa vive há anos.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu tímidos 0,1% em 2024, mas o que mais impressiona nesse dado é o fato de que 0,4 pontos percentuais desse crescimento se devem ao turismo, de acordo com Instituto de Economia da Mastercard.
Mas e se o iene “der a volta por cima”? A valorização da moeda pode “acabar” com o turismo no Japão?
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Um antigo ditado fala que “o lixo de uma pessoa pode ser o tesouro da outra”. Adaptando para o contexto econômico do Japão, a frase clichê surpreendentemente faz muito sentido: o iene desvalorizado em relação ao dólar não é um bom sinal para a economia japonesa e nem para a população; por outro lado, turistas internacionais aproveitam esse cenário para “fazer a festa”.
Números preliminares mostram que os gastos anuais dos visitantes estrangeiros no Japão atingiram um recorde de 8,1 trilhões de ienes (R$ 306 bilhões) em 2024, um aumento de 53,4% em comparação com o ano anterior.
O gasto individual médio subiu 6,8%, para 227.000 ienes (R$ 8.645).
Na visão do professor de negócios internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), João Alfredo Lopes Nyegray, um câmbio mais forte não necessariamente acabaria com o turismo.
Mesmo que o iene se valorize, ainda existirão moedas que provavelmente continuarão mais fortes que a divisa japonesa, como o franco suíço e a libra. O real brasileiro, no entanto, fica de fora dessa lista.
Os viajantes que têm renda em tais moedas fortes podem manter o fluxo turístico, afinal, o Japão é um país apreciado não só pelo câmbio favorável, mas também pela história e pelos destinos turísticos interessantes, explica Nyegray.

Do outro lado da moeda, o fortalecimento do iene implica em maior poder de compra para os japoneses.
“Um iene fortalecido poderia aumentar a confiança do consumidor japonês, o que naturalmente pode se refletir em maior demanda por serviços no geral, incluindo serviços turísticos, como hospedagem, restaurantes e entretenimento”, diz o professor da PUC-PR.
O turismo interno pode voltar a florescer à medida que os japoneses “esbanjem” mais com o câmbio favorável.
A boa notícia para a danificada economia japonesa é que o turismo tem um efeito multiplicador, afirma o professor.
“A indústria turística se conecta a segmentos variados, desde a agricultura que fornece alimentos para restaurantes e hotéis, até setores culturais e infraestrutura para modernização de aeroportos, trens e estradas. Então, cada iene gasto no turismo pode gerar um gasto adicional indireto em outras cadeias produtivas, o que vai induzir uma renda maior para trabalhadores de outras áreas”, explica.
Somado a isso, o fluxo de viajantes estrangeiros também faz entrar moeda forte para o país, o que é um ponto positivo.
No entanto, não é o turismo sozinho que vai reerguer o Japão após anos de marasmo, marcado pela deflação, estagnação salarial e envelhecimento populacional.
Fatores estes que, segundo Nyegray, “limitam a capacidade japonesa de expandir a demanda interna e manter o vigor do crescimento econômico” e que também afetam a moeda local.

Para o professor, o Japão precisa implementar uma série de reformas para sair da recessão.
Ele cita medidas que vão desde o incentivo da participação da população mais idosa no mercado de trabalho até o controle da dívida pública, que, hoje, é uma das maiores do mundo e pesa fortemente sobre o fiscal.
Vale lembrar que o envelhecimento populacional não só aumenta os gastos com previdência e saúde, mas também denota um menor número de trabalhadores no mercado. E a situação japonesa é grave: vende-se mais fraldas geriátricas do que fraldas para bebês, diz o professor.
Além disso, o aumento nas taxas de juros também seria benéfico. “Uma possível mudança no controle da curva de juros poderia sinalizar taxas um pouco mais altas no Japão. Se isso ocorrer, o iene pode ganhar um pouco de fôlego porque os títulos da economia japonesa tenderiam a se tornar um pouco mais atrativos”, afirma Nyegray.
Tal esforço já parece ter sido colocado em prática.
Na semana passada, o banco central japonês elevou a taxa de juros para 0,5%, nível mais alto desde a crise financeira global de 2008. O movimento fez com que o iene tivesse a maior valorização em relação ao dólar em cinco meses.
Assim como aconteceu com a Argentina, que ficou “cara” após a valorização do peso, o Japão pode viver o mesmo fenômeno.
Para os turistas brasileiros, o país asiático já não era exatamente barato — até por conta do preço das passagens aéreas. No entanto, ele pode ficar mais caro ainda.
Então, se você estava precisando de um sinal para agendar a viagem, este talvez seja o momento ideal.
* Com informações da CNBC e do Money Times.
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