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Presidente russo endurece exigências, mantém a ofensiva militar e aposta em pressão até 2025; para o Kremlin, a paz só virá em termos próprios
A resposta de Vladimir Putin às ameaças de taxação de Donald Trump não veio em carta, vídeo ou rede social. Veio por meio de generais.
Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (15) pela Reuters, fontes próximas ao presidente russo afirmaram que o Kremlin indicou aos seus comandantes estar preparado para manter a ofensiva na Ucrânia “indefinidamente”.
A sinalização de Putin veio um dia após as ameaças de Trump, que prometeu endurecer as sanções contra Moscou caso não haja cessar-fogo nos próximos 50 dias.
Putin, no entanto, não fechou todas as portas.
Embora rejeite qualquer devolução de território ou concessões à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o Kremlin avalia que o próprio governo Trump pode, mais adiante, aceitar negociar termos mais favoráveis à Rússia.
A leitura estratégica em Moscou é clara: manter a ofensiva militar, fortalecer a posição nas negociações e pressionar por um acordo em momento mais oportuno.
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Segundo as mesmas fontes, a expectativa é de que Vladimir Putin mantenha o controle sobre regiões como Luhansk, Sumy e a autodeclarada ZNM, que hoje representam cerca de 20% do território ucraniano.
Em declarações recentes à imprensa, o presidente russo afirmou que essas áreas estão “historicamente sob domínio do povo russo”, e aliados interpretam a fala como um indicativo de que não há intenção de devolução desses territórios.
Fontes do governo norte-americano disseram acreditar que Putin vê no atual momento político dos EUA uma janela estratégica.
“Putin acha que ninguém se envolveu seriamente com ele nos detalhes da paz na Ucrânia, incluindo os Estados Unidos. Então, ele continuará até conquistar o que quer”, afirmou uma dessas fontes.
Vale lembrar que a invasão da Ucrânia por parte da Rússia teve início em fevereiro de 2022.
De acordo com a Reuters, as condições colocadas por Moscou incluem um cessar-fogo sem retirada de tropas, o congelamento das fronteiras atuais e um compromisso formal de que a Ucrânia não integrará a Otan.
O Kremlin também exige o fim das sanções impostas pelo Ocidente, o que, na prática, significaria o reconhecimento tácito das anexações e a reintegração da Rússia ao sistema econômico internacional.
A Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre essas movimentações.
Do outro lado do conflito, o governo da Ucrânia ainda não deu qualquer sinal de que possa aceitar as exigências de Putin.
O presidente Volodymyr Zelensky reafirma que não há negociação possível com base em concessões territoriais.
Mesmo assim, analistas consultados pela reportagem apontam que Kiev pode ser forçada a reavaliar sua postura caso o avanço russo se intensifique.
Fontes ouvidas destacam que Putin considera seus objetivos geopolíticos mais relevantes do que qualquer impacto econômico causado pelas sanções do Ocidente, e que, com o apoio de China e Índia na compra de petróleo russo, o Kremlin não se vê isolado como antes.
Ainda segundo interlocutores próximos ao Kremlin, a Rússia se vê em vantagem no campo de batalha.
Apesar do alto custo humano e material da guerra, a produção militar do país já supera a da Otan em itens estratégicos como projéteis de artilharia.
Dados de inteligência do mapa DeepStateMap indicam que Moscou avançou cerca de 145 quilômetros quadrados em território ucraniano nos últimos três meses.
“O apetite vem com a comida”, disse uma das fontes, ao afirmar que o presidente russo poderia expandir ainda mais suas ambições territoriais caso a guerra não seja interrompida em breve.
Hoje, a Rússia controla oficialmente a Crimeia (anexada em 2014), além de Luhansk, mais de 70% das regiões de Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson, e trechos das províncias de Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk.
Para Putin, essas cinco regiões já fazem parte do território russo e, portanto, Kiev deveria se retirar como condição básica para a paz.
As fontes ainda afirmam que o objetivo imediato de Moscou é manter a pressão sobre as defesas ucranianas e, eventualmente, avançar sobre outras regiões do leste. Mas, tudo depende do ritmo da guerra.
Zelensky, por sua vez, reconheceu que os russos seguem mais bem armados e numerosos, mas afirmou que o custo da ofensiva tem sido elevado para Moscou. Oficiais ucranianos apontam que os ataques russos vêm sendo contidos, ao menos por enquanto, na linha de frente.
Para o Kremlin, a paz não será alcançada por apelos do Ocidente, mas apenas quando os interesses russos forem atendidos.
Até lá, a ordem é manter a ofensiva, mesmo que o custo siga alto e o impasse pareça longe do fim.
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