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Gabryella Mendes

Gabryella Mendes

A RÚSSIA MANDOU O RECADO

Putin bate de frente com Trump, ignora ameaça de tarifa e diz que não recua da Ucrânia

Presidente russo endurece exigências, mantém a ofensiva militar e aposta em pressão até 2025; para o Kremlin, a paz só virá em termos próprios

Presidente russo, Vladimir Putin, com a mão na boca simulando envio de um beijo | Rússia, Biden, Guerra
O presidente da Rússia, Vladimir Putin após reunião do BRICS - Imagem: José Cruz/Agência Brasil

A resposta de Vladimir Putin às ameaças de taxação de Donald Trump não veio em carta, vídeo ou rede social. Veio por meio de generais.

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Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (15) pela Reuters, fontes próximas ao presidente russo afirmaram que o Kremlin indicou aos seus comandantes estar preparado para manter a ofensiva na Ucrânia “indefinidamente”. 

A sinalização de Putin veio um dia após as ameaças de Trump, que prometeu endurecer as sanções contra Moscou caso não haja cessar-fogo nos próximos 50 dias.

Putin, no entanto, não fechou todas as portas.

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Embora rejeite qualquer devolução de território ou concessões à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o Kremlin avalia que o próprio governo Trump pode, mais adiante, aceitar negociar termos mais favoráveis à Rússia.

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A leitura estratégica em Moscou é clara: manter a ofensiva militar, fortalecer a posição nas negociações e pressionar por um acordo em momento mais oportuno.

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Nada de recuo, mas o timing importa

Segundo as mesmas fontes, a expectativa é de que Vladimir Putin mantenha o controle sobre regiões como Luhansk, Sumy e a autodeclarada ZNM, que hoje representam cerca de 20% do território ucraniano.

Em declarações recentes à imprensa, o presidente russo afirmou que essas áreas estão “historicamente sob domínio do povo russo”, e aliados interpretam a fala como um indicativo de que não há intenção de devolução desses territórios.

Fontes do governo norte-americano disseram acreditar que Putin vê no atual momento político dos EUA uma janela estratégica.

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“Putin acha que ninguém se envolveu seriamente com ele nos detalhes da paz na Ucrânia, incluindo os Estados Unidos. Então, ele continuará até conquistar o que quer”, afirmou uma dessas fontes.

Vale lembrar que a invasão da Ucrânia por parte da Rússia teve início em fevereiro de 2022.

As exigências russas para um cessar-fogo

De acordo com a Reuters, as condições colocadas por Moscou incluem um cessar-fogo sem retirada de tropas, o congelamento das fronteiras atuais e um compromisso formal de que a Ucrânia não integrará a Otan.

O Kremlin também exige o fim das sanções impostas pelo Ocidente, o que, na prática, significaria o reconhecimento tácito das anexações e a reintegração da Rússia ao sistema econômico internacional.

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A Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre essas movimentações.

Zelensky resiste, mas o campo de batalha pesa

Do outro lado do conflito, o governo da Ucrânia ainda não deu qualquer sinal de que possa aceitar as exigências de Putin. 

O presidente Volodymyr Zelensky reafirma que não há negociação possível com base em concessões territoriais.

Mesmo assim, analistas consultados pela reportagem apontam que Kiev pode ser forçada a reavaliar sua postura caso o avanço russo se intensifique.

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Putin ganha terreno e ignora pressão econômica

Fontes ouvidas destacam que Putin considera seus objetivos geopolíticos mais relevantes do que qualquer impacto econômico causado pelas sanções do Ocidente, e que, com o apoio de China e Índia na compra de petróleo russo, o Kremlin não se vê isolado como antes.

Ainda segundo interlocutores próximos ao Kremlin, a Rússia se vê em vantagem no campo de batalha. 

Apesar do alto custo humano e material da guerra, a produção militar do país já supera a da Otan em itens estratégicos como projéteis de artilharia.

Dados de inteligência do mapa DeepStateMap indicam que Moscou avançou cerca de 145 quilômetros quadrados em território ucraniano nos últimos três meses.

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“O apetite vem com a comida”, disse uma das fontes, ao afirmar que o presidente russo poderia expandir ainda mais suas ambições territoriais caso a guerra não seja interrompida em breve.

Hoje, a Rússia controla oficialmente a Crimeia (anexada em 2014), além de Luhansk, mais de 70% das regiões de Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson, e trechos das províncias de Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk. 

Para Putin, essas cinco regiões já fazem parte do território russo e, portanto, Kiev deveria se retirar como condição básica para a paz.

Linha de frente sob pressão

As fontes ainda afirmam que o objetivo imediato de Moscou é manter a pressão sobre as defesas ucranianas e, eventualmente, avançar sobre outras regiões do leste. Mas, tudo depende do ritmo da guerra. 

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Zelensky, por sua vez, reconheceu que os russos seguem mais bem armados e numerosos, mas afirmou que o custo da ofensiva tem sido elevado para Moscou. Oficiais ucranianos apontam que os ataques russos vêm sendo contidos, ao menos por enquanto, na linha de frente.

Para o Kremlin, a paz não será alcançada por apelos do Ocidente, mas apenas quando os interesses russos forem atendidos. 

Até lá, a ordem é manter a ofensiva, mesmo que o custo siga alto e o impasse pareça longe do fim.


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