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O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Sentados em mesinhas separadas, centenas de clientes lotavam o salão. O feirão de imóveis da incorporadora tinha bons descontos e aproveitei para fechar negócio. Só faltava assinar a papelada. Um rapaz do jurídico se aproximou de mim, mas não me entregou o contrato. Puxou papo sobre amenidades, como se estivesse enrolando. Depois de 15 minutos, ele me perguntou: “seu marido está chegando?”.
Respondi: “não, eu estou sozinha”. O moço levou um susto e imediatamente me entregou a pasta. Olhei ao redor e vi que todos os outros clientes eram casais ou homens. Eu era a única mulher sozinha comprando um imóvel.
Resgatei essa história para a estreia da minha coluna aqui no Seu Dinheiro, coincidentemente, na mesma época de celebração do Dia Internacional da Mulher. É inegável a evolução da sociedade em relação ao papel da mulher nos últimos anos, mas algumas questões não estão completamente superadas.
Infelizmente, ainda causa “estranhamento” uma mulher comprar um apartamento sozinha. E também não é comum uma mulher investir na bolsa ou ser CEO de uma empresa.
Sou a funcionária número 1 do Seu Dinheiro. Entrei em 2018 como editora-chefe para montar a redação. Hoje sou Diretora-Executiva dos sites Seu Dinheiro e Money Times, responsável pela estratégia de negócios dessas marcas.
Nesta coluna, vou abordar temas como Liderança, Inovação, Negócios, Investimentos, Tendências, Marketing e Carreiras.
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Certa vez um amigo me falou que, como homem, se sentia pressionado para ser rico e bem-sucedido. No caso das mulheres, a pressão por “casar e ter filhos” me parece maior do que “ser bem-sucedida”. Essa visão de que “cuidar do dinheiro” é papel do homem e “cuidar da família” é papel da mulher ainda é muito presente na nossa sociedade.
Cada casal tem sua dinâmica e longe de mim querer meter o bedelho na vida dos outros. Mas uma divisão de tarefas estigmatizada por gênero cria pressões sociais negativas para homens e mulheres. Afinal de contas, cada um de nós, independente do gênero, é um indivíduo, com sonhos, ambições, potencialidades e funções em diferentes searas sociais.
Mas é inegável que o estigma social de que “dinheiro é preocupação de homem” ainda existe e inibe a ascensão de mulheres investidoras.
Fico surpresa em ver até mesmo mulheres esclarecidas aceitando passivamente esta condição e terceirizando completamente para cônjuges suas questões financeiras. Conheço mulheres que não sabem quanto têm na conta, onde seu dinheiro está aplicado, qual a renda e a despesa mensal da família, e até mesmo qual a senha da própria conta bancária!
Já ouvi histórias de senhoras de alta renda que ficaram viúvas e perderam fortunas por não saber onde estava o dinheiro da família. E também conheço outras mulheres que terceirizaram para marido ou filhos a gestão financeira e acabaram na desconfortável posição de precisar pedir autorização para usar o próprio dinheiro.
Ah, mas isso só acontece com as mulheres “antigas”, certo? Infelizmente, não. Trabalho com Jornalismo Econômico há quase 20 anos e, nas reuniões de amigos, frequentemente, sou “puxada” para a rodinha de conversa dos homens para discutir o cenário econômico ou alternativas de investimentos. Na rodinha das mulheres, esse assunto não é tão pop.
Essa falta de interesse de muitas mulheres sobre finanças reflete no perfil do investidor brasileiro. Das 5,26 milhões de pessoas físicas cadastradas na B3, 1,38 milhão são mulheres, uma fatia de 26%. Aqui no Seu Dinheiro, 65% dos leitores são homens.
É verdade que o número de investidoras na bolsa de valores e no Tesouro Direto vem crescendo e este número bateu recorde em dezembro de 2024, segundo informações da própria B3. E vale ressaltar que existem muitas mulheres cuidando muito bem, obrigada, do seu dinheiro.
Mas ainda são poucas em um país onde mais da metade da população é feminina. No último Censo Demográfico, de 2022, constatou-se que as mulheres são 51,48% da população brasileira. Ao todo, existem 6 milhões de mulheres a mais do que homens no país.
O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Nenhum adulto deveria se privar de cuidar do próprio dinheiro. Isso não quer dizer que não podemos ouvir conselhos ou terceirizar parte da gestão financeira para assessores, consultores ou mesmo familiares com mais conhecimento. Mas é essencial acompanhar suas finanças para maximizar rendimentos, ampliando seu patrimônio.
Caros leitores homens, deixo aqui a sugestão para que incentivem as mulheres das suas vidas (esposas, mães, irmãs, amigas, tias, filhas, etc) a buscarem educação financeira. E, fica o apelo às leitoras mulheres para que sejam as protagonistas da sua vida financeira.
A pauta feminina é ampla. Mas, sem dúvida, será muito mais fácil para as mulheres enfrentarem desafios e buscarem ser cada vez mais independentes para fazer o que bem entenderem de suas vidas com dinheiro na conta.
PS: se você, homem ou mulher, está em busca de ideias de investimento, deixo o convite para assistir ao vídeo “Onde Investir em março”, no YouTube do Seu Dinheiro.
Um abraço!
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