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POLÍTICA MONETÁRIA

“O Banco Central não se emociona”, diz Galípolo; juro vai se manter restritivo até que inflação chegue à meta de 3%

Em evento da Febraban, o presidente do BC destacou o papel técnico da autarquia para controlar a inflação, sem influência da “questão midiática”

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Imagem: Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Não adianta reclamar, que o Banco Central não vai te ouvir. Essa foi a mensagem central do discurso de Gabriel Galípolo, presidente do BC, em evento com banqueiros nesta segunda-feira (24). Segundo ele, a autoridade monetária não deve se "emocionar" com o clamor popular, referindo-se às críticas aos juros altos.

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"Acho que é importante o Banco Central não se emocionar e não ser uma instituição preocupada em fazer movimentos por questão de mídia ou de mobilização", disse Galípolo durante o almoço anual promovido pela Febraban, a federação dos bancos.

Em sua fala, o presidente do BC disse que a preocupação da autoridade monetária deve ser cumprir o mandato de levar a inflação à meta com rigor técnico, sem se preocupar com a "questão midiática".

O papel da autarquia, pontuou, é seguir critérios técnicos, com transparência para a população. Ele também destacou que é natural que sempre haja argumentações em favor "dos dois lados": juros altos e juros baixos.

Mesmo as críticas do governo em relação à política monetária, Galípolo defendeu que é natural esse posicionamento.

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"É um debate que é sempre legítimo, democrático. Se o governo não puder falar, não puder debater, não puder propor, quem vai poder?", indagou o presidente do BC.

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Quando os juros vão cair?

O banqueiro central não entrou muito no mérito, apenas mencionou que o BC "depende dos dados" e está ciente do seu compromisso com a meta de inflação de 3%.

Para Galípolo, houve uma diminuição dos riscos de cauda em relação a um aumento da inflação.

"Chegamos ao fim do ano com esses riscos de cauda mais magros, com menos dúvidas e com uma convicção maior de que política monetária, sim, funciona, de que o Banco Central vai atuar sempre que houver qualquer tipo de risco ou ameaça relativo à questão de segurança, ou questão de estabilidade", comentou Galípolo.

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Galípolo usou a metáfora de que o BC é sempre o "último zagueiro", por quem "a bola não pode passar".

"Esse é o papel do Banco Central. E se o Banco Central fizer o papel dele bem feito, ele [BC] será acusado pelos dois lados: vão existir críticas de que [o corte dos juros] foi feito por pressão ou que foi tarde demais", disse o presidente do BC.

Inflação incômoda

Segundo Galípolo, a diretoria da autoridade monetária ainda está insatisfeita com o nível da inflação, que não deu sinais de convergência para a meta de 3% dentro do período avaliado pelo BC, de 18 meses.

O Boletim Focus desta segunda-feira (24) mostrou que, mesmo no horizonte de 2028, a estimativa do mercado segue acima da meta, com uma inflação de 3,5%.

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“Ainda estamos insatisfeitos. Não estamos onde gostaríamos, por isso seguimos com patamar restritivo de juros”, acrescentou o presidente do BC.

A Selic atual, de 15% ao ano, é o maior nível de juros básicos no Brasil desde 2006. Os agentes do mercado financeiro há meses especulam sobre quando o BC iniciará o ciclo de cortes. A maior aposta neste momento é em março do próximo ano, considerando o processo de desinflação no Brasil, que deve fechar o ano dentro do topo da meta, de 4,5%.

*Com informações do Estadão Conteúdo e do Money Times.

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