“ESG não é caridade, é lucro maior”: o futuro do investimento é sustentável e o Brasil está no epicentro dessa revolução verde, diz Al Gore
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz afirma que a atual crise climática é uma "oportunidade histórica de transformação" para os investidores

Em um momento de crescente urgência climática, uma das vozes mais proeminentes na luta ambiental, Al Gore — ex-vice-presidente dos EUA e ganhador do Prêmio Nobel da Paz —, afirma que a atual crise climática abre uma "oportunidade histórica de transformação" e um catalisador para lucros sustentáveis inigualáveis — e o Brasil emerge como o epicentro dessa revolução verde.
Para Gore, a crise climática é o desafio mais sério que a humanidade já enfrentou. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor de 40°C em pleno outubro, inundações e incêndios florestais, são agora uma realidade em todo o planeta e se intensificam a cada dia.
A causa? Para ele, a raiz do problema é a dependência massiva de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo.
Segundo Gore, 175 milhões de toneladas de poluição térmica são lançadas anualmente na atmosfera, “o equivalente a 750 mil bombas atômicas explodindo na atmosfera a cada dia, retendo calor e elevando as temperaturas a níveis sem precedentes”.
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"O futuro da nossa civilização está em risco", alertou ele, em painel durante o evento Expert XP 2025. “Somos 8 bilhões de pessoas neste planeta, ainda dependemos de combustíveis fósseis para 80% da nossa energia, e estamos usando o céu como um esgoto a céu aberto. Temos a oportunidade de lucrar mudando esse padrão.”
Gore afirma que a transição para um futuro de energias renováveis está ganhando força, com os investidores encontrando maneiras de lucrar com isso — e o Brasil está em uma posição única para surfar essa onda de transformação.
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Brasil no centro da revolução verde
Para o ex-presidente norte-americano, o Brasil possui vantagens estratégicas que o colocam no centro da conversa global sobre o papel da natureza nos negócios e na indústria.
O país já obtém quase 90% de sua energia elétrica de fontes renováveis, principalmente hidrelétricas, superando em muito a média global de 25%. Isso posiciona o Brasil como um "modelo para o mundo", segundo Gore.
Além disso, o país detém um capital natural abundante, com 60% da Floresta Amazônica e a maior biodiversidade do mundo. Isso coloca o país no epicentro do debate sobre o uso sustentável da terra, sequestro de carbono e combate ao desmatamento.
Mas as vantagens não param por aí. Gore avalia que o Brasil possui um "potencial único" para se destacar em novas tecnologias, como hidrogênio verde, aço de baixo carbono e infraestrutura de dados sustentável.
"Se você está interessado no negócio da moda, vá para Paris; se você está interessado em investimento baseado na natureza para resolver a crise climática, vá para o Brasil. É aqui que está acontecendo", disse Gore.
Al Gore: ESG não é caridade, é lucro maior
Para Gore, a ideia de que investir de forma sustentável significa abrir mão de lucros é um mito.
"Não há caridade nisso", afirma, reforçando que a sustentabilidade seria, na verdade, uma via para maiores lucros.
A chave, segundo ele, está em olhar para o longo prazo, quando os "lucros da sustentabilidade começam a se materializar".
“Temos a tecnologia, o capital e o compromisso das pessoas para um futuro melhor para suas famílias. O único recurso que pode estar em falta é a vontade política para fazer as escolhas certas", disse o especialista.
"Enfrentamos repetidamente a mesma escolha na vida: escolher entre o certo difícil e o errado fácil. Lembre-se, a Idade da Pedra não terminou por falta de pedras. Ela terminou porque algo melhor apareceu. Agora, a era dos combustíveis fósseis está terminando, não por falta de combustíveis fósseis, mas porque algo melhor surgiu – temos energia limpa, e é mais barata, mais limpa e melhor", acrescentou.
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