Em meio a roubo de joias históricas do Museu do Louvre, a peça principal ficou para trás; veja o que foi levado
Criminosos invadiram o Museu do Louvre e levaram oito joias da coroa francesa, em um dos maiores roubos da história; o diamante Régent, avaliado em US$ 60 milhões, ficou para trás

Paris foi palco de um dos maiores roubos de joias da história no fim de semana. Em uma ação rápida e ousada, criminosos invadiram a Galerie d’Apollon e levaram oito peças valiosas das joias da coroa francesa. Elas estavam expostas no Louvre.
Surpreendentemente, porém, o “Diamante Régent”, estimado em mais de US$ 60 milhões, não foi alvo dos ladrões — ele era o item mais caro da coleção.
O que foi levado do Louvre
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, lamentou o crime e afirmou que as peças roubadas tinham "valor inestimável".
"Eles claramente fizeram um reconhecimento prévio. Parecem muito experientes. Essas joias tinham valor inestimável, eram um verdadeiro patrimônio", declarou o ministro.
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Dentre os itens levados estavam:
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Diadema, colar e brincos de safira
O conjunto de joias de diamantes e safiras roubado do Louvre tem quilates dignos da realeza. As peças já foram usadas por figuras como a rainha da Holanda, Hortense de Beauharnais; a rainha consorte da França, Marie-Amélie; e a duquesa de Guise, Isabelle d’Orléans.
O destaque da coleção é um diadema — adorno de cabeça tradicionalmente usado pela nobreza — que reúne 24 safiras do Ceilão e 1.083 diamantes. Segundo o museu, as pedras podem ser removidas e transformadas em broches.
A origem exata do conjunto ainda é desconhecida, embora especialistas apontem que ele possa ter pertencido à rainha Maria Antonieta.
Mesmo sem portar marcas dos grandes joalheiros franceses da época, as joias refletem o refinamento e a habilidade dos artesãos parisienses do início do século XIX, destacou o Louvre.



Colar e brincos de esmeralda da esposa de Napoleão
O conjunto de joias ornamentado foi um presente de casamento de Napoleão Bonaparte à sua segunda esposa, a imperatriz Maria Luísa da Áustria, em março de 1810.
Criadas pelo renomado joalheiro François-Régnault Nitot, as peças são compostas por 32 esmeraldas lapidadas com técnica complexa e 1.138 diamantes.
Após o colapso do Império Napoleônico, Maria Luísa deixou o conjunto — que incluía uma tiara, um colar e um par de brincos — como herança a um parente, e as joias foram sendo passadas de geração em geração.
Mais tarde, a tiara foi vendida e modificada, tendo suas esmeraldas substituídas por pedras de turquesa por um colecionador americano. Essa versão alterada hoje integra a coleção do Smithsonian, nos Estados Unidos.
Já o colar e os brincos permaneceram em sua forma original e foram adquiridos pelo Museu do Louvre em 2004, por cerca de 3,7 milhões de euros (R$ 23,1 milhões).


Broche da imperatriz Eugénie
A imperatriz Eugénie de Montijo, esposa de Napoleão III e considerada uma das mulheres mais elegantes do século XIX, foi a primeira proprietária de um broche relicário de diamantes criado especialmente para ela.
A peça foi confeccionada em 1855 pelo joalheiro Paul-Alfred Bapst, segundo o site do Louvre. Condessa espanhola, Eugénie foi imperatriz da França entre 1853 e 1870 e conhecida por seu refinado gosto artístico.
O broche, que contém uma relíquia sagrada — símbolo da fé católica da imperatriz —, é formado por 94 diamantes, incluindo os históricos Mazarin 17 e 18. Essas pedras foram originalmente doadas ao rei Luís XIV pelo cardeal Mazarin em 1661, e aparecem espelhadas no centro da joia.
No verso, o broche dourado traz gravuras delicadas de folhagens e folhas, que reforçam o trabalho artesanal da época. A peça foi adquirida pelo Museu do Louvre em 1887 e integra hoje o acervo das joias da coroa francesa.

Diadema de pérolas e broche de diamantes
Originalmente, o broche de prata, ouro e diamantes fazia parte de um cinto com cerca de 4 mil pedras preciosas, exibido na Exposição Universal de 1855, antes de ser usado pela imperatriz Eugénie, segundo o site do Louvre.
Confeccionado pelo joalheiro François Kramer, o cinto foi usado por Eugénie em duas ocasiões marcantes: durante a visita da Rainha Vitória ao Palácio de Versalhes, em agosto de 1855, e novamente em junho de 1856, no batismo do Príncipe Imperial.
Posteriormente, a imperatriz decidiu transformar o cinto em um broche, encomendando a um de seus joalheiros a criação de uma peça independente e mais sofisticada. O novo design recebeu borlas de diamantes em cascata, tornando-se uma das joias mais exuberantes de sua coleção.
Em 1887, o broche foi adquirido em leilão pelo joalheiro Émile Schlesinger por 42.200 francos franceses, a pedido da socialite nova-iorquina Caroline Astor, segundo a casa de leilões Christie’s.
A joia permaneceu na família Astor por mais de um século, até ser recomprada pelo Museu do Louvre em 2008, retornando à França. De acordo com a Fundação Napoleão, o museu pagou 6,72 milhões de euros — o equivalente a mais de US$ 10 milhões na época — para readquirir a peça histórica.
O diadema, por sua vez, foi confeccionado pelo joalheiro Alexandre-Gabriel Lemonnier em 1853 e contém 212 pérolas e 1.998 diamantes, de acordo com o Louvre.


Coroa da imperatriz da esposa de Napoleão
Os ladrões tentaram roubar a coroa da imperatriz Eugénie, mas a peça acabou sendo encontrada do lado de fora do Museu do Louvre, segundo o Ministério da Cultura da França.
Feita de ouro ornamentado, a coroa é adornada com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas. De acordo com o jornal Le Parisien, a joia foi danificada durante a tentativa de roubo, mas permanece sob custódia das autoridades francesas.

A principal joia que não foi roubada no Louvre
Apesar do roubo digno das aventuras do gentleman cambrioleur da literatura francesa, Arsène Lupin, o item mais caro da coleção não foi levado.
O diamante Régent.
A história da peça inclui a descoberta na Índia em 1698, a lapidação em Londres e a aquisição pelo regente francês, Filipe II, Duque de Orléans, em 1717.
A pedra preciosa tem de 140 quilates e está avaliada em US$ 60 milhões (cerca de R$ 377 milhões), segundo estimativas da casa de leilões Sotheby's.

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